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Supremacia burguesa com a Revolução Gloriosa

A Revolução Gloriosa pôs fim ao processo revolucionário inglês, consolidando a monarquia constitucional como forma de governo.

Supremacia burguesa com a Revolução Gloriosa
Tela retratando os reis ingleses Carlos II e Jaime II, últimos representantes dos Stuart no trono

A Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra em 1688, foi o último episódio de consolidação da Revolução burguesa no país. Ao contrário da Revolução Puritana, ela não se deu como uma guerra civil, sendo realizada como uma substituição política para atender ao desenvolvimento do processo histórico de fortalecimento burguês.

Após a morte de Oliver Cromwell, houve a Restauração Monárquica dos Stuart. Carlos II, filho do decapitado Carlos I, subiu ao trono e governou entre 1660-1685.  Seu reinado, que se tornou possível pela ação da alta burguesia inglesa e da aristocracia, foi caracterizado pela rápida expansão do comércio e da indústria, além do estímulo à ciência e à realização de uma reforma educacional.

Carlos II fora ainda educado na corte francesa de Luís XIV, sendo adepto do catolicismo e do absolutismo, o que lhe traria alguns problemas, pois tais posições o iriam colocar em choque contra as classes dominantes inglesas. A principal manifestação dessa indisposição foi a divisão do Parlamento entre dois partidos: o partido Whig, formado por burgueses liberais defensores da supremacia do Parlamento em relação ao rei e contrários aos Stuart, e o partido Tory, formado pela aristocracia conservadora e absolutista, partidária dos Stuart e do anglicanismo.

Carlos II morreu em 1685, sem deixar herdeiros. Em seu lugar subiu ao trono seu irmão, Jaime II, que pretendia manter a restauração do absolutismo na Inglaterra. Essa pretensão iria fortalecer a oposição dos Whigs. Porém, o acontecimento que iria precipitar a Revolução Gloriosa estava ligado aos laços matrimoniais de Jaime II.

Inicialmente casado com uma protestante, Jaime II casou-se uma segunda vez com uma católica, após a morte da primeira esposa. Mesmo idoso, Jaime II conseguiu ter um herdeiro masculino, um filho católico. A ameaça de subida ao trono de um rei católico uniu Whigs e Tories contra Jaime II. Pesaram ainda contra o monarca a tentativa de isentar os católicos do pagamento de alguns impostos, estipulados em função da religião, e a nomeação de vários funcionários católicos para cargos importantes no governo.

A aliança dos dois partidos do Parlamento resultou no oferecimento do trono a Guilherme de Orange, chefe de Estado da Holanda, protestante e casado com Maria Stuart II, filha de Jaime II. Em 1688, Guilherme de Orange invadiu a Inglaterra e expulsou seu sogro, Jaime II, do trono inglês.

No poder, Guilherme III (título conseguido a partir da subida ao trono) jurou o Bill of Rights (Declaração dos Direitos), que instituía o julgamento dos indivíduos por um júri, perdendo ainda o rei a prerrogativa de suspender a execução de leis e de estipular impostos sem autorização do Parlamento. O Bill of Rights estipulava a criação de um exército permanente, a garantia de liberdade de imprensa e de liberdade individual, a proteção à propriedade privada e a autonomia de atuação do poder judiciário. Essa medida garantia a transformação em leis dos interesses sociais da burguesia inglesa, além de colocar a autoridade do rei subordinada ao poder parlamentar.

Houve ainda a criação do Toleration Act (Ato de Tolerância), que garantia liberdade religiosa aos cristãos, excetuando os católicos.

A Revolução Gloriosa configurou-se, dessa forma, como uma revolução política, que surgiu para consolidar o poder econômico e a supremacia burguesa. A monarquia constitucional de caráter liberal era, assim, o resultado político da revolução social desencadeada em 1641, com a guerra civil inglesa.

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