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Simpatias amorosas de São João

Neste texto você pode conhecer algumas simpatias amorosas de São João, isto é, feitas na noite de São João – passagem do dia 23 para 24 de junho.

Simpatias amorosas de São João
Grande parte das simpatias de festas juninas diz respeito ao relacionamento amoroso

Sabemos que as festas juninas têm como objetivo principal prestigiar os dias dedicados aos santos católicos do mês de junho, a saber: Santo Antônio de Pádua (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro e São Paulo (ambos do dia 29). Esses festejos ocorrem no Brasil desde a época colonial, tendo um caráter eminentemente agrário, isto é, ligado às tradições populares do meio rural.

Um dos fenômenos mais típicos das festas juninas são as simpatias, que basicamente podem ser definidas como rituais supersticiosos feitos aos santos com o objetivo de conseguir alguma recompensa em troca. Veja algumas dessas simpatias referentes a São João, todas elas de viés amoroso.

1) Anel no copo

O folclorista e historiador potiguar Luís da Câmara Cascudo reuniu em um dos capítulos do livro “Superstições no Brasil” alguns exemplos de simpatias feitas na noite de São João, isto é, na passagem do dia 23 para o dia 24 de junho.

Uma dessas simpatias exige o seguinte: “Em noite de São João passa-se sobre a fogueira um copo contendo água, mete-se no copo sem que atinja a água um anel de aliança preso por um fio, e fica-se a segurar o fio; tantas são as pancadas dados no anel nas paredes do copo quantos os anos que o experimentador terá de esperar pelo casamento.” (CASCUDO, Luís da Câmara. Superstições no Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed, USP, 1985. p. 148).

Esse tipo de simpatia, feita para se saber quando a pessoa se casará, remonta aos antigos oráculos das religiões pagãs, como as cultivadas por gregos e romanos, que tinham por finalidade adivinhar o futuro.

2) Ovo no copo com água

Outra simpatia semelhante, que também se vale do ambiente com fogueira e de um copo, é a seguinte: “As moças passavam em cruz sobre as brasas copos cheios d'água, dentro dos quais quebravam ovos, e iam expô-los ao sereno: de manhã os examinariam: e conforme às posições tomadas pela clara e a gema, formando mais ou menos aproximadamente uma igreja, um navio, uma joia, significariam: casamento, viagem, riqueza, e assim por diante”. (CASCUDO, Luís da Câmara. Op. Cit. pp. 149-150).

Novamente, trata-se de uma simpatia adivinhatória, mas, ao contrário da anterior, o fator de adivinhação provém das imagens formadas no conteúdo da mistura do ovo com a água.

3) O Balão e a fita

Outra pesquisadora dedicada ao estudo do folclore e das festas juninas, Lúcia Helena Vitalli Rangel, em seu livro “Festas juninas, festas de São João”, também elencou algumas simpatias de cunho amoroso. Uma delas é esta: “Quando estiverem soltando um balão, pensar em algo que se deseja. Se ele subir, acontecerá o que se pensou; caso se incendeie, certamente o “sorteiro” ficará solteiro. Prender uma fita no travesseiro e rezar para São João. No outro dia, se ela aparecer solta é porque a pessoa vai se casar.” (In: RANGEL, Lúcia Helena Vitalli. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. p. 38).

Semelhantemente às simpatias anteriores, aqui o que se busca é, no primeiro caso, ao observar a trajetória do balão (de papel, que sobe sob o efeito do fogo), saber se a “solteirice” permanecerá por muito tempo. Já no segundo caso, mais direcionado às mulheres, o efeito é o mesmo, só que menos complexo que o do balão.

4) Castigo do Santo

Lúcia Helena Rangel dá mais este exemplo: “Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam-no de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo.”(In: RANGEL, Lúcia Helena Vitalli. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. p. 29-30).

Essa simpatia é uma variação típica do castigo dos ídolos, que também remonta ao paganismo clássico, quando gregos e romanos amarravam e açoitavam estátuas de seus deuses. Essa prática acabou reverberando no catolicismo popular e, inclusive, já foi analisada em uma música de Chico Buarque, chamada “Permuta dos Santos”.

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