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Álvares de Azevedo - O poeta ultrarromântico

Álvares de Azevedo - O poeta ultrarromântico
Álvares de Azevedo - Amor = Sonho e Fantasia

Ao nos depararmos com a expressão “ultrarromântico”, logo nos remete à ideia de algo excessivo, realizado em demasia.

Mas é exatamente esta característica que permeou toda a criação artística dos poetas pertencentes à segunda geração do Romantismo.

O período Romântico compôs-se de três fases, que foram elas:

Primeira geração - Tinha como característica o “nacionalismo”, um sentimento ufanista muito voltado para as raízes culturais.

Segunda Geração - A temática predominante foi o Amor x a Morte alicerçada em um sentimentalismo exacerbado, repleto de um profundo pessimismo.

Terceira geração - Voltada mais para as questões sociais, a qual tinha como ideologia o desejo de “mudanças”, como, por exemplo, a abolição da escravatura referente ao período histórico vigente.


Em se tratando de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, o mesmo nasceu em São Paulo, em 1831. Aos dez anos falava, lia e escrevia perfeitamente o francês e o inglês. Ingressou aos 16 anos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Morreu aos 21 anos, sem ao menos ter publicado nenhuma de suas obras, entre as quais se destacam: Lira dos vinte anos, Poesias Diversas, O poema do frade, Macário (teatro), Noite na taverna (conjunto de narrativas fantásticas), além de discursos e cartas.

De acordo com as características ditas anteriormente, a segunda geração romântica foi também conhecida pelo Mal do Século, mas o que teria acontecido para tal nomenclatura?

A questão do culto ao pessimismo, ao sentimentalismo exacerbado, ao desejo de morrer como refúgio, em decorrência do amor não correspondido, levavam os escritores a optar por lugares sombrios, úmidos e tenebrosos.

Aliada a essa problemática, a maioria deles eram autênticos boêmios, e tinham como companheira inseparável a vida noturna.

Por essas e outra razões eram acometidos por doenças infecto-contagiosas, como por exemplo, a tuberculose. Consequentemente morriam de maneira bastante precoce.

Vejamos a seguir um dos poemas deste tão consagrado autor:

Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!


Diante do mesmo podemos identificar a presença do amor idealizado, visto somente no plano espiritual, sendo literalmente confirmado pela presença dos substantivos “palidez” e “languidez”, retratando uma mulher intocável, virginal e etérea.

Percebemos também que há um profundo desejo em conquistar a mulher amada, embora este pertença ao surreal, ao onírico.

Por fim, o poeta se inspira na natureza noturna, uma característica marcante da estética em voga, e não vê outra alternativa senão a morte como forma de alívio ao seu sofrimento.

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