Governo Afonso Pena
Afonso Pena: os problemas econômicos e a crise política no interior das oligarquias.

O governo de Afonso Pena deu prosseguimento à hegemonia das oligarquias no Brasil, sendo este, o quarto governo civil do período republicano. Antes de ocupar o mais alto posto político do país, assumiu outros cargos políticos como deputado, presidente estadual, senador e vice-presidente da república. Apesar de propor um projeto de governo amplo, a administração de Afonso Pena esteve profundamente comprometida aos interesses dos cafeicultores.

Sua chegada ao poder foi possível por meio de um compromisso político em que garantia concentrar esforços para que as medidas do Convênio de Taubaté fossem cumpridas. Em meio às constantes variações do mercado externo, o presidente tentou combater a superprodução cafeeira adotando medidas drásticas que retiravam milhares de sacas de café do mercado, à espera de uma possível valorização do produto. Dessa forma, o governo enfrentou os obstáculos de uma economia frágil e dependente.

No setor industrial, o seu governo buscou realizar alguns tímidos investimentos em uma área da economia restringida pela hegemonia oligárquica. Nesse ponto, o presidente realizou um aumento das taxas alfandegárias que beneficiava o processo de ampliação dos mercados consumidores da ainda nascente indústria nacional. Paralelamente, o governo Afonso Pena investiu no setor ferroviário e incentivou a chegada de imigrantes europeus para o país.

Com relação à questão militar, o presidente teve a preocupação em prestigiar esse setor que havia estabelecido o regime republicano no país. Dessa maneira, destinou recursos para que novos armamentos fossem adquiridos e tornou o serviço militar obrigatório. A Marinha foi agraciada com a compra de novos equipamentos, incluindo a aquisição de encouraçados que reforçariam o poder de fogo das Forças Armadas.

Em 1908, inspirada nos grandes eventos culturais europeus, este governo realizou uma exposição nacional que procurava veicular uma imagem positiva do país com a comemoração do centenário da abertura dos portos brasileiros. No ano seguinte, Afonso Pena tentou articular a indicação do nome que o sucederia na presidência. Contudo, os partidos oligárquicos frustraram seus intentos por conta das dificuldades em alcançar um nome consensual entre as oligarquias.

Faltando apenas um ano para concluir o seu governo, Afonso Pena acabou falecendo. Dessa maneira, o vice-presidente Nilo Peçanha assumiu o governo por um breve período de tempo. Enquanto isso, as oligarquias mineiras e paulistas viviam uma complicada crise hegemônica vivenciada em um agitado processo eleitoral disputado pelas chapas do intelectual baiano Rui Barbosa e o militar Hermes da Fonseca, que acabou vencendo aquelas eleições.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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