Peste Negra

A Peste Negra foi uma pandemia que se deflagrou na Europa, no século XIV, provocando uma das maiores baixas populacionais da história desse continente.

Peste Negra
“O Triunfo da morte”, obra de Pieter Bruegel, 1562

A Peste Negra foi uma pandemia que acometeu a Europa no século XIV provocada pelo bacilo Yersinia pestis e deflagrada a partir do ano de 1348. Esse acontecimento figurou entre aqueles que caracterizaram a crise da Baixa Idade Média, sendo os outros as Revoltas Camponesas no século XIV e a Crise do Feudalismo.

Vários historiadores sugerem que a origem da Peste Negra seja asiática, especificamente chinesa. Sua inserção na Europa teria ocorrido através de caravanas comerciais que se dirigiam para cidades portuárias do Mar Mediterrâneo, como Gênova e Veneza, nas quais havia intensa atividade comercial e grande concentração demográfica. Aproximadamente ¼ da população europeia sucumbiu com a Peste Negra, o que provocou um dos maiores decréscimos demográficos da história.

Inicialmente, os principais agentes transmissores da doença eram os ratos e as pulgas, que proliferavam com facilidade tanto nas cidades quanto nos vilarejos menores em razão das condições precárias de higiene. Posteriormente, na fase mais crítica da pandemia, a contaminação ocorria por via aérea. Através de espirros ou tosse, o bacilo acabava sendo transmitido pelo ar.

A peste era chamada de negra pelo fato de um de seus efeitos ter sido o aparecimento de manchas negras na pele das pessoas, fruto das infecções provocadas pelo bacilo. Essa peste também ficou conhecida como bubônica por provocar bubões ou bubos, isto é, inchaços infecciosos no sistema linfático, sobretudo nas regiões das axilas, virilha e pescoço. Esses bubões estouravam, liberando pus de odor fétido.

A situação agravou-se de tal forma que a quantidade de mortos excedia a quantidade de pessoas aptas a enterrá-los. A cultura medieval foi profundamente afetada pela atmosfera catastrófica provocada pela peste. Várias pinturas da época expunham imagens da chamada “dança macabra”, ou a “dança da morte”, em que pessoas de várias ordens sociais eram representadas juntas, dançando com esqueletos que simbolizavam o potencial destrutivo ubíquo da morte.

Na literatura também figuraram vários relatos da peste e do impacto que ela produziu. Um dos mais famosos é do autor italiano Giovanni Boccaccio e de seu famoso livro Decameron, no qual podemos ler o seguinte relato:

A Peste, em Florença, não teve o mesmo comportamento que no Oriente. Neste, quando o sangue saía pelo nariz, fosse de quem fosse, era sinal evidente de morte inevitável. Em Florença, apareciam no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs; outras, como um ovo; cresciam umas mais, outras menos, chamava-as o populacho de bubões. Dessas duas referidas partes do corpo logo o tal tumor mortal passava a repontar e a surgir por toda parte.” (BOCCACCIO, Giovanni. Decameron. São Paulo: Abril Cultural.


Estátua de Giovanni Boccaccio, 1313-1375.

Como a ciência biológica ainda não havia se desenvolvido na época da Peste Negra, as causas da moléstia eram atribuídas a origens sobrenaturais e, principalmente, a “bodes expiatórios”, como povos estrangeiros, em especial os judeus, gerando, assim, além da catástrofe natural, uma grande tensão social.

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