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Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial transcorreu entre os anos de 1914 e 1918 na Europa, Oriente Médio, norte da África e Ásia e foi considerada um conflito sem precedentes à época.

Primeira Guerra Mundial
Soldados ingleses entrincheirados durante a Primeira Guerra Mundial

Um dos principais historiadores da Primeira Guerra Mundial é o letão Modris Eksteins. No seu livro “A Sagração da Primavera: A Grande Guerra e o Nascimento da Era Moderna”, Eksteins diz:

Em agosto de 1914 a maioria dos alemães considerava em termos espirituais o conflito armado em que estava entrando. A guerra era sobretudo uma ideia, e não uma conspiração com o objetivo de aumentar o território alemão. Para aqueles que refletiam sobre a questão, tal aumento estava fadado a ser uma consequência da vitória, uma necessidade estratégica e um acessório da afirmação alemã, mas o território não constituía o motivo da guerra. Até setembro o governo e os militares não tinham objetivos bélicos concretos, apenas uma estratégia e uma visão, a da expansão alemã num sentido mais existencial que físico.[1]

Nesse trecho, Eksteins fornece um dado pouco explorado quando o assunto é a Primeira Guerra Mundial: a visão que os alemães tinham de si próprios, a visão sobre o “destino” a ser cumprido na Europa com o II Reich, comandado por Guilherme II. Esse dado é importante para se compreender a ambiência do nacionalismo alemão (ideologia que encabeçou o pangermanismo) e sua relação com a modernização tecnológica do II Reich, haja vista que a máquina de guerra do Império Alemão provocou um verdadeiro escândalo durante a “Grande Guerra”.

A “vontade de guerra” dos alemães transformou-se em ações após o incidente em Sarajevo, considerado tradicionalmente o estopim da guerra: o assassinato de Francisco Ferdinando, arquiduque e herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, aliado da Alemanha. O arquiduque foi morto no dia 28 de junho de 1914 por um terrorista sérvio (Gravilo Princip) ligado ao grupo ultranacionalista “Mão Negra”. Para compreendermos bem o motivo de a morte de Francisco Ferdinando estar no epicentro do desenrolar da Primeira Guerra, é necessário saber que ele era a principal figura que negociava os interesses germânicos na região dos Bálcãs. Com o seu assassinato (pelas mãos de um eslavo), as tensões entre os dois principais projetos nacionalistas para a região acabaram aumentando vertiginosamente. Havia um projeto de orientação pan-eslavista para os Bálcãs que visava à criação da “Grande Sérvia” e era encabeçado pelo Império Russo. As disputas nacionalistas da região dos Bálcãs eram travadas entre pangermanistas e pan-eslavistas Essa ambiência desencadeou o conflito que logo assumiu proporções monstruosas.

Essas tensões remontavam à formação das alianças político-militares, conhecidas como Tríplice Aliança e Tríplice Entente. Essa última foi formada em 1904, recebendo o nome formal de Entente Cordiale, e abarcava França, Inglaterra e Rússia. O Império Russo, após a derrota para os japoneses na Guerra Russo-Nipônica (1904-1905), estreitou suas relações com a França, buscando apoio militar e econômico para precaver-se de eventuais conflitos em outras regiões de interesse, sobretudo nos Bálcãs (apesar de já haver acordos desse gênero entre os dois países desde 1883, como o chamado Entendimento Franco-Russo). A Inglaterra aliou-se à França porque temia o desenvolvimento bélico do Império Alemão e lutava para impor limites às pretensões de Guilherme II.

Já à Tríplice Aliança associaram-se a Alemanha e o Império Austro-Húngaro, que, desde a época de Bismarck, estabeleceram um pacto referente às ações de dominação da região dos Bálcãs almejadas pela dinastia dos Habsburgo. A essas duas nações juntou-se a Itália, que queria lançar represálias à França em virtude da invasão da Tunísia, no noroeste da África, em 1881. Essa região era cobiçada pelos italianos, o que aumentava ainda mais a tensão entre as duas alianças. Quando a guerra estourou, em 1914, os exércitos que se mobilizaram estavam associados principalmente a essas seis nações.

A iniciativa da guerra partiu da Alemanha, que executou o Plano von Schilieffen, isto é, um plano de guerra elaborado pelo general alemão que deu nome a esse plano. A estratégia consistia em atacar pelo Leste e defender-se pelo Oeste. A princípio, a guerra assumiu o caráter de “movimento”, isto é, o deslocamento de tropas e os ataques rápidos e fulminantes (isso abrangeu os dois primeiros anos da guerra). A partir de 1916, a guerra assumiu o caráter de “posição”, ou seja, buscava-se preservar as regiões ocupadas por meio do estabelecimento de posições estratégicas. Para tanto, a forma de combate adequada era a das trincheiras.

A Primeira Guerra Mundial foi reconhecida como a guerra das trincheiras em virtude das extensas batalhas que foram travadas desse modo. O horror vivido nas trincheiras trouxe uma conotação apocalíptica para aqueles que o viveram, como vários escritores que participaram da guerra, tais como Ernst Jünger, J. R.R. Tolkien e Erique Maria Remarque. Os soldados entrincheirados sofriam, impotentes, bombardeios e lançamento de gases venenosos, como a iperita (gás mostarda). Além disso, a umidade e o frio acabavam trazendo várias doenças, como o pé-de-trincheira, que provocava o apodrecimento dos pés, entre outros danos.

As principais batalhas da Primeira Guerra ocorreram em Ypres (na Bélgica) e em Verdun, Somme e Merne (na França), sem contar aquelas do fronte Ocidental, como a de Dardanelos, no Estreito de Istambul para o Mar Negro.

A guerra teve o seu fim em 1918, com a derrota da Alemanha, a ruína do Império Russo e a ascensão dos Estados Unidos como potência econômica e militar. O Tratado de Versalhes impôs à Alemanha vultosas medidas de reparação pelos danos causados pela guerra.

NOTAS

[1] EKSTEINS, Modris. A Sagração da Primavera. Rio de Janeiro: Rocco. p. 123.

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