Guerra dos Farrapos
Bento Gonçalves (dir.) foi um dos principais líderes do movimento separatista.

No período regencial e nos primeiros anos do governo de Dom Pedro II, uma revolta tomou conta do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Entre outras motivações para essa contenda regional podemos apontar questões de ordem política, econômica e ideológica. Para iniciarmos uma explicação geral deste conflito, devemos nos reportar às características da economia sulista ao longo do século XIX.

Naquela região tínhamos um setor agropecuário de intensa atividade que abastecia os grandes centros urbanos do Brasil com charque, gado e couro. A elite econômica detentora dessa atividade passou a viver uma situação conflituosa quando o governo central permitiu a redução de impostos para produtos similares vindos da Região do Prata. O governo manteve essa medida alegando que os preços dos produtores sulistas eram considerados abusivos.

A insatisfação com a medida do governo central impulsionou a formação de grupos políticos de inspiração republicana e contrários à estrutura política centralizada da época. O conflitou tomou seus primeiros passos quando o estancieiro Bento Gonçalves organizou uma revolta exigindo a renúncia do presidente provincial. A rebelião tomou conta da cidade de Porto Alegre e obrigou os membros da Assembléia Legislativa a nomearem um novo governo para o estado.

A partir desse golpe político os chamados “farrapos” começaram a organizar um movimento de inspiração republicana. Os revoltosos ganharam este nome, pois costumavam utilizar pedaços de pano vermelho (farrapos) amarrados em alguma parte de seus trajes. Depois de consolidarem a nova sede do governo da República Rio-Grandense na cidade de Piratini, os revolucionários foram rumo a Santa Catarina. No ano de 1839, tomaram o outro Estado formando a República Juliana.

O sucesso militar da Revolução Farroupilha teve grande êxito graças à participação do italiano Giuseppe Garibaldi, que anos mais tarde teria outra importante participação militar no processo de unificação italiano. Durante a luta, Garibaldi foi responsável pela condução terrestre de duas embarcações que saíram da região da Lagoa dos Patos com direção à Tramandaí. A operação logística por ele capitaneada garantiu o sucesso em um ataque surpresa que abateu forças imperiais.

Para contornar a situação conflituosa na região Sul, o novo governo imperial incumbiu Luis Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. No ano de 1842, foi nomeado como presidente da província e procurou explorar habilmente as contradições que abalavam a unidade interna do movimento farroupilha. Entre outras medidas, Luis Alves ofereceu anistia geral, reapropriação das terras confiscadas, incorporação dos oficias revoltosos ao exército nacional e libertação dos escravos envolvidos na luta.

Além de oferecer todas estas vantagens, os estancieiros gaúchos foram agraciados com a criação de um imposto de 25% sobre toda carne salgada oriunda da região platina. Com a assinatura do Tratado de Poncho Verde, o conflito que se arrastou durante dez anos chegava ao seu fim. A Revolução Farroupilha ou a Guerra dos Farrapos ficou marcada como o mais longo conflito civil da história nacional.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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