Plano Cohen
A “ameaça comunista” usada como justificativa para a instalação do Estado Novo.

Segundo o que fora previsto pela constituição de 1934, o presidente Getúlio Vargas deveria ceder o posto presidencial ao fim do quarto ano de mandato. A partir daquele momento, a população seria imputada da responsabilidade de escolher diretamente o próximo representante político da nação. Entretanto, as coisas não se desenvolveram de forma tão pacata, como o que fora estipulado por nossas leis.

Em 1935, membros de partidos comunistas filiados à Aliança Nacional Libertadora tentaram tomar o poder através de uma rebelião que ficara conhecida como Intentona Comunista. Aparentemente, esse episódio seria uma grande ameaça ao governo do presidente Getúlio Vargas. Contudo, a agitação causada seria elemento principal que poderia capacitar sua continuidade no poder. Afinal de contas, a “ameaça revolucionária” dos comunistas se transformara em um problema ao país.

No ano de 1937, último do mandato de Vargas, os partidos e grupos políticos se movimentavam a favor da escolha de um novo presidente. Getúlio deixava tudo transcorrer tranquilamente, reafirmando sua posição de defensor da democracia nacional. Entretanto, nos fins daquele mesmo ano, o general Góes Monteiro fez o anúncio sobre a descoberta de um terrível plano revolucionário arquitetado pelos comunas brasileiros, o Plano Cohen.

Conforme a declaração oficial, o plano envolvia a realização de várias ações violentas que executariam o sequestro e assassinato de várias autoridades políticas importantes da época. A publicação do ameaçador documento foi suficiente para que Getúlio Vargas declarasse Estado de Guerra contra a “ameaça vermelha”. Já nesse momento, vários integrantes do movimento comunista e outros opositores do regime varguista foram severamente perseguidos.

Logo em seguida, respaldado pelo apoio de algumas lideranças, o presidente ordenou que o Exército cercasse o Congresso Nacional. Naquele mesmo dia, Getúlio Vargas anunciou a criação de uma nova carta constitucional que daria início ao chamado Estado Novo. Segundo o texto inédito, as atribuições do Poder Executivo seriam ampliadas e a ação dos partidos extinta. Dessa forma, uma situação de alarde foi capaz de fortalecer a permanência de Vargas na presidência.

O Plano Cohen foi destacado novamente quando, em 1945, autoridades militares confessaram que o documento era uma grande farsa arquitetada para prolongar a vida política de Vargas. Na verdade, ele foi escrito pelo militante integralista Olímpio Mourão Filho. A intenção inicial dele era promover um estudo pelo qual os integralistas pudessem supor como um golpe de esquerda pudesse controlar o país. Entretanto, o documento caiu nas mãos de influentes integrantes do Estado-Maior brasileiro.

Os integralistas, diretamente envolvidos na construção do Estado Novo, também foram indagados sobre a falsidade do Plano Cohen. Plínio Salgado, mais importante figura do movimento, também confessou sobre a falsidade do plano. Como justificativa, disse que sustentou a farsa para que os membros do Exército não fossem brutalmente desmoralizados no país. Ao fim, a invenção de uma ameaça inexistente acabou moldando uma das fases da República Brasileira.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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