Massacre de Katyn

O pouco conhecido massacre de Katyn foi organizado pela polícia secreta soviética e matou cerca de 22.000 prisioneiros poloneses em 1940.

Massacre de Katyn
Memorial em homenagem às vítimas polonesas do Massacre de Katyn *

O massacre da Katyn, realizado em 1940, é uma das páginas pouco conhecidas da Segunda Guerra Mundial. Foi um massacre realizado pela polícia secreta soviética contra membros do exército polonês durante a invasão da Polônia em 1939. O massacre resultou em 22 mil mortes aproximadamente e foi recentemente reconhecido pelo parlamento russo. O nome faz referência a Katyn, floresta onde foi enterrada parte dos mortos.

Pacto germano-soviético

Durante a década de 1930, Hitler construiu o conceito de “espaço vital” (lebensraum), território onde a população de origem germânica construiria um império alemão. Um dos locais que fariam parte desse espaço vital era a Polônia. Esse país surgiu após a Primeira Guerra Mundial, durante o Tratado de Versalhes, e separava uma faixa territorial alemã – a Prússia Oriental – do restante da nação. Assim, fazia parte dos interesses territoriais alemães a invasão e ocupação de parte da Polônia.

A União Soviética também possuía interesses territoriais em parte da Polônia desde o final da década de 1910. Assim, Alemanha e União Soviética assinaram um acordo em que ambas concordaram em invadir, ocupar e dividir a Polônia entre eles. Esse acordo era uma cláusula secreta do conhecido Pacto germano-soviético, que estipulava a paz entre as duas nações em caso de guerra na Europa.

A invasão da Polônia concretizou-se em setembro de 1939. Os alemães iniciaram a invasão em 1º de setembro de 1939, e os soviéticos, dias depois, em 17 de setembro de 1939. A Polônia foi rapidamente dominada pelos dois países.

Invasão Soviética

A invasão soviética aconteceu em 17 de setembro de 1939. 500 mil soldados invadiram o país com o pretexto de proteger minorias bielo-russas e ucranianas dos nazistas. Alguns poloneses chegaram a pensar que a União Soviética defenderia a Polônia da Alemanha. O território ocupado passou a ser parte da Ucrânia e Bielo-Rússia soviética.

Com a Polônia rendida, a União Soviética passou a implementar uma série de medidas, entre elas, a implantação do sistema de governo soviético e a deportação de prisioneiros. Assim, os governantes vigentes foram substituídos por poloneses comunistas – a maioria estava presa – e cerca de 100 mil prisioneiros poloneses foram levados para a União Soviética. Entre esses prisioneiros, estavam cerca de 15 mil oficiais do exército polonês.

Os prisioneiros poloneses foram agrupados nos campos de Starobilsk, na Ucrânia soviética, e nos campos de Kozelsk e Ostashkov, ambos na Rússia soviética. Parte dos prisioneiros foi libertada, mas os 15 mil oficiais foram mantidos no cárcere. Fazia parte do oficialato polonês boa parte da elite intelectual da Polônia, como médicos, professores universitários e advogados. Além disso, a NKVD (polícia secreta soviética) decretou a deportação de milhares de cidadãos poloneses para campos de trabalho forçado na Sibéria e Cazaquistão.

Massacre

O massacre dos oficiais e outros prisioneiros foi idealizado por Lavrenti Beria, chefe da NKVD. Beria convenceu Stalin de que os prisioneiros representavam um risco para a União Soviética e, portanto, deveriam ser mortos por isso. Com a autorização de Stalin, Beria iniciou um comitê (troika) que sentenciou boa parte dos prisioneiros ao fuzilamento.

O estabelecimento daqueles que foram mortos seguiu a seguinte estrutura, conforme afirma o historiador Timothy Snyder:

todos os prisioneiros nos três campos, mais 6 mil pessoas detidas em prisões no oeste da Bielorrússia e oeste da Ucrânia (3 mil em cada), mais os elementos especialmente perigosos entre os oficiais não comissionados que não se encontrassem presos. Após um exame ligeiro dos arquivos, 97% dos poloneses nos três campos, cerca de 14.500 pessoas, foram condenadas à morte. […] Os 6 mil das prisões foram igualmente condenados a morrer, junto a 1.305 pessoas detidas em abril |1|.

Os 500 oficiais dos 15.000 que não foram mortos foram exceções baseadas nas origens étnicas de alguns deles, em serviços anteriores prestados à União Soviética e na proteção estrangeira que alguns possuíam. As execuções foram realizadas a partir de abril de 1940.

Os prisioneiros foram deslocados em pequenos grupos de homens para os locais determinados onde as execuções aconteceriam. Em geral, os prisioneiros não tinham ideia de que estavam sendo deslocados para sua execução e eram mortos com tiro pela nuca. De Kozelsk, foram mortos 4.410 prisioneiros; de Ostashkov, foram mortos 6.314 prisioneiros, e de Starobilsk, foram mortos 3.739 prisioneiros.

O saldo total do massacre de Katyn foi de 21.892 prisioneiros mortos, sendo a maioria dos três campos de prisioneiros. O massacre permaneceu oculto até por volta de 1943. As valas foram descobertas por cidadãos poloneses e logo depois foram encontradas pelas tropas nazistas que haviam invadido a União Soviética. Em abril de 1943, os nazistas anunciaram internacionalmente o massacre para veicular uma imagem negativa da União Soviética.

O massacre foi negado pela União Soviética e também pela Rússia durante anos até que, em 2010, o parlamento russo assumiu a responsabilidade de Stalin e de outros líderes soviéticos no massacre de Katyn.

|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue. Rio de Janeiro: Record, 2012, p.177.

*Créditos da imagem: Pawel Szczepanski e Shutterstock

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