Período Pré-Homérico

O Período Pré-Homérico da história da Grécia Antiga, compreendido entre 2000 a.C. e 1200 a.C., destaca-se pela existência de civilizações como a cretense e a micênica.

Período Pré-Homérico
Afrescos encontrados nas paredes do palácio cretense de Cnossos*

O Período Pré-Homérico da história da Grécia Antiga foi estabelecido cronologicamente entre 2000 a.C. e 1200 a.C. pelos historiadores e marcou a formação da cultura e do povo grego. A constituição desse povo contou com a existência de duas grandes civilizações: a minoica, também conhecida como cretense, e a micênica, cujo povo também ficou conhecido como aqueu.

Durante esse período, o povo grego foi constituído pelas culturas de minoicos, micênicos e de outros povos que se instalaram na região, como dórios, eólios e jônios. O estabelecimento do Período Pré-Homérico é uma convenção definida pelos historiadores, que organizaram a história da Grécia Antiga da seguinte forma:

  • Período Pré-Homérico (2000 a.C.-1200 a.C.)
  • Período Homérico (1200 a.C.-800 a.C.)
  • Período Arcaico (800 a.C.-500 a.C.)
  • Período Clássico (500 a.C.-338 a.C.)
  • Período Helenístico (338 a.C.-146 a.C.)

Civilização cretense

Os cretenses formaram uma civilização que se desenvolveu na ilha de Creta a partir de 2000 a.C. Localizada no Mar Egeu, essa ilha passou a ser habitada por grupamentos humanos há 9000 anos, aproximadamente, mas os povos de características típicas dos minoicos somente estabeleceram-se por volta de 2000 a.C. Os historiadores acreditam que os minoicos tenham migrado originalmente da Anatólia.

O termo “minoico”, usado para nomear esse povo, foi cunhado pelo arqueólogo britânico Arthur Evans em referência a um rei lendário dos cretenses, Minos. Em regiões litorâneas, os minoicos construíram grandes palácios, que concentravam a vida administrativa, econômica e religiosa das cidades cretenses. O maior palácio cretense era o de Cnossos.

Desses palácios, os arqueólogos realizaram o resgate e a restauração de afrescos (pinturas feitas nas paredes), que ajudaram a conhecer mais detalhes e características desse povo, uma vez que sua forma de escrita – a Linear A – não foi decifrada ainda pelos linguistas. Outros objetos encontrados em ruínas, como pequenas estátuas, também ajudaram a ampliar o conhecimento sobre os cretenses.

Os cretenses tiravam seu sustento do comércio marítimo e, por isso, ficaram conhecidos como ótimos comerciantes e navegantes. Em razão disso, diz-se que eles formavam uma talassocracia, isto é, um sistema político no qual o poder dos governantes é exercido em um contexto de dominação marítima.

O enfraquecimento da civilização cretense ocorreu a partir de 1600 a.C. e 1500 a.C., aproximadamente. Os historiadores não sabem ao certo os fatores que determinaram a decadência desse povo, mas apontam alguns eventos que podem ter contribuído para isso, como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas que atingiram Creta naquela época. Além dos desastres naturais, o fortalecimento dos micênicos contribuiu para a conquista militar e absorvição cultural dos cretenses.

Micênicos


Ruínas da principal cidade dos aqueus, Micenas

Os micênicos foram um povo indo-europeu que se estabeleceu na Grécia Continental por volta de 2000 a.C. e que, a partir de 1600 a.C., iniciou um período de auge com a dominação hegemônica dessa região. No entendimento de historiadores, “indo-europeu” são os povos originários da região do Cáucaso e proximidades que iniciaram migração e que se estabeleceram em diferentes partes da Europa, como também no planalto iraniano e na Índia.

Os micênicos desenvolveram cidades muito bem fortificadas, diferentemente das cretenses, e isso aponta a existência de uma cultura militarista naquela civilização. As grandes cidades micênicas foram Micenas, Tirinto e Argos, nas quais o centro administrativo e o comercial também concentravam-se nos palácios.

Esses povos mantiveram um intenso contato comercial com outras populações locais, e ainda existem evidências do comércio realizado também com os mesopotâmicos e os egípcios, entre outros. Os micênicos desenvolveram uma forma de escrita conhecida como Linear B, que foi parcialmente decifrada e, partir dela, foi possível constatar que eles referiam-se a si mesmos como aqueus.

A decadência desse povo iniciou-se por volta de 1200 a.C. e levou ao desaparecimento dessa civilização. Novamente, os historiadores sugerem que desastres naturais podem ter contribuído para o enfraquecimento e empobrecimento dessa região. Além disso, a chegada dos dórios, povo indo-europeu de capacidade militar superior, foi definitiva para o fim daquele povo.

O desaparecimento dos micênicos e a chegada dos dórios podem estar diretamente relacionados com a diminuição populacional sofrida pela região da Grécia, que caracterizou parte do Período Homérico. Houve também uma forte ruralização dos territórios gregos com a formação do genos, unidade social e agrícola, o que levou ao surgimento da pólis durante o Período Arcaico.

*Créditos da imagem: Dziewul e Shutterstock

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