Você está aqui Mundo Educação Gramática Sintaxe Regência nominal e regência verbal O verbo implicar – sentidos distintos implicam em diferentes regências

O verbo implicar – sentidos distintos implicam em diferentes regências

O verbo implicar – sentidos distintos implicam em diferentes regências
A regência é demarcada pelo sentido que representa

Estudos direcionados à análise da regência verbal implicam em termos conhecimento sobre a relação compreendida entre o verbo e seus complementos, pois muitos verbos requerem o uso da preposição, outros não e, em alguns casos, o verbo pode, na mesma frase, exigir e não exigir uma preposição. Assim, de modo a constatarmos como realmente tal ocorrência se manifesta, analisemos os enunciados que seguem:

Entregamos o livro.

Constatamos que o verbo entregar necessita de um complemento para que se torne dotado de sentido. Dessa forma, dizemos que ele se classifica como transitivo. No caso em evidência, percebemos que tal complemento não aparece acompanhado de preposição – fato que o designa como objeto direto.

Entregamos o livro ao professor.

Aqui, notamos a presença do objeto direto (o livro), como também a do objeto indireto, ora manifestado pela união da preposição “a” com o artigo “o”. Sendo assim, alertamos sobre o fato de que o verbo entregar, tanto pode ser transitivo direto, como indireto, ou seja, tal verbo obedece a duas regências distintas.
Como nosso foco se atém ao estudo do verbo implicar, vamos a ele:

Esse verbo quando retratado no sentido de “ter como consequência, resultar, acarretar”, classifica-se como transitivo direto. Perfeitamente demarcado por meio dos casos abaixo descritos:

Esta viagem inesperada implica gastos extras.

O consumo excessivo implica despesas desnecessárias.


Deparamo-nos com ambos os casos nos quais o verbo se classifica como transitivo direto.

No entanto, por analogia de três verbos de significação semelhante, porém de regência indireta, representados por “resultar em, redundar em, importar em”, o verbo implicar passou a ser usado com a preposição “em”, sem que isso representasse um “desvio” ao padrão formal da linguagem – tornando-se, pois, aceito pela gramática normativa.

Diante de tal constatação, voltemos aos exemplos anteriores e façamos as devidas alterações, assim manifestadas:

Esta viagem inesperada implica em gastos extras.

O consumo excessivo implica em despesas desnecessárias.


Evidentemente que o verbo passou de transitivo direto a transitivo indireto.

Essa mesma posição é também ocupada pelo verbo quando sua acepção semântica se refere a “ter implicância”, “embirrar”. Observe:

Todos implicavam com o barulho da vizinhança.

Para finalizar, outra circunstância ainda insiste em se manifestar – o fato de o verbo em estudo, quando retratando o sentido de “envolver”, “comprometer”, ocupar as duas posições: a de transitivo direto e indireto, perfeitamente constatável em:

Implicaram um famoso político em atividades ilícitas.

Implicaram quem?
Um famoso político

Em quê?
Em atividades ilícitas.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras  

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