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Competência 2 da Redação do Enem

A competência 2 da Redação do Enem tem o objetivo de avaliar a compreensão da proposta de redação, a interdisciplinaridade e a adequação ao texto dissertativo-argumentativo.

Competência 2 da Redação do Enem
A Competência 2 da Redação do Enem avalia a compreensão da proposta

Se você é um estudante egresso da terceira série do Ensino Médio e/ou está inscrito no Enem e deseja conseguir uma vaga nas instituições de ensino superior, fique atento às nossas dicas para alcançar uma excelente nota na prova de Redação, que tem o valor de 1000 pontos. Para conseguir uma boa pontuação na Redação do Enem, mais do que ter facilidade para produzir textos, dedicação e treino intensivo, é necessário que o participante conheça quais são os critérios de avaliação considerados pela banca e que contemple as cinco competências a partir das quais os textos são avaliados.

Neste artigo, vamos discutir, mais detalhadamente, a respeito da segunda competência a ser avaliada nos textos dos participantes. Antes de iniciarmos nossas reflexões, vamos relembrar quais são as cinco competências de avaliação de acordo com o INEP?

As cinco competências avaliadas na prova de Redação do ENEM são:

1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa;

2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;

3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;

5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

→ A COMPETÊNCIA 2

Como você pôde observar, a competência 2 avalia adequações e conhecimentos bastante complexos e distintos. Vamos discutir sobre cada um deles separadamente:

a) Compreender a proposta de Redação

Compreender a proposta de Redação significa que o participante deve ler todos os comandos da prova, o enunciado introdutório que delineia a proposta de produção de texto e os textos motivadores. Mais do que ler, o participante deve atender/obedecer ao que é proposto.

A compreensão da proposta é fundamental para que os avaliadores possam identificar se o participante consegue ler e produzir sentidos, ou seja, se ele é analfabeto funcional, se é um leitor ingênuo ou se é um leitor – de textos e de mundo – crítico e reflexivo. A delimitação temática do Enem existe porque os participantes precisam ser avaliados a partir dos mesmos critérios e para evitar fraudes, caso o participante chegue com o texto pronto.

O participante compreendeu o eixo temático?

Para avaliar essa competência, o procedimento utilizado pelo avaliador é fazer as seguintes perguntas:

  • Qual é o tema deste texto?

  • Se este texto estivesse em um jornal ou revista e eu não soubesse previamente o assunto, eu conseguiria dizer, ao final da leitura, que o tema do texto é o tema proposto pelo Enem?

Para você ter uma ideia, no certame de 2013, o tema foi “Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”. Muitos participantes escreveram sobre o tema “A Lei Seca”, dissertando sobre o que ela significa, por que e quando foi criada e o que fazer para que ela seja mais bem aplicada. Dessa forma, os textos obtiveram caráter muito mais expositivos do que argumentativos. Embora o eixo temático fosse a referida Lei, a proposta de Redação requeria do participante que ele discutisse sobre os efeitos dessa Lei na sociedade: Positivos? Quais? Negativos? Quais?

Já no ENEM de 2015, o tema foi “A persistência da violência contra a mulher”. Da mesma forma, muitos candidatos expuseram o tema a partir de uma retomada histórica sobre a violência contra a mulher, a qual vem ganhando cada vez mais destaque e espaço na sociedade e que não deve ser violentada, pois não merece, é um ser humano. Entretanto, o viés temático já afirma que a violência persiste, ou seja, é preciso discutir sobre o fato de que atualmente muitos homens e a sociedade insistem em praticar várias formas de violência contra elas, de que maneiras são violentadas. Nesse caso, a retomada histórica deve servir apenas para evidenciar um repertório sociocultural produtivo, e não como sendo o foco argumentativo.

De que maneira o participante abordou o tema?

Para avaliar essa competência, o procedimento utilizado pelo avaliador é fazer as seguintes perguntas:

→ Com relação à leitura e à utilização dos textos motivadores a serviço do projeto textual:

1. O participante leu?

2. A leitura realizada é superficial e/ou ingênua?

3. O participante utilizou as informações a serviço do seu texto?

4. Para desenvolver sua argumentação, o participante utilizou apenas os textos motivadores como fonte de informações?

→ Com relação aos conhecimentos adquiridos ao longo da formação:

1. O participante conseguiu refletir sobre esse tema e relacioná-lo com outros em uma relação de causas e consequências?

2. O participante trouxe outras informações, conhecimentos, fatos, argumentos adquiridos a partir de sua vivência de mundo?

b) Aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento

Para avaliar essa competência, o procedimento utilizado pelo avaliador é fazer as seguintes perguntas:

1. O participante utilizou interdisciplinaridade com as diversas áreas do conhecimento (sociologia, filosofia, história, geografia, biologia etc)?

2. O repertório sociocultural do participante para desenvolver e refletir sobre o tema é produtivo?

c) Desenvolver o tema dentro dos limites do texto dissertativo-argumentativo.

Apesar de muitos participantes acreditarem que o texto dissertativo-argumentativo seja um mera exposição sobre o tema, não é isso que o Enem propõe. A escolha desse tipo de texto deve-se por quatro motivos. Vejamos cada um deles:

1. O primeiro motivo deve-se ao fato de que o trabalho com os gêneros discursivos textuais, como o Artigo de Opinião, a Crônica, o Conto, a Carta, por exemplo, apesar de sugerido nos Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação (PCN), desde 1997, ainda não conseguiu alcançar a realidade do ensino de Língua Portuguesa em boa parte das escolas brasileiras. É bom lembrar que, na Europa e nos EUA, os gêneros discursivos textuais fazem parte do sistema de ensino desde a década de 80.

2. O segundo motivo deve-se ao fato de que o candidato pode sentir-se à vontade de escolher quaisquer gêneros que caibam nos limites do texto dissertativo-argumentativo, como o Artigo de Opinião, o Editorial ou a Crônica Argumentativa, desde que atenda aos limites estruturais desse tipo de texto e posicione-se de maneira crítica e reflexiva a repeito do tema proposto.

3. O terceiro motivo deve-se ao fato de que o texto dissertativo-argumentativo é amplamente difundido em muitas esferas sociais e suportes de circulação – como na escola, nos jornais, revistas. Esse fato contribui para a democratização dos processos de avaliação e seleção de todos os participantes.

4. Mais facilidade para a afinação de critérios de avaliação por parte da banca examinadora, já que seria bem mais complexo objetivar critérios de avaliação se o Enem adotasse o tipo de texto narrativo cuja avaliação deve contar com a subjetividade e capacidade crítica dos participantes.

Para construir um excelente texto dissertativo-argumentativo, o participante deve apresentar uma tese a respeito do tema e apresentar uma argumentação consistente, ou seja, deve partir de situações/informações/fatos/notícias verídicas para que possa persuadir o leitor a acatar seu ponto de vista sobre o tema. No texto, é importante que autor e leitor reconheçam-se como pares, como cidadãos e agentes sociais que devem refletir e debater sobre o assunto.

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