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Publicado por: Lucas de Oliveira Rodrigues 0 Comentário
A educação formal tornou-se universal apenas em tempos “recentes”
A educação formal tornou-se universal apenas em tempos “recentes”

Durante muito tempo, a educação como instrução formal foi privilégio de poucos que dispunham de tempo e dinheiro para investir. Os séculos anteriores à invenção da imprensa foram marcados pela educação restrita apenas aos mais ricos ou a membros privilegiados de certos grupos sociais, como o clero. Para a grande maioria das pessoas, educação significava aprender por meio da imitação com a experiência dos mais velhos, de forma que a tradição foi por muito tempo a principal fonte de aquisição de conhecimento.

Saltamos alguns séculos e hoje vemos que a educação formal não apenas se tornou comum, mas sim uma exigência, um direito universal que, embora ainda não tenha sido assegurado para absolutamente todos em nosso país, caminha a passos largos nessa direção.

♦ Educação e a Revolução Industrial

Esse longo processo iniciou-se com a industrialização e a expansão das cidades que ocorreram no período da Revolução Industrial. Anteriormente, até as primeiras décadas do século XIX, a maioria da população europeia não tinha nenhum acesso a qualquer tipo de educação escolar. Porém, o rápido avanço tecnológico exigia a formação de mão de obra instruída, capaz de realizar as tarefas que exigiam maior nível de especialização. Na medida em que as ocupações tornavam-se mais complexas, a educação tradicional recebida em casa tornava-se mais e mais obsoleta, já que as experiências de trabalho diferenciavam-se cada vez mais no decorrer de um curto espaço de tempo. Diante dessa necessidade, surgiram as primeiras escolas técnicas que mais adiante tomariam o formato das escolas que vemos hoje.

♦ O papel da Escola segundo Bourdieu e Passeron

Nos períodos que seguiram a rápida e continua industrialização, a escola tornou-se a instituição responsável pela manutenção do contexto estabelecido. Entre os inúmeros trabalhos teóricos que se dedicaram ao papel dessa instituição, os esforços de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, em sua obra “A reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino”, são uns dos mais reconhecidos. Os autores buscam mostrar que o sistema de ensino moderno serve como ferramenta de manutenção dos paradigmas sociais estabelecidos. Ele molda aqueles que são entregues aos seus cuidados e exclui aqueles que não se submetem ou não se adaptam aos seus parâmetros. Os autores baseiam-se no conceito de “violência simbólica”, isto é, o ato de imposição arbitrária do sistema simbólico da cultura dominante de uma sociedade específica sobre os demais sujeitos que a integram.

Para Bourdieu e Passeron, o processo educativo está fundamentado na ação pedagógica. Essa seria a manifestação integral da violência simbólica, o meio pelo qual as instituições de ensino subjugariam o sujeito e sua individualidade, obrigando-o a se posicionar no mundo social em conformidade com as noções preestabelecidas pelo pensamento ou cultura dominante.

♦ Educação: para além da formação de mão de obra

Entretanto, está claro que a educação não pode e não deve se reduzir ao ensino técnico ou à formação de mão de obra especializada. Deve ir além e desvincular-se da imagem atribuída por Bourdieu e Passeron de instituição mantenedora de parâmetros de segregação. As demandas de nossas sociedades contemporâneas vão muito além das do início do século passado. O sujeito que se forma em nossa realidade não mais é visto como agente passivo em um meio tão ambivalente e complexo como o nosso mundo globalizado. Este exige que o sujeito, para que não seja excluído dessa nova forma de convívio, aprenda a manejar as novas tecnologias, mas, acima de tudo, que aprenda a conciliar as diferenças com as quais é obrigado a conviver.

Tratamos aqui de vários assuntos que são intermitentes ou relevantes para essa crescente discussão. Buscar enriquecer o debate acerca das diferentes necessidades que surgem constantemente em nossa realidade diversa é o nosso principal objetivo. A formação do sujeito-cidadão, plenamente capaz de entender sua realidade e, se julgar necessário, agir de forma coerente e não destrutiva para mudá-la, deve ser o objetivo desse novo período histórico que se desenrola. Portanto, seja bem-vindo à área temática da Educação do Mundo Educação! Confira os textos dispostos logo mais abaixo e amplie seus conhecimentos!

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