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Segunda Guerra Mundial na Iugoslávia

A Segunda Guerra Mundial na Iugoslávia foi motivada pela invasão nazista e assemelhou-se a uma guerra civil. Ao final da guerra, os Partisans prevaleceram.

Segunda Guerra Mundial na Iugoslávia
Soldados do Ustasha lutando contra tropas partisans nas montanhas da Bósnia em 1944

Em cada cenário, a Segunda Guerra Mundial possuiu suas particularidades. No caso da Iugoslávia, foi criado um Estado fantoche aliado aos nazistas e a luta tomou proporções de guerra civil. Isso porque grupos de resistência surgiram e, enquanto estavam em conflito com os nazistas, lutavam entre si. A Segunda Guerra na Iugoslávia acabou dando vazão a profundas rivalidades étnicas, que resultaram em massacres contra civis. Os nazistas foram expulsos da região em 1945.

Invasão dos nazistas ao Reino da Iugoslávia

A Iugoslávia havia conquistado a independência em 1918 e, desde 1929, era governada por uma monarquia ditatorial controlada pelos sérvios. Para manter o controle da administração do reino, eles utilizavam a repressão para sufocar os nacionalismos de outros povos que habitavam a região, sobretudo os croatas.

Em abril de 1941, houve a invasão nazista ao Reino da Iugoslávia, que tinha como objetivo garantir o controle sobre os recursos naturais disponíveis nos Bálcãs. Além disso, os invasores buscavam trânsito para as tropas alemãs deslocarem-se para a Grécia, onde ajudariam os italianos que estavam sendo derrotados pelos gregos.

Essa invasão reconfigurou totalmente a região. A Alemanha instalou um Estado fantoche independente que era aliado dos alemães: o Estado Independente da Croácia. O poder da Croácia foi entregue a Ante Pavelić, líder do partido de extrema-direita e ultranacionalista Ustaše. O Estado Independente da Croácia contava com parte dos territórios da atual Croácia e da Bósnia-Herzegovina. O restante dos territórios iugoslavos foi distribuído entre os aliados alemães (Itália, Bulgária e Hungria), além de a própria Alemanha ter garantido sua fatia territorial.

A presença nazista e o poder nas mãos do Ustaše provocaram o surgimento dos seguintes movimentos de resistência na Iugoslávia:

  • Chetniks: eram monarquistas sérvios que lutavam pela restituição da monarquia sob o controle dos sérvios e pelo retorno do príncipe Paulo. O líder desse movimento era Draža Mihailović.

  • Partisans: eram formados por iugoslavos em geral e defendiam a implantação do comunismo na região. O líder desse movimento era Josip Broz Tito.

Propagação da guerra civil

Em 1941, espalhou-se pela Iugoslávia uma guerra civil entre as milícias do Ustaše, dos Chetniks e dos Partisans. Esses dois últimos ainda lutavam contra os nazistas. A guerra civil da região era resultado de rivalidades étnicas e religiosas. O Ustaše implantou um processo de limpeza étnica contra a população sérvia, que estava em territórios controlados pelos croatas. Como resposta, os Chetniks promoveram o massacre da população croata e bósnia (os bósnios apoiaram a Croácia), e os Partisans massacraram todos aqueles que se opunham ao comunismo. Muitas vezes, Chetniks e Partisans concentravam-se mais na guerra civil que na resistência contra o nazismo.

Durante os quatro anos em que esteve no poder, o Ustaše perseguiu sistematicamente as populações de origem sérvia, além de ciganos e judeus. Para isso, foi criado o campo de concentração de Jasenovac, que tinha como objetivo matar o máximo de pessoas possível. As estimativas apontam que, aproximadamente, um em cada seis sérvios morreu vítima da política genocida do Ustaše, o que representa um total de 334 mil sérvios mortos. Desse número, cerca de 50 mil morreram no campo de concentração de Jasenovac|1|.

Já a política contra judeus e ciganos promoveu o extermínio quase total dessas populações: em seis meses, a população judia na Croácia diminuiu de 45 mil para 12 mil, dos quais, cerca de 20 mil morreram no campo de concentração de Jasenovac e, dos mais de 40 mil ciganos que viviam na Croácia em 1941, menos de mil estavam vivos em 1945. Estima-se que 20 mil pessoas dessa etnia morreram em Jasenovac.

Ao final da guerra, os Partisans prevaleceram. O apoio britânico e soviético foi fundamental para garantir a vitória comunista na Iugoslávia. O Ustaše perdeu força à medida que o Eixo foi sendo derrotado na guerra. Durante a Segunda Guerra, o Ustaše recebeu o apoio do Eixo, uma aliança formada por Alemanha, Itália e Japão a partir do Pacto Tripartite de 1940. Com o enfraquecimento do Eixo, o Ustaše não conseguiu manter a luta contra seus inimigos.

Com a vitória Partisan, foi fundada por Tito a República Socialista Federativa da Iugoslávia, que foi governada de maneira ditatorial por esse líder comunista até 1980. As rivalidades étnicas e religiosas foram mantidas sob controle durante os anos do governo de Tito.

|1| OGNYANOVA. Irina. Nationalism and National Party in Independent State of Croatia (1941-1945), p. 17. Disponível aqui.

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