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Intertextualidade

A intertextualidade permite o dialogismo entre os diversos tipos de texto, sejam eles linguísticos, sejam extralinguísticos.

Intertextualidade
A intertextualidade pode acontecer em forma de citação, paráfrase e paródia, implícita ou explicitamente

Você sabe o que é intertextualidade?

A intertextualidade é a influência de um texto sobre outro. Todo texto, em maior ou menor grau, é um intertexto, pois durante o processo de escrita acontecem relações dialógicas entre os textos que escrevemos e os textos que acessamos ao longo da vida. Esses textos previamente lidos são chamados de textos-fonte. Quer ver só um exemplo? Leia abaixo o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade:

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

A partir dos textos-fonte, outros textos são criados. A intertextualidade acontece dessa maneira
A partir dos textos-fonte, outros textos são criados. A intertextualidade acontece dessa maneira

Agora observe o diálogo entre o texto-fonte, que é o poema de Drummond, com a música Flor da Idade, de Chico Buarque:

A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor

Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, a danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que
amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que
amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto

que amava a filha que amava Carlos que amava Dora
que amava toda a quadrilha.

Os descompassos do amor, as frustrações e a tragédia pessoal das personagens do poema Quadrilha, publicado em 1930 na primeira obra de Drummond, Alguma Poesia, ecoam também na música Espinho na roseira/Drumonda da banda Karnak:

Viu só? A intertextualidade é exatamente essa relação dialógica entre dois ou mais textos, que não precisam ser necessariamente de um mesmo gênero. Se você não conhecesse o texto-fonte, isto é, o poema Quadrilha, você não perceberia sua influência sobre as músicas de Chico Buarque e da banda Karnak. É por esse motivo que a interpretação textual não depende apenas do conhecimento do código, que é a língua portuguesa, mas também das relações intertextuais que influenciam de maneira decisiva no processo de compreensão e de produção de textos.

Para que você entenda um pouco mais sobre esse que é um dos elementos mais interessantes da Linguística Textual, o Mundo Educação preparou uma seção sobre Intertextualidade e suas diferentes ocorrências nos variados gêneros. Aqui você encontrará artigos que discutem a intertextualidade implícita, explícita, a citação, a paródia e a paráfrase, artigos que mostrarão a importância do reconhecimento de referências e alusões no processo de compreensão de textos. Boa leitura e bons estudos!

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