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Segunda Guerra Mundial na Ásia e no Pacífico

A Segunda Guerra Mundial na Ásia e no Pacífico iniciou-se após o ataque japonês a Pearl Harbor e resultou na derrota do Japão em 1945.

Segunda Guerra Mundial na Ásia e no Pacífico
Avião americano preparando-se para o ataque ao navio japonês Mikuma durante a Batalha de Midway, em 6 de junho de 1942

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito iniciado em 1939 e finalizado em 1945 e possuiu cenários de guerra espalhados por várias partes do mundo. Um desses cenários foi o sudoeste asiático e o Oceano Pacífico, onde houve a mobilização de exércitos japoneses contra americanos.

O Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, era membro do Eixo, grupo que havia sido formado por Alemanha, Itália e Japão após a assinatura do Pacto Tripartite em 1940. Já os Estados Unidos lutaram ao lado dos Aliados a partir de 1941. Os Aliados, além dos Estados Unidos, contavam com Reino Unido, União Soviética e a França.

Japão no pré-guerra

Durante a década de 1930, o Japão era um país extremamente nacionalista, apresentava posturas agressivas de imperialismo e era dominado politicamente pela extrema-direita. Essa configuração do Japão foi construída a partir da Restauração Meiji, que resultou, além da modernização econômica do país, no surgimento de um culto ao Imperador e na valorização do nacionalismo.

As primeiras posturas imperialistas do Japão foram manifestadas contra a China. O Japão via com maus olhos a crescente presença estrangeira em território chinês e passou a defender a extensão da sua influência sobre esse território. Isso resultou em um atrito político com a Rússia e, no começo do século XX, a Guerra russo-japonesa foi travada entre as duas nações pelo controle da Península da Coreia e da Manchúria. A vitória japonesa resultou em uma onda de entusiasmo nacionalista.

Nesse contexto, cresceu a rivalidade entre Japão e Estados Unidos. No final da década de 1910, o Japão estipulou 21 exigências sobre o território chinês, mas elas foram vetadas por influência americana. Além disso, durante esse período, os Estados Unidos negaram vistos para cidadãos japoneses que iam aos Estados Unidos.

A radicalização política do Japão fortaleceu-se na década de 1920 com o aval do Imperador Hiroíto, que passou a defender um conflito armado e direto contra os Estados Unidos. Poucos membros do Exército e Marinha japoneses eram contrários a essa ideia. A postura agressiva defendida pela sociedade japonesa durante a década de 1930 ficou conhecida como Ofensiva Sul e defendia que o Japão não poderia permitir a influência das potências ocidentais sobre territórios colonizados na Ásia|1|.

Os primeiros atos de agressão japonesa durante a década de 1930 foram a invasão da Manchúria em 1933 e a sua anexação ao território japonês. Essa postura deu início à chamada Segunda Guerra Sino-japonesa em 1937, que se estendeu até 1945.

Ataque a Pearl Habor e Guerra contra os EUA

Aviões americanos na base aérea da ilha de Guadalcanal. Foto de janeiro de 1943
Aviões americanos na base aérea da ilha de Guadalcanal. Foto de janeiro de 1943

No final de 1941, era evidente para a inteligência americana que o Japão planejava atacar os EUA. O ataque foi elaborado pelo general Isoroku Yamamoto e atingiu a base naval americana de Pearl Harbor, localizada no Havaí. Esse fato aconteceu em 7 de dezembro de 1941 e resultou na destruição parcial da frota americana. Por causa desse ato, os Estados Unidos declararam guerra ao Japão.

A primeira fase desse conflito foi caracterizada pelas vitórias japonesas. Em poucos meses, o Japão derrotou ingleses, franceses e americanos em várias partes da Ásia: Filipinas, Cingapura, Malásia, Birmânia etc. A presença japonesa na China e as conquistas realizadas no sudoeste asiático resultaram em vários relatos de violência e atrocidades contra a população local e contra os exércitos adversários. O historiador Max Hastings retrata algumas das ações japonesas:

Os japoneses passaram a tratar os prisioneiros do modo como eles pretendiam seguir na guerra. Depois da queda de Hong Kong, no Natal de 1941, os invasores iniciaram uma orgia de estupros e massacres que se estendeu a freiras e enfermeiras e a pacientes de hospital mortos a baioneta em seus leitos. Cenas similares ocorreram em Java e em Sumatra, as maiores ilhas das Índias Orientais Holandesas […]. O exército japonês manteve em suas novas conquistas a tradição de selvageria estabelecida na China […] |2|.

Apesar das vitórias iniciais, o decorrer do conflito mostrou a recuperação do Exército e da Marinha americana gradativamente. Isso se explica pelo fato de a economia americana ser muito maior que a japonesa, portanto, poderia sustentar uma guerra a longo prazo, diferentemente dos japoneses. Além disso, a produção de armamentos e embarcações para guerra nos Estados Unidos era muito maior.

O conflito no Pacífico estendeu-se até setembro de 1945, quando o Japão rendeu-se. A partir do segundo semestre de 1942, os Estados Unidos passaram a ganhar todas as grandes batalhas. As grandes batalhas a partir de 1942 foram:

  1. Batalha de Midway (junho de 1942): tentativa japonesa de invadir as Ilhas Midway. Foram derrotados pela Marinha americana, e a capacidade de guerra do Japão foi prejudicada de maneira permanente após essa batalha.

  2. Batalha de Guadalcanal (agosto de 1942 a fevereiro de 1943): invasão americana da Ilha de Guadalcanal. O objetivo – alcançado com sucesso – era tomar a ilha para impedir que o Japão a utilizasse como base aérea.

  3. Batalha de Tarawa (novembro de 1943): conquista americana da ilha de Tarawa, o que permitiu aos Estados Unidos utilizar a ilha como base e destruir a aeronáutica japonesa durante 1944.

Ocorreram vitórias americanas significativas também nas Filipinas, Iwo Jiwa e Okinawa. Entretanto, a resignação japonesa em lutar até a morte deixou bem claro para os comandantes americanos que a invasão do Japão resultaria em milhares de mortes de soldados americanos. A partir dessa conclusão, optaram por utilizar uma arma poderosa que haviam desenvolvido – bombas nucleares.

Foram escolhidas duas cidades importantes no Japão – Hiroshima e Nagasaki – para serem alvos das bombas. O ataque ocorreu em 6 de agosto, em Hiroshima, e em 9 de agosto de 1945, em Nagasaki. A destruição completa das duas cidades forçou o governo japonês a assinar a rendição incondicional em setembro de 1945. A transição do Japão após a rendição foi toda realizada pelos Estados Unidos conforme os termos impostos ao Japão.

|1| BEHR, Edward. Hiroíto – por trás da lenda. São Paulo: Globo, 1991, p.77.
|2| HASTINGS, Max. O mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2012, p. 231-232.

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