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Esportes ex-olímpicos

Esportes ex-olímpicos
O rúgbi: um dos esportes que um dia fizeram parte das competições olímpicas.

Ao longo dos anos, as olimpíadas modernas sofreram diversas modificações nos critérios de seleção dos esportes aptos para o evento. Atualmente, o COI (Comitê Organizador Internacional) estipulou critérios de competitividade e popularidade para que certos esportes pudessem estrelar os Jogos Olímpicos Modernos. No entanto, nas primeiras décadas da organização dos jogos, algumas modalidades tiveram a oportunidade de disputar a tão famosa medalha de ouro.

Nos Jogos Olímpicos de Estocolmo (1912) o arremesso de dardos e disco com as duas mãos agitou as competições de atletismo. No entanto, a similaridade com a modalidade com uma só mão acabou sendo a única permitida. Depois da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) a modalidade foi banida dos jogos e, por isso, teve sua história restrita aos jogos de Estocolmo.

Outra modalidade que teve problema com o número de mãos utilizado foi o levantamento de peso. Nas três primeiras edições dos jogos, havia uma modalidade onde o (corajoso) atleta deveria levantar o peso com uma única mão. Apesar de ser uma grande demonstração de força, a modalidade era praticada por poucos e causava muitos acidentes. Por isso, os organizadores preferiram a modalidade de duas mãos como a única oficial.

O arremesso de peso, que hoje é considerado um esporte olímpico, teve que sofrer algumas modificações para não perder sua preciosa vaga nos jogos. Anteriormente, essa modalidade era disputada como arremesso de pedra de 6,4 quilos. A competição aconteceu nas Olimpíadas de Saint Louis (1904) e fazia referência a uma folclórica competição britânica.

Brincadeira de criança também já valeu medalha olímpica. Até hoje muito popular nos quartéis generais, o cabo-de-guerra foi disputado nas primeiras edições dos jogos, até 1920. No entanto, eram poucos os que se dedicavam com freqüência à prática desse “esporte”. Nas Olimpíadas de 1908, por exemplo, três diferentes corporações militares da Inglaterra ocuparam o pódio da competição.

O preparo físico e a habilidade técnica sempre foram um dos importantes itens exigidos de um verdadeiro atleta olímpico. No entanto, a comissão organizadora das Olimpíadas de Londres (1908) decidiu liberar uma competição de motonáutica. A “moto-competição” foi conquistada por ingleses e franceses. Depois disso, nenhuma outra modalidade com motores mecânicos foi permitida nas Olimpíadas.

Dois esportes bastante conhecidos do público geral também não fazem mais parte das modalidades olímpicas. O golfe, devido sua origem elitista, ainda é um esporte destinado para poucas pessoas e, por isso, só participou das Olimpíadas entre os anos de 1900 e 1924. O rúgbi – apesar de não possuir essa mesma barreira econômica – não alcança o mínimo de setenta países que regularmente praticam este esporte.

Outro “esporte das elites” que não durou muito tempo nos Jogos foi o pólo. Não só pela sua baixa popularidade, mas também pelos altos custos que exigiam o tratamento dos sete cavalos utilizados por cada uma das equipes. Durante o tempo em que integrou as modalidades olímpicas, durante cinco edições, o pólo rendeu medalhas para os ingleses e argentinos.

O críquete é um outro esporte de relativa popularidade que não conseguiu ocupar uma vaga olímpica. A popularização do esporte é bastante complicada, tendo em vista que uma partida de críquete pode durar horas a fio. Em tempos de competições cada vez mais ágeis, esse esporte não consegue angariar novos praticantes ao redor do mundo. Nos jogos de 1900, somente a França e a Inglaterra inscreveram-se para disputar a modalidade.

O ciclismo é uma modalidade de bastante prestígio nos jogos olímpicos modernos e se desdobra em diferentes tipos de competição. Nas Olimpíadas de Atenas (1896), os organizadores dos jogos tentaram instituir uma nova competição ciclística onde os atletas deveriam pedalar doze horas a fio. O desafio homérico foi enfrentado por sete corajosos participantes. No fim da competição, apenas dois heróis cumpriram o desafio e o ciclismo de doze horas nunca mais foi disputado.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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