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Olga Benário: a revolucionária alemã que veio ao Brasil

Olga Benário nasceu na Alemanha e tornou-se membro do Partido Comunista em Moscou. Foi enviada ao Brasil para garantir a segurança de Luiz Carlos Prestes na luta contra o fascismo.

Olga Benário: a revolucionária alemã que veio ao Brasil
Olga Benário Prestes em foto de 1926 *

Olga Benário foi uma revolucionária comunista nascida na Alemanha. Muitos afirmam que ela teve parte em um movimento conhecido como Intentona Comunista. A Intentona foi uma tentativa de golpe militar promovida pela Aliança Libertadora Nacional, em 1935, contra o governo de Getúlio Vargas. Esposa de Luiz Carlos Prestes, foi presa e deportada para a Alemanha nazista em 1936, onde morreu em uma câmara de gás em um campo de extermínio em 1942. Sua história foi resgatada no Brasil a partir da década de 1980.

Juventude de Olga

Olga Benário nasceu em 12 de fevereiro de 1908, em Munique, na Alemanha, e tinha uma família com recursos. Seus pais chamavam-se Leo Benário e Eugenie Benário. Olga ingressou na vida de militância política cedo: aos 16 anos, saiu de casa e mudou-se para Berlim com o namorado Otto Braun para atuar nas manifestações dos trabalhadores. Nesse período, Olga atuou, principalmente, no combate contra as milícias de extrema-direita que ganhavam força na República de Weimar.

Foi obrigada a fugir da Alemanha em 1928 após participar do assalto que libertou Otto Braun da prisão de Moabit. Por essa razão, foi acusada de alta traição à pátria e refugiou-se em Moscou, na União Soviética. Em Moscou, Olga ingressou na juventude da Internacional Comunista, onde recebeu formação política e treinamento militar.

Ainda em Moscou, conheceu o brasileiro Luiz Carlos Prestes, muito conhecido no Brasil pela sua atuação na Coluna Prestes – um movimento armado que chegou a ter 1.500 homens, que marcharam pelo interior do Brasil denunciando a miséria da população e lutando contra as tropas do governo durante a República Velha. Atuaram principalmente no período de governo do presidente Artur Bernardes.

Missão de Olga Benário no Brasil

Olga Benário recebeu a missão de um dirigente da Internacional Comunista de vir ao Brasil e garantir a segurança de Luiz Carlos Prestes para que ele pudesse liderar a luta antifascista no país e organizar uma revolução de esquerda. A Internacional Comunista era um movimento interno do comunismo soviético que discutia as bases para a divulgação internacional do comunismo.

Na década de 1930, a prioridade da Internacional era o combate ao fascismo, conforme relata Boris Fausto:

O congresso [da Internacional] considerou que a crise mundial abalara o capitalismo em seus fundamentos, mas permitira, ao mesmo tempo, a consolidação do fascismo. Para defender a União Soviética diante da ameaça fascista, justificava-se a formação de frentes populares, em cada país capitalista |1|.

No Brasil, essa luta foi organizada a partir da Aliança Nacional Libertadora (ANL), que atuou como frente popular com a classe operária na organização do movimento revolucionário. No entanto, a historiadora Anita Leocádia Prestes, biógrafa e filha de Prestes, nega que Luiz Carlos Prestes tenha vindo ao Brasil com o objetivo de organizar um movimento revolucionário |2|.

A missão dada a Olga era, portanto, garantir a segurança de Prestes em seu retorno ao Brasil. Prestes viria ilegalmente ao país, pois era procurado por ter desertado do exército brasileiro |3|. Eles vieram ao Brasil disfarçados como um casal de recém-casados em viagem de lua de mel. Durante a viagem de três meses, Prestes e Olga apaixonaram-se e casaram-se de fato.

Uma vez no Brasil, Prestes, membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e presidente de honra da ALN, organizou um levante contra o governo de Getúlio Vargas. Esse levante, conhecido como Intentona Comunista, foi um golpe militar iniciado a partir de levantes militares em três cidades brasileiras (Natal, Recife e Rio de Janeiro), em novembro de 1935. O golpe, entretanto, fracassou.

A historiadora Anita Leocádia Prestes |4| afirmou que Olga Benário tinha como função apenas garantir a segurança de Prestes e, apesar de participar de todas as reuniões políticas que Prestes organizou, ela não teve participação na elaboração e tomada de decisão dos rumos políticos que Prestes escolheu para a ALN.

Prisão de Olga Benário

Com a derrota dos levantes de novembro de 1935, Luiz Carlos Prestes passou a ser caçado a mando do governo de Vargas. Olga e Prestes foram presos em março de 1936. Logo após a prisão, Olga anunciou que estava grávida. Os dois negaram-se a dar qualquer tipo de informação para a polícia brasileira, e o governo autorizou a deportação de Olga para a Alemanha.

A deportação de Olga para a Alemanha Nazista foi autorizada pelo Superior Tribunal Federal, mesmo Olga estando grávida de sete meses e sendo judia. Em 1936, já se conheciam os campos de trabalho forçado dos nazistas na Alemanha e o tratamento dedicado aos judeus. Foi deportada com Elise Ewert (conhecido como Sabo) em setembro de 1936, a bordo do navio La Coruña.

Chegou à Alemanha em outubro de 1936 e foi recebida pela Gestapo (polícia nazista), sendo encaminhada para a prisão feminina de Barnimstraße, em Berlim. Foi nessa prisão que nasceu a filha de Olga e Prestes, que se chamava Anita Leocádia Prestes. Após meses de pressão internacional, o governo nazista aceitou entregar a filha de Olga para a mãe de Luiz Carlos Prestes. Isso aconteceu quando Anita tinha 14 meses de vida. A campanha internacional também lutou pela libertação de Olga, mas o governo alemão negou-se a libertá-la porque ela era comunista e judia.

Olga posteriormente foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg e, depois, foi enviada para outro campo: Ravensbrück. Lá foi submetida ao trabalho escravo, privação de alimentos e torturas realizadas pela Gestapo. Em abril de 1942, foi transferida para o campo de concentração de Bernburg, onde foi morta, aos 34 anos, na câmara de gás. Luiz Carlos Prestes e a família somente ficaram sabendo da morte de Olga após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

|1| FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013, p. 307.
|2| O livro da filha de Prestes, por Luiza Villaméa.
|3| Homenagem a Olga Benário Prestes, minha mãe, por Anita Leocádia Prestes.
|4| Homenagem a Olga Benário Prestes, minha mãe, por Anita Leocádia Prestes.

*Créditos da imagem: Commons

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