Guerra civil na Síria

Na guerra civil na Síria, conflito que ocorre desde 2011, forças de oposição lutam para derrubar o governo de Bashar al-Assad.

Guerra civil na Síria
Ataque americano ao Estado Islâmico na cidade de Kobani, em outubro de 2014 *

A guerra civil síria estende-se desde 2011 e é considerada um desdobramento da violenta repressão do governo de Bashar al-Assad aos protestos realizados durante a Primavera Árabe. O conflito matou cerca de 470 mil pessoas, segundo o Observatório Sírio de Direitos e Humanos e levou cinco milhões de pessoas a fugir da Síria. A guerra que começou por razões políticas possui atualmente questões religiosas envolvidas e inúmeras frentes de guerra diferentes.

Primavera Árabe e o início da guerra civil

A Síria é um país do Oriente Médio governado pela família al-Assad desde a década de 1970. O atual governante do país, Bashar al-Assad, controla-o de maneira corrupta e ditatorial desde 2000. Bashar al-Assad era filho do antigo governante Hafez al-Assad e tornou-se presidente da Síria após eleições nas quais, supostamente, 99,7% dos eleitores aprovaram o seu governo.

Ao final de 2010, uma onda de protestos espalhou-se pelos países árabes a partir da Tunísia. Esses protestos, em geral, pediam mais democracia, mais empregos e melhor qualidade de vida e foram chamados de Primavera Árabe. A onda de protestos iniciada na Tunísia espalhou-se pela Líbia, Egito e chegou à Síria em janeiro de 2011.

Os protestos na Síria concentravam-se em grandes cidades, como a capital Damasco, Aleppo e Deraa. Os protestos reivindicando reformas na Síria foram reprimidos violentamente pelo governo de Bashar al-Assad, o que resultou na morte de centenas de pessoas e motivou novos protestos.

A repressão do governo sírio aos protestos levou civis, militares desertores e grupos de oposição a formar o Exército Livre da Síria (ELS). O ELS é uma entidade armada formada em julho de 2011 que se insurgiu para expulsar as tropas de Bashar al-Assad das grandes cidades sírias. Tanto a ONU quanto a Liga Árabe tentaram negociar entre as partes para impedir que o confronto se transformasse em guerra civil, mas não houve acordo. Assim, o governo al-Assad mandou tropas para retomar o controle sobre as cidades que haviam sido tomadas pelo ELS.

Os grupos de oposição exigiam a renúncia de Bashar al-Assad. Como o presidente não aceitou renunciar o cargo, as negociações fracassaram, e os dois lados partiram para o confronto armado aberto.

Guerra civil espalha-se por toda a Síria

Tanque do exército sírio próximo a uma zona de guerra em Damasco, em setembro de 2013 **
Tanque do exército sírio próximo a uma zona de guerra em Damasco, em setembro de 2013 **

A guerra civil síria cresceu à medida que novos grupos rebeldes aderiram ao conflito a partir de 2012. Primeiramente, o Exército Livre da Síria autoproclamou-se como grupo secular (sem vinculação religiosa) e é considerado como um representante da ala moderada da oposição. Outro grupo importante que aderiu ao conflito é conhecido como Frente Fateh al-Sham (antiga Frente Al-Nusra). Esse grupo é considerado um grupo extremista jihadista de orientação sunita e, até julho de 2016, era aliado da Al-Qaeda.

Além disso, a guerra contou com a entrada do Estado Islâmico a partir de 2014. O grupo já atuava no Iraque e aproveitou-se da guerra civil na Síria para tomar o controle de grande parte do país a partir de 2014. O Estado Islâmico luta autonomamente contra todas as forças presentes na Síria com o objetivo de alcançar a soberania total no país.

A atuação do Estado Islâmico na Síria levou povos curdos a se mobilizar para defender-se da violência que estavam sofrendo. Para isso, foi formada a Unidade de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo) na autoproclamada Rojava, república do Curdistão Sírio. O conflito conta com outros grupos menores de rebeldes com orientação extremista.

Influência estrangeira

O conflito na Síria tem essa longa duração, principalmente, pela interferência estrangeira, que garante o financiamento dos grupos armados e a manutenção da luta. Primeiramente, a participação dos Estados Unidos no conflito ocorre pelo apoio financeiro que o país oferece ao ELS. Além disso, desde o crescimento do Estado Islâmico, os Estados Unidos bombardeiam constantemente as posições dominadas por esse grupo.

A Rússia atua no conflito como principal aliada do governo de Bashar al-Assad. É a Rússia que impede na ONU que Bashar al-Assad sofra sanções e enviou tropas para a Síria a partir de 2015 para auxiliar o exército sírio, que estava perdendo posições para os rebeldes. Outro país que apoia o governo sírio é o Irã com envio de tropas, armas e dinheiro.

A Turquia apoia o ELS e luta abertamente contra a milícia curda formada no norte da Síria. Os curdos na Turquia são uma minoria perseguida, e o governo turco teme que o fortalecimento dos curdos sírios influencie os curdos turcos. Inúmeros outros países atuaram direta ou indiretamente no conflito, como Arábia Saudita e o Reino Unido.

Conclusão

O conflito na Síria é considerado um dos maiores desastres humanitários em um longo período de tempo recente. O ataque químico realizado na província de Idlib foi uma demonstração da crueldade do conflito, que matou quase 500 mil pessoas e resultou em mais de 11 milhões de refugiados. O conflito, pela proporção e características que tomou, segue em grande indefinição, e o futuro do povo sírio é uma grande incógnita.

*Créditos da imagem: Giannis Papanikos e Shutterstock
**Créditos da imagem: Art Production e Shutterstock

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