Governo Epitácio Pessoa

Governo Epitácio Pessoa
O governo de Epitácio Pessoa enfrentou diversas insurreições contrárias aos ditames da ordem oligárquica.

Integrando mais um dos governos que figuraram o período oligárquico no Brasil, o mandato do presidente Epitácio Pessoa ficou marcado por importantes eventos que sinalizavam a crise das oligarquias. A insatisfação de grupos naturalmente opostos à predominância das oligarquias mineira e paulista e a exclusão de grupos oligárquicos secundários provocaram algumas tensões que indicavam a vindoura crise que daria fim a esse regime.

A própria chegada de Epitácio ficou marcada por disputas de hegemonia dentro do cenário político da época. Rodrigues Alves foi eleito como novo presidente da política do café-com-leite, porém, o novo eleito faleceu antes de assumir o mandato. Com isso, o vice-presidente Delfim Moreira assumiu o governo provisoriamente, até que outro presidente fosse eleito. Na disputa, ocorrida em 1919, Epitácio Pessoa conseguiu vencer o pleito concorrido contra o escritor Rui Barbosa.

Durante o seu governo podemos observar a franca expansão do setor industrial brasileiro, que aproveitava do abalo da economia européia no pós-Primeira Guerra. Em conseqüência a essa transformação econômica, também tivemos o crescimento da classe operária, que na época contava com a força de trabalho de vários imigrantes europeus. Muitos desses trabalhadores de origem espanhola e italiana vinham de seus países trazendo a influência das concepções dos pensamentos anarquista e socialista.

Nesse período, essas duas tendências políticas ganharam ênfase com a deflagração da Revolução Russa de 1917, quando a classe operária daquele país conseguiu chegar ao poder. Em pouco tempo, os trabalhadores urbanos do Brasil – inspirados pelo sucesso do proletariado russo – saiu às ruas pedindo melhores condições de vida em uma época em que as leis não amparavam a classe trabalhadora. Além disso, tentavam se organizar por meio da formação dos primeiros sindicatos de trabalhadores.

Contrário à mobilização dos trabalhadores, o governo da época criou a chamada “Lei de Repressão ao Anarquismo”, dispositivo pela qual a ordem oligárquica esperava desestabilizar o operariado brasileiro. No entanto, a tentativa de esvaziar esse novo grupo em ascensão promoveu uma reorientação política que estabeleceu a criação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922. Acuado por tal advento, o governo instituiu um decreto onde proibia as atividades do novo partido e o colocava na ilegalidade.

Esse mesmo ano de 1922 – último do mandato do presidente Epitácio Pessoa – foi marcado por outro movimento que sinalizava o declínio das oligarquias. Em fevereiro, um grupo de escritores, artistas e intelectuais se reuniram para a realização da Semana de Arte Moderna. Esse evento foi marcado pela discussão da identidade nacional e a inserção do Brasil na modernidade, duas questões que faziam um claro contraponto ao conservadorismo e o exclusivismo que marcavam o cenário político da época.

Em julho de 1922, uma crise tomou conta da capital federal e marcou o desenvolvimento do episódio popularmente conhecido como a “Revolta do Forte de Copacabana”. Nesse período, vários militares criticavam o autoritarismo das oligarquias e a indicação de Artur Bernardes como novo candidato oficial à presidência do país. Em reposta, o governo fechou o Clube Militar e decretou a prisão do marechal Hermes da Fonseca, considerado um dos líderes dos militares anti-governistas.

Insatisfeitos com a ação das autoridades, um grupo de militares provocou uma revolta que tomou o Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, e exigiu a realização de novas eleições. Sem ter meios de enfrentar o governo, os revoltosos acabaram sendo desarticulados pelas tropas oficiais. Apesar da política do café-com-leite ter prevalecido frente seus opositores, o restante daquela década foi marcado por conflitos que deram fim à hegemonia das elites cafeeiras.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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