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Religião dos Vikings

Os povos que habitaram a Escandinávia durante a Era Viking possuíam uma série de crenças, que ficaram conhecidas como mitologia nórdica.

Religião dos Vikings
Mjöllnir, o martelo de Thor, foi utilizado pelos vikings como pingente a partir do século X

Vikings é o nome que se dá para o povo que habitava a Escandinávia durante a Era Viking (793 a 1066). A partir do início dessa era, houve um processo de expansão dos vikings pelo leste europeu e norte da França até a Bretanha, Islândia e América do Norte (Canadá) no ano 1000. Esses povos ficaram conhecidos pelos saques e pirataria que cometiam, mas também viviam do comércio, da agricultura e possuíam uma religião característica.

Religião Viking

A religião dos povos vikings era de base politeísta, ou seja, acreditavam na existência de mais de um deus. Não existe um termo específico para definir a religião ou crenças praticadas pelos vikings, portanto, os historiadores costumam referir-se à religiosidade viking como paganismo nórdico.

Os cultos aos deuses eram, principalmente, individuais e realizados de maneira privada. Apesar disso, também eram organizados eventos sazonais, quando um grupo de pessoas se aglomerava para prestar culto aos deuses. Esses festivais que aconteciam em determinadas épocas do ano, geralmente, voltavam-se em uma homenagem aos deuses para requerer boas colheitas, como o evento chamado de Jól ou Yule.

O Yule era um festival comemorado durante o solstício de inverno e apresentava uma série de sacrifícios para os deuses. Alguns historiadores atribuem o Yule a um festival em homenagem aos mortos; outros afirmam que o Yule era apenas um festival de adoração aos deuses para garantir a fertilidade e sobrevivência durante o rígido inverno que se aproximava. Posteriormente, o Yule foi apropriado pelos cristãos, que se utilizaram do festival para estabelecer o Natal, festa que celebra o nascimento de Cristo.

O historiador Johnni Langer afirma que os vikings não eram povos religiosos e que, fora os grandes festivais, a crença pessoal de cada indivíduo manifestava-se apenas de maneira utilitária, ou seja, quando se almejava algo dos deuses. A respeito disso, segue a fala de Johnni Langer:

Fora das grandes celebrações dos solstícios, o Viking não era particularmente religioso, tampouco manejava um conjunto de concepções de tipo abstrato ao divino. Este homem pragmático, realista, não praticava a oração, a meditação, nem a mística. Em certo sentido, o contrato era a noção essencial neste universo mental. Quando necessitava, ele invocava o seu deus particular sob a forma de petição (bidja) e não de reza: “se eu te ofereço isso ou aquilo tu me darás ou me concederás outra coisa em troca”. O paganismo nórdico era de natureza tolerante, sem fanatismos nem adoração extremada|1|.

Além disso, a religião viking não possuía uma classe de sacerdotes que dedicava sua vida à religião. Essa função de organização dos festivais e da manutenção de templos era, geralmente, atribuída aos reis e aos nobres (jarls). Os templos dos vikings poderiam ser ambientes da natureza, como bosques e lagos, ou construídos especificamente para as celebrações. Vale ressaltar que a utilização da magia era uma característica da religiosidade viking.

Mitologia Nórdica

Como já dito, os nórdicos acreditavam em vários deuses, como Odin, Thor, Týr, entre outros. O conhecimento atual a respeito dos deuses e dos mitos que envolviam a religiosidade nórdica está, principalmente, registrado na Edda em Prosa, escrito pelo poeta islandês Snorri Sturluson e na Edda Poética, de autor desconhecido.

A Edda em Prosa, em seu capítulo chamado “Gylfaginning” (A ilusão de Gylfi), narra a história do mundo desde a sua criação até a sua destruição no Ragnarök (consumação do destino dos poderes supremos). Segue abaixo um trecho do Gylfaginning a respeito de Odin, o principal deus da mitologia nórdica:

Gangleri começou então seu interrogatório: “Quem é o mais importante, ou mais antigo, de todos os deuses?”

Hárr respondeu: “Ele é chamado de Pai de Todos em nossa língua, mas antiga Asgard [morada dos deuses] ele tinha doze nomes: o primeiro é Odin […].

Em seguida, perguntou Gangleri: “Onde está esse deus, ou qual o seu poder, ou que ele já fez, que é um ato glorioso?”

Hárr deu a resposta: “Ele vive em todas as épocas e governa todo o seu reino, e dirige todas as coisas, grandes e pequenas”.

Então disse Jafnhárr: “Ele criou os Céus e a terra e o ar, e todas as coisas que há neles” […] |2|.

Outros deuses importantes da mitologia nórdica são Thor, Loki, Týr, Heimdall etc. Entre todos os deuses nórdicos, o mais venerado era Thor, o deus trovão considerado o matador de gigantes. Era venerado pelos camponeses, que viam nele um protetor. A partir do século X, os vikings passaram a usar um pingente com o martelo de Thor (Mjöllnir). A religiosidade dos vikings passou gradativamente a perder força e tornar-se reclusa a partir do século X com a crescente cristianização dos povos vikings.

|1| LANGER, Johnni. Paganismo nórdico. In.: LANGER, Johnni (org.) Dicionário de mitologia nórdica: símbolos, mitos e ritos. São Paulo: Hidra, 2015, p. 358

|2| AVELAR, Artur (trad.). Edda em Prosa: Gylfaginning e Skálsdskaparmál. Belo Horizonte: Editora Barbudânia. 2015, p.24-25.

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