Cerco de Budapeste

O cerco de Budapeste aconteceu entre 1944 e 1945 e foi uma das etapas da grande ofensiva soviética que possibilitou a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Cerco de Budapeste
Foto de Budapeste em algum momento entre 1939 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial *

O cerco a Budapeste foi uma das etapas da ofensiva soviética contra o exército alemão na fase final da Segunda Guerra Mundial. Esse cerco à capital húngara resultou na conquista da cidade e no fim do controle nazista e do governo de extrema-direita da Cruz Flechada no país. A maneira como essa batalha ocorreu foi considerada pelos historiadores como um prelúdio do que aconteceria em Berlim meses depois.

Segunda Guerra Mundial em 1944 e 1945

O cerco a Budapeste aconteceu na etapa final da Segunda Guerra Mundial, que ficou caracterizada pelo intenso avanço dos exércitos soviéticos sobre os territórios ainda controlados pelos nazistas. Esse período do conflito foi o mais mortal para o exército e para os civis alemães, pois estima-se que, entre soldados e civis, cerca de 1,5 milhão de pessoas tenham morrido e, destas, 1,2 milhão eram soldados|1|.

A grande quantidade de soldados mortos foi reflexo das derrotas que estavam sendo acumuladas pelo exército nazista. Desde a derrota em Stalingrado em 1943, o exército alemão estava sendo sistematicamente derrotado pelos soviéticos. Com o enfraquecimento da máquina de guerra alemã e o fortalecimento soviético, as derrotas alemãs tomaram, então, formas catastróficas a partir do final de 1944.

Além disso, a grande quantidade de soldados alemães mortos foi consequência das ações do comando nazista, que instigava seus soldados a resistirem até a morte. Seus exércitos lidavam com a oposição dos Aliados em diversas frentes: na Europa Ocidental, enfrentavam a Batalha das Ardenas; nos Bálcãs, foram praticamente expulsos pelas tropas soviéticas e partisans e, na Polônia, enfrentavam uma ofensiva soviética que buscava avançar na direção de Berlim.

A quantidade de soldados que o Exército Vermelho (soviéticos) mobilizou, na virada de 1944 para 1945, era gigantesca. Um dado apresentado pelo historiador Antony Beevor aponta que as tropas soviéticas, que estavam distribuídas do norte ao sul da Europa, eram formadas por 6,7 milhões de soldados|2|. Desse total de soldados, cerca de 500 mil participaram do ataque a Budapeste.

Ataque contra Budapeste

Pouco antes de o cerco contra a Hungria ser iniciado, Adolf Hitler foi advertido da possibilidade de um ataque soviético. Heinz Guderian, chefe maior do Exército, informou Hitler sobre essa possibilidade baseado em informações da inteligência alemã. Entretanto, o líder nazista prontamente descartou esses dados que lhe foram repassados naquele momento.

Com a iminência do ataque sobre Budapeste, foi sugerido a Hitler que a defesa da cidade fosse abandonada, pois seria insustentável impedir o avanço soviético. Essa sugestão foi dada por Ferenc Szálasi, líder do Cruz Flechada, que temia a ocorrência de rebeliões populares. Além disso, o coronel-general alemão Hans Friessner sugeriu que a defesa fosse concentrada em apenas uma parte da cidade.

Ambas as sugestões foram rejeitadas por Hitler, o qual ordenou que a resistência em Budapeste fosse até o último homem e proibiu terminantemente qualquer tipo de retirada estratégica. A defesa da cidade ficou resumida a aproximadamente 100 mil homens, entre soldados alemães e soldados húngaros que pertenciam ao Cruz Flechada.

A vida na cidade de Budapeste permanecia bastante agitada pouco antes do ataque soviético, com teatros, cinemas e rádios da cidade funcionando normalmente. Havia muita expectativa em alguns habitantes de Budapeste sobre a chegada dos soviéticos, contudo, não era esperada a grande destrução que se seguiu com o cerco.

O ataque soviético foi consolidado no dia 26 de dezembro de 1944. Uma característica recorrente desses ataques da União Soviética no final da guerra foi promover intensos bombardeios sobre as cidades cercadas, o que não foi diferente em Budapeste. Os soviéticos usaram mil canhões que atacaram a capital húngara por dez horas todos os dias. A cidade ainda foi bombardeada por aviões.

A população civil de Budapeste viu-se presa em meio ao fogo cruzado travado entre os dois exércitos. Sem ter para onde fugir, os civis tiveram de abrigar-se em porões para proteger-se dos bombardeios pesados que caíam sobre a cidade. Com a destruição do ataque, logo a fome espalhou-se por Budapeste.

O cerco de Budapeste também deu início a um frenesi de pogroms de milícias do Cruz Flechada contra os judeus que moravam na cidade. Pogrom é um termo em russo usado para definir um ataque violento concentrado contra um grupo específico. O historiador Max Hastings afirma que, entre outubro de 1944 e a queda da cidade (fevereiro de 1945), cerca de 105.453 judeus foram mortos|3|.

Violência soviética

O ataque a Budapeste foi concluído com a vitória dos soviéticos em 11 de fevereiro de 1945, quando as tropas húngaras renderam-se e forçaram a rendição dos soldados alemães. Pouco antes disso, muitos soldados alemães haviam tentado fugir da cidade e quase todos foram mortos pelos soviéticos.

A conquista de Budapeste foi seguida por um acontecimento comum na guerra: uma violência desmedida dos conquistadores contra a população local. Os soviéticos iniciaram uma onda de assassinatos, roubos e estupros contra os civis. O historiador Antony Beevor calcula que cerca de 10% das mulheres da cidade húngara tenham sido estupradas por soldados do exército soviético.

Esse grande ataque do exército soviético deixou um rastro de destruição, com incêndios acontecendo em diferentes partes da cidade durante dias e a presença de corpos humanos e de animais apodrecendo espalhados. As estimativas dessa batalha apontam que mais de 150 mil pessoas morreram, entre soldados soviéticos, alemães, húngaros e civis|4|.

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 619.
|2| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 749.
|3| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 623.
|4| Idem, p. 627.

* Créditos da imagem: Milleflore Images e Shutterstock

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