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New Deal
Franklin D. Roosevelt: o presidente responsável por empreender as medidas do New Deal.

Nos fins da década de 1920, a economia norte-americana começou a sentir os primeiros solavancos de uma crise de grandes proporções. No entanto, o presidente Herbert Hoover não tomou medidas radicais contra os índices negativos que começaram a pairar sob a economia dos Estados Unidos. Longe disso, Hoover adotou uma intervenção bastante conservadora que parecia ainda apostar nos antigos postulados do liberalismo clássico.

Contudo, a aposta de que a retração econômica seria naturalmente seguida pela retomada do desenvolvimento acabou se mostrando realmente falha no dia 24 de outubro de 1929. Nesta fatídica data, mais conhecida como “quinta feira negra”, uma série de acionistas viram o valor de seus títulos despencar com a total falta de pessoas interessadas em comprar suas ações. Em um único dia, vários empresários e investidores viram seus investimentos liquidados a zero.

Os números da crise surpreendiam todos aqueles que viam nos Estados Unidos um inabalável sustentáculo da economia capitalista internacional. Em um curto período de tempo, cerca de 4 mil bancos fecharam as portas, 85 mil empresas decretaram falência e quase 12 milhões de pessoas perderam seus empregos. No plano internacional, o crash da economia norte-americana reduziu os níveis de exportação e interrompeu as remessas de crédito utilizadas na reconstrução da Europa.

Em meio tantos problemas, o Partido Republicano – do qual o presidente Hoover fazia parte – perdeu força no cenário político estadunidense. Dessa maneira, o democrata Franklin Delano Roosevelt não teve maiores dificuldades para vencer as eleições presidenciais de 1932. Buscando superar a crise, Roosevelt montou uma equipe de assessores partidários de distintas orientações políticas. Juntos, estabeleceram ações que visavam frear o liberalismo por meio do chamado “New Deal” (Novo Acordo).

O New Deal era inspirado nas teorias do economista britânico John Maynard Keynes, que dedicou várias de suas obras à reflexão dos princípios liberais pregados por Adam Smith. Partindo do referencial teórico de Keynes, o governo norte-americano realizou uma grande remessa de dinheiro que propositalmente inflacionou toda a economia. Em contrapartida, determinou a realização de vários investimentos que combatessem o desemprego e reaquecesse o consumo.

Para que outra onda especulativa não tomasse conta da economia nacional, o governo Roosevelt empreendeu medidas de fiscalização que seguiram de perto os empréstimos do governo aos órgãos públicos e particulares. Com isso, esperava-se controlar o desenvolvimento econômico em áreas onde a necessidade e a viabilidade eram reais. Além disso, o New Deal ofereceu ajuda a todos os cidadãos que tivessem suas propriedades hipotecadas.

Por meio dessas ações, o New Deal remodelou as bases que sustentavam as relações entre o Estado e a economia. Além disso, teve a preocupação em amparar o cidadão comum com a criação de um sólido sistema previdenciário, a fixação do salário mínimo, a regulamentação da jornada de trabalho e a legalização dos movimentos sindicais. Dessa forma, Roosevelt e seu “acordo” inspiraram a criação das políticas de bem-estar social que mais tarde foram copiadas por outros países capitalistas.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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