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Colonização Francesa nas Américas

Em razão do atraso nas expedições marítimas, a colonização francesa nas Américas não foi tão intensa quanto à dos países ibéricos.

Colonização Francesa nas Américas
O chefe indígena Saturiwa mostrando monumento ao explorador francês Laudonnier

A colonização francesa nas Américas, assim como a inglesa, foi retardatária se comparada às expedições espanholas e portuguesas. Apesar do atraso, os franceses empreenderam tentativas de colonização nas três Américas.

Como os franceses ficaram fora da divisão do Tratado de Tordesilhas, o rei francês Francisco I havia ironizado o tratado, ao dizer que queria ver o testamento de Adão para saber se ele havia destinado as terras do mundo apenas a Portugal e Espanha. Porém, o tratado não impediu os franceses de tentar colonizar áreas do território americano e nem de tentar lucrar com o comércio marítimo na região.

As práticas de pirataria foram estimuladas pela coroa francesa. Inúmeros navios corsários passaram a navegar em águas americanas, com o objetivo de saquear navios e localidades comerciais litorâneas. Com as ações de pirataria, os franceses conseguiram ganhos econômicos consideráveis.

Havia também interesse na criação de colônias nos territórios americanos. Uma tentativa se deu em meados do século XVI, na região da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Em estreita ligação com os indígenas da região, os franceses fundaram em 1555 a França Antártica, cujo objetivo era criar um espaço de colonização no litoral brasileiro, buscando desenvolver atividades econômicas, principalmente no extrativismo. A iniciativa teria fim alguns anos depois, quando os portugueses e seus aliados indígenas derrotaram os Franceses.

Ainda no que conhecemos como litoral brasileiro, os franceses tentaram uma nova empresa colonizadora, dessa vez na atual região do Maranhão. Nesse local, entre 1612 e 1615, os franceses criaram a França Equinocial, cujo principal legado é a cidade de São Luís do Maranhão. Mais uma vez os franceses não foram capazes de manter a colônia, sendo novamente expulsos pelos portugueses.

Na América do Sul, os franceses teriam mais sorte na região das Guianas, onde até os dias atuais há um território francês: a Guiana Francesa. Nela houve a produção de produtos tropicais destinados à venda no mercado europeu.

Na América do Norte, os franceses ocuparam inicialmente territórios onde hoje se localiza o Canadá. O ponto de partida foi a formação de Quebec no início do século XVII. A partir daí os franceses passaram a ocupar a região dos Grandes Lagos, onde conheceram a foz do rio Mississipi. O rio auxiliou ainda os franceses a ocuparem a região central do continente norte-americano, em uma faixa territorial que ia desde os Grandes Lagos até o Golfo do México, ao sul. A região ficou conhecida como Louisiana, nome dado em homenagem ao rei Luís XIV.

Na região do Golfo do México, os franceses construíram a cidade de Nova Orleans, um importante entreposto comercial, onde eram escoadas principalmente madeiras e peles, já que não houve um incentivo à produção agrícola nos territórios franceses. Tal situação ocorreu principalmente por não ter havido grande incentivo da coroa francesa na colonização, cabendo a empresas privadas a exploração.

Na região das Antilhas, os franceses conquistaram algumas ilhas, destacando-se parte da Ilha de Santo Domingo, atual Haiti. Inicialmente a exploração agrícola dessa região era de produtos como tabaco, café e cana-de-açúcar, trabalhados pelos chamados “engagés” (engajados), criminosos e marginalizados na metrópole que iam para a colônia em troca de trabalho e acesso a terra após três anos de serviços. Mas com o aumento da produção, essa mão de obra foi substituída pelo trabalho de africanos escravizados. No século XVII, o ministro das Finanças de Luís XIV mudou a política colonial e criou a Companhia das Índias Ocidentais, 1635, com objetivo de administrar as colônias.

O Haiti tornou-se a principal colônia francesa, onde era produzida a maior parte do açúcar fabricado no mundo. Entretanto, com a eclosão da Revolução Francesa, os ideais revolucionários influenciaram a luta dos escravos, que aboliram a escravidão em 1794 e conseguiram a independência em 1804.

Os territórios da América do Norte seriam perdidos após uma série de derrotas em guerras travadas contra algumas potências europeias, principalmente a Inglaterra. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e os acordos do Tratado de Paris custaram aos franceses a região de Quebec e todas as suas possessões no Canadá, além da Louisiana e de algumas ilhas das Antilhas.

Nos dias atuais, ainda se mantêm como departamentos franceses as Ilhas de Guadalupe, São Martinho, São Bartolomeu e Martinica, nas Antilhas; e a Guiana Francesa, na América do Sul.

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