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Guerra do Golfo, 1991

Ocorrida após a invasão do Kwait pelo Iraque, a Guerra do Golfo foi transmitida ao vivo pela TV e teve também um grande desastre ambiental como consequência.

Guerra do Golfo, 1991
Imagem de balas e dinares iraquianos com a figura de Saddam Hussein

A Guerra do Golfo foi um conflito bélico ocorrido no Oriente Médio, no início de 1991, que opôs o Iraque, presidido por Saddam Hussein, e uma coalização de forças aliadas lideradas pelos EUA. Além do conflito em si, a Guerra do Golfo também ficou marcada pelas imagens que correram o mundo, principalmente a transmissão ao vivo pela TV dos bombardeios liderados pelos EUA, e pelo despejo de milhares de litros de petróleo no Golfo Pérsico, a mando de Saddam Hussein.

O motivo da guerra foi a invasão do Kuwait pelo Iraque em agosto de 1990. Os argumentos apresentados pelo Iraque foram os de que o Kuwait não existia, sendo uma criação da Inglaterra. O Iraque pretendia também suspender sua dívida com o país vizinho decorrente dos gastos com a Guerra Irã-Iraque. Além disso, o Iraque afirmava que o Kuwait estava vendendo o petróleo a preço muito baixo, causando prejuízos. Com a invasão, o Kuwait tornou-se uma província do Iraque, e a família real kuwaitiana refugiou-se na Arábia Saudita.

A ONU manifestou-se contrária à ocupação do Kuwait pelo Iraque e deu um prazo até o início de janeiro de 1991 para que houvesse a desocupação do país. O Conselho de Segurança da ONU ainda impôs sanções econômicas ao Iraque, autorizando o uso de todas as forças necessárias para a desocupação do país.

Soldados dos EUA em parada militar de comemoração da vitória na operação Tempestade no Deserto.*
Soldados dos EUA em parada militar de comemoração da vitória na operação Tempestade no Deserto.*

Os EUA foram aliados do Iraque na Guerra Irã-Iraque, mas foram os estadunidenses que lideraram as forças aliadas que pressionaram pela desocupação iraquiana do Kuwait. Passado o tempo dado pela ONU para a desocupação, as forças aliadas deram início à Operação Tempestade no Deserto, em 17 de janeiro de 1991. Foi o maior aparato militar colocado em operação desde a Segunda Guerra Mundial. Consistindo primordialmente em ataques aéreos e no lançamento de mísseis de cruzeiros, durante a Tempestade no Deserto foram realizadas mais de 116 mil viagens de ataque ao Iraque, a partir das quais foram lançadas mais de 85 mil toneladas de bombas.

Os ataques foram transmitidos por TVs do mundo todo, com a autorização das Forças Armadas dos EUA, que lideravam a coalizão. Foi possível acompanhar ao vivo o ataque a bases militares, campos de pouso, pontes, prédios do governo e usinas.

O Iraque não tinha capacidade técnico-militar para enfrentar os ataques. Sua resposta consistiu primordialmente no lançamento de mísseis Scud, de fabricação soviética, sobre os alvos localizados em Israel e sobre as forças estadunidenses estacionadas na Arábia Saudita.

No dia 24 de fevereiro de 1991, foi lançada ainda uma ofensiva aérea, terrestre e marítima que, em cem horas, acabou com todas as possibilidades de reação por parte do exército iraquiano. No dia seguinte, os iraquianos incendiaram centenas dos próprios poços de petróleo. As tropas aliadas conseguiram forçar a retirada das forças de Saddam Hussein do Kuwait em 26 de fevereiro. No dia seguinte, um cessar-fogo foi anunciado sem que a capital iraquiana Bagdá fosse invadida ou que Saddam Hussein fosse deposto.

O presidente dos EUA, George Bush, com oficiais militares durante a operação Tempestade no Deserto.*
O presidente dos EUA, George Bush, com oficiais militares durante a operação Tempestade no Deserto.*

Várias vítimas civis foram feitas com os ataques das forças lideradas pelos EUA, que denominaram essas mortes como efeitos colaterais. Inclusive um abrigo antiaéreo foi bombardeado, resultando na morte de, no mínimo, 315 pessoas, dentre elas 130 crianças. Centenas de refugiados dirigiram-se para a fronteira com a Jordânia para escapar dos ataques.

De baixas militares houve entre 60 mil e 200 mil soldados iraquianos. Do lado aliado, 148 soldados caíram em batalha e outros 145 morreram em outras situações, como ataques realizados por engano nas próprias tropas aliadas.

Outro fato marcante da Guerra do Golfo foi o desastre ambiental causado pela queima de centenas de poços de petróleo que resultou em uma intensa poluição do ar, que se espalhou por milhares de quilômetros. Foram necessários dez meses para que o fogo fosse apagado. Milhões de barris de petróleo foram despejados no Golfo Pérsico, resultando na contaminação das águas do Oceano Índico e na zona costeira do Kuwait, além da morte de milhares de espécies animais que habitavam a região.

* Crédito da Imagem: spirit of america e Shutterstock.com

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