Escherichia coli

Algumas estirpes da bactéria Escherichia coli, que é encontrada normalmente no intestino de animais de sangue quente, podem desencadear diarreia e outras infecções.

<i>Escherichia coli</i>
Imagem de uma Escherichia coli em microscopia eletrônica de varredura. Escala: 500nm.

As bactérias são organismos que apresentam grande aplicação econômica e ecológica. Algumas, no entanto, causam danos à saúde humana e à de outros animais, como é o caso de algumas estirpes de Escherichia coli.

A bactéria E. coli, pertencente à família Enterobacteriaceae, além de apresentar formato de bacilo, é gram-negativa, anaeróbia facultativa e fermentadora de açúcares. Ela é encontrada normalmente na microbiota entérica (intestino) de aves e mamíferos. Possui representantes comensais e alguns tipos patogênicos, destacando-se como as causadoras mais comuns de infecções urinárias, além de provocarem diarreia.

Estima-se que cerca de 10% das E. coli sejam patogênicas e desencadeiem infecções intestinais e também em outras áreas do corpo. As bactérias responsáveis por problemas intestinais, como diarreias agudas e persistentes, são denominadas de DEC (Diarrheagenic Escherichia coli) e podem ainda ser classificadas em enteropatogênicas, enterotoxigênicas, enteroinvasoras, enteroagregativas, produtora de toxina Shiga e difusamente aderente.

Já as bactérias que causam problemas extraintestinais podem ser classificadas de acordo com o local onde são encontradas, como a UPEC (E. coli uropatogênica), que é causadora de infecções urinárias, e a MNEC (E.coli associada à Meningite Neonatal), que é encontrada nas meninges. O problema dessa classificação é que algumas bactérias podem causar infecções em mais de um local, o que torna os termos incorretos. Diante disso, alguns pesquisadores recomendam o termo “E. coli patogênica extraintestinal” (ExPEC- Extraintestinal Pathogenic Escherichia coli).

A ExPEC não é responsável por grandes surtos como a DEC, mas mesmo assim é um grande risco para pacientes debilitados. As infecções urinárias, por exemplo, que acometem principalmente mulheres em razão da uretra curta e da proximidade com o ânus, são responsáveis por grande mortalidade em ambientes hospitalares.

A contaminação por E. coli ocorre após a ingestão de alimentos e água contaminados pela bactéria. Além disso, de maneira menos frequente, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa, principalmente em locais onde existe pouca higiene. No caso das infecções urinárias, a contaminação ocorre em virtude, principalmente, da má higienização das regiões genitais e por meio de atividade sexual (principalmente sexo anal), práticas que podem possibilitar a invasão do orifício urinário pelas bactérias intestinais.

O tratamento das infecções intestinais causadas por E. coli baseia-se, principalmente, na ingestão de líquidos para repor o que foi perdido. Nos casos de diarreia, normalmente não se recomenda o uso de antibióticos; entretanto, no tratamento de outros problemas, como a infecção urinária, o uso desse medicamento é indicado.

Para evitar a contaminação por essas bactérias, é fundamental ter hábitos de higiene, tais como lavar bem os alimentos e as mãos, além de manter limpa a região do ânus e vagina. Além disso, evitar carnes mal cozidas e não ingerir água sem tratamento são medidas que podem ajudar no controle da bactéria.

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