Cartismo
William Lovett: um dos mais expressivos líderes do movimento cartista.

A Revolução Industrial foi responsável por um nível de desenvolvimento material nunca antes observado em nenhum outro tipo de sistema econômico. Entretanto, seus altos índices de desenvolvimento foram sustentados por uma exploração da força de trabalho que afetou diretamente a classe operária. Entre os séculos XVIII e XIX as condições de vida dos operários eram terríveis, sendo que muitos deles trabalhavam por longas jornadas e não tinham nenhum tipo de amparo ou garantia.

Essa situação de miséria e exploração foi inicialmente percebida na Inglaterra, país em que as primeiras indústrias adotaram essa forma de uso da mão-de-obra operária. Não por acaso, foi no mesmo “berço da revolução industrial” que as primeiras ações reivindicatórias do operariado ganharam força. Nas primeiras décadas do século XIX, temos vários relatos sobre protestos onde o operariado britânico buscava superar as dificuldades e problemas que assolavam seu cotidiano.

Nos anos de 1830, um movimento de trabalhadores começou a se organizar com o intuito de exigir melhores condições de vida, o aumento dos salários e a diminuição da carga horária. Para tanto, passaram a defender uma ampliação do direito ao voto para a escolha dos representantes parlamentares. Tal reivindicação teve maior expressão a partir de 1832, quando a “Reform Act” ampliou o direito ao voto para os homens adultos de classe média; e os pequenos e médios proprietários de terra.

O afastamento dos trabalhadores no processo eleitoral britânico motivou muitos deles a participar do movimento cartista. A primeira expressiva ação tomada pelo cartismo se deu graças à atuação de William Lovett e Feargus O’Connor que, em 1838, ofereceram ao Parlamento Britânico uma petição conhecida como “Carta do Povo”. No documento, defendiam a criação do voto secreto, igualdade de direitos eleitorais, abolição do voto censitário e remuneração dos parlamentares.

No ano de 1848, a luta do cartismo ganhou novo fôlego com a preparação de uma grande manifestação operária. Estimando a mobilização de aproximadamente 500 mil trabalhadores, os líderes cartistas esperavam finalmente pressionar o Parlamento no sentido de atender suas principais demandas. Contudo, a manifestação agendada para o dia 10 de abril daquele ano, acabou tendo um volume insatisfatório por causa de uma grande tempestade que tomou conta da capital britânica.

Apesar de seus planos frustrados, o cartismo teve grande importância para que as questões e problemas da classe trabalhadora ganhassem maior presença política. Logo depois de sua existência, diversas leis trabalhistas foram criadas no intuito de combater a exploração da força de trabalho e mediar as relações entre os operários e a burguesia industrial.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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