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Texto e intertexto

O texto e o intertexto são interessantes objetos de estudo e análise. A intertextualidade está presente nos diversos gêneros literários, implícita ou explicitamente.

Texto e intertexto
Imagem publicitária Mon Bijou

Para discutirmos sobre texto e intertexto é fundamental que entendamos o que é intertextualidade, tema bastante estudado pela Linguística textual. Chamamos de intertextualidade as referências, explícitas ou implícitas, de outros textos em nosso processo de escrita. É comum, sobretudo para o leitor mais atento, encontrarmos referências de um texto em outro, pois cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados.

Como assim, enunciados que são elos de outros enunciados? Bom, nossa escrita é permeada por influências e nossas ideias geralmente remetem à outras ideias já enunciadas. A intertextualidade acontece não só na literatura, podemos encontrá-la também na música e até mesmo em anúncios publicitários. Tomemos como exemplo a imagem que ilustra este artigo. É possível observar que a propaganda do produto faz uma referência implícita ao quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Essa inferência é possível não apenas por conta da imagem, que imediatamente associamos à famosa obra do pintor italiano, mas também graças à linguagem verbal encontrada no rodapé da imagem, onde se lê “Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-prima”. Tanto a linguagem não-verbal (imagem), quanto a linguagem verbal (texto escrito), fazem referências à tela de da Vinci. Na intertextualidade implícita não existe a explicitação do autor do texto-fonte, cabendo ao leitor recuperar na memória o sentido do texto, como nas alusões, na paródia, em certos tipos de paráfrases e ironias.

Podemos utilizar outro exemplo, desta vez contido na música “Bom conselho”, de Chico Buarque:

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás da tempestade
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade.

(Chico Buarque, 1972)

Não é muito difícil observar as referências contidas na canção que acabamos de ler. Fica claro que o autor utilizou-se de vários provérbios populares, incansavelmente disseminados na tradição oral, por isso tão conhecidos. No entanto, Chico Buarque não os utilizou como eles de fato são conhecidos, é importante observar que houve uma inversão das ideias, o que provoca um efeito de humor no texto do compositor. Por exemplo, conhecemos o ditado “Devagar se vai ao longe”, a partir dele Chico criou a inversão “Devagar é que não se vai longe” e, apesar das alterações feitas, os ditados ainda podem ser reconhecidos, referenciando, implicitamente, os originais.

A intertextualidade explícita ocorre quando há citação da fonte do intertexto. Observe a imagem a seguir:

Bob Thaves, Estado de S. Paulo, 10/04/2005
Bob Thaves, Estado de S. Paulo, 10/04/2005

Na tirinha temos um caso de intertextualidade explícita, pois há citação de parte do texto-fonte, a música “Sorte grande”, e também há a indicação de quem a interpreta: a cantora Ivete Sangalo. Nos casos de intertextualidade explícita, o leitor não precisa recorrer à memória e nem mesmo à sua bagagem de leitura para perceber as influências contidas no texto.

Sabemos, então, do que se trata intertextualidade, conhecemos sua definição e diferenças entre referências explícitas e implícitas; contudo, identificar a presença de um texto em outros textos depende muito de cada leitor, seu conhecimento de mundo e seu repertório de leitura. Portanto, ler é fundamental para o processo de compreensão e produção de sentido.

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