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Solução Final: o plano de extermínio dos judeus

A Solução Final foi um plano elaborado por Heydrich e Himmler e visava o extermínio dos judeus da Europa a partir do Einsatzgruppen e das câmaras de gás.

Solução Final: o plano de extermínio dos judeus
No portal de entrada do campo de extermínio de Auschwitz está escrito: Arbeit Macht Frei (“o trabalho liberta”)

Solução Final foi o nome dado pelos nazistas para a sua política de genocídio cometida principalmente contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Conhecido como Holocausto, esse plano de extermínio teve fases diferentes ao longo da guerra, e, após sua implantação em meados de 1941, foi desenvolvida toda a estrutura que levou à morte de milhões de pessoas. Durante a Solução Final, também foram mortos Testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais e negros.

Antissemitismo no Nazismo

Antissemitismo é o termo usado para referir-se ao preconceito contra pessoas de origem semita, como os judeus. O crescimento do antissemitismo na Alemanha aconteceu durante o século XIX e tomou grandes proporções a partir da República de Weimar (1919-1933). Essa foi a primeira experiência republicana da Alemanha em que foi colocado em prática um modelo de democracia representativa.

Como esse período foi caracterizado pela forte crise econômica em decorrência da derrota na Primeira Guerra Mundial e dos pesados termos impostos pelo Tratado de Versalhes, um partido surgiu como alternativa para a população: o Partido Nazista. Adolf Hitler, a partir do seu antissemitismo, transformou o judeu em um bode expiatório e passou a culpá-lo pelos problemas da Alemanha. Além disso, Hitler responsabilizava os judeus pelo bolchevismo – o principal adversário ideológico do nazismo.

Assim que o Partido Nazista ascendeu ao poder em 1933, uma série de medidas foi tomada com o objetivo de progressivamente retirar os direitos de cidadãos dos alemães judeus e forçá-los a migrarem da Alemanha. Conforme o que se desenrolou, porém, foi provado que o objetivo de Hitler, além da guerra, era o extermínio total dos judeus da Europa.

Solução Final imposta na guerra

Com o início da guerra, Hitler voltou seus planos para a conquista da União Soviética, deixando a “questão judaica” para ser colocada em prática após finalizado o conflito armado na Europa. No entanto, à medida que a guerra avançava, a Alemanha transformou a questão dos judeus como prioridade total do nazismo.

A Solução Final foi arquitetada por duas das pessoas mais próximas de Adolf Hitler: Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler. O plano elaborado por eles possuía como objetivo a erradicação total dos judeus da Europa, assim como Hitler havia proposto. A ideia deles sugeria a exploração, até a morte, do trabalho braçal dos judeus capacitados e a execução imediata de todos os incapazes, como velhos e doentes.

Heydrich e Himmler apropriaram-se de antigos planos e projetos debatidos pela cúpula nazista e sugeriram-nos a Adolf Hitler. Primeiramente, a Solução Final consistia em utilizar do trabalho dos judeus, alimentados de forma mínima, em um regime de escravidão. Essa proposta baseava-se no plano nazista que pretendia deixar 30 milhões de eslavos com pouca alimentação para que os alimentos fossem prioritariamente direcionados aos cidadãos alemães.

Em seguida, seria implantado gradativamente o projeto de extermínio dos judeus durante a guerra. Dessa forma, Heydrich e Himmler anteciparam o projeto de Hitler que pretendia dizimar os judeus depois da guerra. Por fim, o trabalho dos judeus seria utilizado para transformar o Leste Europeu em uma grande colônia de exploração alemã, assim como sugeria a ideia nazista de “espaço vital”. A ordem de Hitler para iniciar a execução da Solução Final foi transmitida por Hermann Göring em julho de 1941.

Primeira etapa: os Einsatzgruppen

A primeira etapa da Solução Final foi a utilização de esquadrões da morte para promover a limpeza étnica em regiões do Leste Europeu. Esses esquadrões eram chamados pelos nazistas de Einsatzgruppen (em português, “força-tarefa”). O trabalho do Einsatzgruppen era feito a partir de fuzilamentos em valas comuns.

À princípio, na atuação do Einsatzgruppen, apenas judeus homens seriam fuzilados. No entanto, com a expansão do projeto de genocídio, Himmler anunciou que tanto mulheres quanto crianças judias seriam alvo desse grupo de extermínio e, portanto, seriam fuziladas. Segundo o historiador Timothy Snyder, somente o Einsatzgruppen (auxiliado por forças da Wehrmacht e da SS) foi responsável por 1 milhão de mortes até o final da guerra em 1945|1|.

O Einsatzgruppen foi dividido em três grandes grupos que atuaram em diferentes partes do Leste Europeu:

  • Einsatzgruppen A: atuavam nos países bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia);

  • Einsatzgruppen B: atuavam na Bielorrússia;

  • Einsatzgruppen C: atuavam na Ucrânia.

A ação dos Einsatzgruppen contribuiu para exterminar totalmente as populações judaicas de determinadas partes da Europa, como no caso da Lituânia, onde, em dezembro de 1941, o grupamento A executou 114.856 judeus|2|. Na Letônia, o Einsatzgruppen registrou, até o final de 1941, a morte de cerca de 70 mil dos 80 mil judeus que habitavam a região|3|.

Outro evento de destaque foi o massacre de Babi Yar, realizado após um ataque da polícia secreta soviética (NKVD) contra um prédio ocupado pelos nazistas em Kiev. Como represália, o Einsatzgruppen C realizou, nos dias 29 e 30 de setembro de 1941, um grande fuzilamento que vitimou 33 mil pessoas em cerca de 36 horas, o que caracterizou o massacre dos judeus de Kiev como um dos piores de toda a guerra.

No entanto, a utilização do Einsatzgruppen encontrou como grande obstáculo a barreira psicológica que afetava muitos soldados após fuzilar inúmeras pessoas. Esses problemas psicológicos acentuaram-se quando mulheres e crianças também passaram a ser fuziladas. Em razão disso, os nazistas implantaram um sistema de execução mais “impessoal”: as câmaras de gás.

Segunda etapa: os campos de extermínio e as câmaras de gás

A criação das câmaras de gás, além de resolver a questão psicológica que envolvia os fuzilamentos do Einsatzgruppen, possibilitou aos nazistas ampliarem a quantidade de mortos. À princípio, as câmaras de gás foram testadas em prisioneiros soviéticos em vagões de trem adaptados. Esses prisioneiros foram mortos envenenados por monóxido de carbono.

Posteriormente, com os desmanches dos guetos e a implantação em larga escala dos campos de concentração, os nazistas implantaram as câmaras de gás em locais adaptados para o banho. Essa medida transformou o campo de concentração em um campo de extermínio.

Os judeus eram levados de diferentes partes da Europa para esses campos de concentração e extermínio instalados, principalmente, na Polônia. Essas pessoas eram colocadas aos montes em vagões de trem em péssimas condições. Durante a viagem, os judeus não recebiam água nem alimento e muitos morriam de frio ou outras causas relacionadas às péssimas condições.

Em seguida, os nazistas passaram a utilizar o pesticida Zyklon B nas câmaras de gás. Os principais campos de concentração e extermínio da Europa foram os de Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Belzec e Sobibor, todos localizados na Polônia ocupada pelos nazistas.

Estima-se que cerca de 3 milhões de judeus tenham morrido em decorrência das ações diretamente relacionadas aos fuzilamentos ou às câmaras de gás e que outros 3 milhões tenham morrido por causa das péssimas condições de vida a que eram sujeitos. Os historiadores apontam que, dos 9 milhões de judeus que viviam na Europa antes da guerra, 6 milhões foram mortos.

|1| SNYDER, Timothy. Terras de sangue: a Europa entre Hitler e Stálin. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 237.
|2| Idem, p. 241.

|3| Idem, p. 242.

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