Você está aqui
  1. Mundo Educação
  2. Biografias
  3. Mao Tsé-Tung

Mao Tsé-Tung

Mao Tsé-Tung foi o líder da Revolução Chinesa, fundador da República Popular da China e do maoismo, vertente ideológica desenvolvida após uma interpretação a respeito da teoria marxista. Mao esteve na presidência da China até 1959 e foi o líder do Partido Comunista Chinês até o ano de sua morte, 1976.

Mao defendia a importância do papel do camponês na luta revolucionária e defendia que a revolução deveria acontecer por meio da revolta armada. Enquanto esteve no comando da China, implantou medidas radicais: perseguiu opositores e impôs reformas que levaram à morte de milhões de pessoas na China.

Leia também: Guerra da Coreia: para onde milhares de soldados chineses foram enviados para a batalha por ordem de Mao

Vida pessoal de Mao Tsé-Tung

Mao nasceu no dia 26 de dezembro de 1893, na cidade de Shaoshan, localizada na província de Hunan. Era filho de Mao Yichang, um fazendeiro que havia tido sucesso no seu ofício e que gozava de boa condição financeira, e de Wen Qimei. Mao teve três irmãos (um deles adotado), que se chamavam Mao Zemin, Mao Zetan e Mao Zejian.

Mao estudou em uma escola primária confucionista e aos 13 anos retornou à sua casa para ajudar seu pai no trabalho na fazenda. Em 1907, quando tinha 14 anos de idade, o pai de Mao arranjou-lhe um casamento com uma moça chamada Luo Yixiu, uma jovem que tinha 18 ou 20 anos (a idade dela varia de acordo com o registro biográfico).

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Aos 16 anos de idade, Mao abandonou sua esposa na casa dos pais e mudou-se para Changsha para ingressar no ensino médio. Lá ele teve acesso ao estudo de disciplinas como história e literatura. Ainda morando em Changsha, Mao presenciou todos os desdobramentos da Revolução de 1911, responsável por derrubar a monarquia na China.

Mao Tsé-Tung esteve no comando da China direta ou indiretamente de 1949 a 1973.[1]
Mao Tsé-Tung esteve no comando da China direta ou indiretamente de 1949 a 1973.[1]

Essas experiências foram importantes na vida de Mao, porque foi no ensino médio que ele teve acesso a conteúdos importantes que moldaram, em parte, sua forma de pensar. E nesse período ele presenciou a agitação revolucionária na China e chegou até a alistar-se no exército republicano, mas não chegou a participar de nenhum combate.

Antes da agitação revolucionária, a primeira esposa de Mao faleceu, em 1910, em decorrência de uma disenteria. Ao longo de sua vida, Mao casou-se outras três vezes. Sua segunda esposa foi Yang Kaihui e esteve casada com ela de 1921 e 1927, quando foi então executada por membros do Kuomintang. Sua terceira esposa foi He Zizhen e esteve casada com Mao de 1928 a 1939 e sua última esposa foi Jiang Qing, casada com Mao de 1939 a 1976. De todos os seus casamentos, Mao teve o total de dez filhos.

Engajamento político de Mao Tsé-Tung

Como mencionamos, o período de vida de Mao durante o ensino médio moldou parte de sua forma de pensar. Depois que terminou seu ensino médio, Mao mudou-se para Pequim, onde trabalhava como assistente em uma biblioteca. Lá passou a estudar marxismo e envolveu-se em um movimento de estudantes chamado Movimento 4 de maio.

Em 1921, Mao aderiu ao Partido Comunista Chinês (PCCh), sendo um dos primeiros membros desse partido. A partir disso, Mao começou a atuar em Hunan organizando sindicatos e acabou  tornando-se uma figura política local expressiva. Entre 1921 e 1927, Mao, assim como outros membros do PCCh, agiu em parceria com o Kuomintang, o Partido Nacionalista.

  • Guerra Civil Chinesa

Essa parceria entre PCCh e Kuomintang ocorreu no combate contra os senhores feudais que dominavam o interior do território chinês. O estourar da Guerra Civil Chinesa, em 1927, colocou um fim nessa relação de cooperação entre os dois partidos. Com a morte de Sun Yat-sen, o Kuomintang foi assumido por Chiang Kai-shek, um conservador que temia o crescimento do PCCh e, por isso, passou a perseguir os comunistas na China.

Os comunistas acabaram sendo expurgados das grandes cidades chinesas e, com isso, o PCCh organizou um exército para defender-se. Mao teve papel destacado nesse grupamento e tornou-se comandante em chefe de tropas localizadas nas províncias em Hunan e Jiangxi. As instruções de Mao era de organizar camponeses para rebelarem-se contra o domínio do Kuomintang.

Durante a Guerra Civil Chinesa, comunistas e nacionalistas disputaram o controle da China.
Durante a Guerra Civil Chinesa, comunistas e nacionalistas disputaram o controle da China.

Em 1928, estabeleceu suas forças em uma região montanhosa de Jiangxi e, então, passou a treinar seus soldados em táticas de guerrilha e implementou como prática a agricultura coletiva. Foram as experiências com os camponeses que moldou, em grande parte, a visão revolucionária de Mao e ele passou a defender a importância da revolta armada.

Em 1929, Mao fundou o Soviete de Jiangxi e assumiu a presidência dos territórios sob a influência desse soviete. Durante cinco anos, o Soviete de Jiangxi foi um importante ponto de resistência dos comunistas chineses na luta contra os nacionalistas. A pressão do Kuomintang sobre o soviete de Mao era tão grande que eles foram forçados a fugir em 1934.

Acesse também: Pol Pot: o genocida que governou seu país baseando-se na doutrina de Mao

  • Grande Marcha

Essa fuga deu início à conhecida Grande Marcha. Os comunistas chineses partiram em fuga de um novo lugar para estabelecerem-se entre 1934 e 1935. Alguns historiadores falam que 80 mil pessoas estiveram em marcha enquanto que outros falam em 100 mil que marcharam por mais de 10 mil quilômetros.

O resultado foi que cerca de 90% das pessoas que iniciaram a marcha morreram em decorrência dos combates, da exaustão, da fome ou de doenças que foram adquirindo no percurso. Quando a marcha encerrou-se, os comunistas estavam estabelecidos em Yan’an, cidade localizada na província de Xianxim (Shaanxi). Lá foi fundada a nova base do PCCh.

A atuação destacada de Mao na luta contra os nacionalistas e o papel que ele desempenhou na Grande Marcha fizeram com que se tornasse a personalidade mais importante do PCCh, embora só tenha sido, de fato, nomeado líder do partido em 1943. A partir de 1936-1937, a rivalidade entre comunistas e nacionalistas perdeu força por causa de uma nova ameaça: os japoneses.

Segunda Guerra Sino-japonesa

Os japoneses tinham ambições imperialistas sobre a China desde o final do século XIX, mas a ascensão de um governo de extrema-direita, conservador e militarista fez com que os japoneses aumentassem seus esforços para tomar terras chinesas. Em 1931, os japoneses invadiram a Manchúria e, em 1937, declararam guerra à China, invadindo e conquistando grandes cidades chinesas.

Mao coordenou a resistência do PCCh contra os japoneses na província de Xiaxim. Na guerra, Mao conseguiu tornar-se popular entre os camponeses e foi responsável por organizar as forças comunistas. Tiveram papel importante na resistência contra os japoneses e prepararam-se para o eventual momento em que a luta contra os nacionalistas voltasse.

Importante pontuar que embora a guerra contra os japoneses fosse a prioridade, nacionalistas e comunistas nunca deixaram efetivamente de lutar entre si nos anos da Segunda Guerra Sino-japonesa (1937-1945). No período dessa guerra, destacou-se também o fato de que Mao foi declarado líder do PCCh, o que ocorreu no ano de 1943.

Revolução Chinesa

Depois de os japoneses serem expulsos, a luta entre comunistas e nacionalistas retornou a pleno vapor. Os nacionalistas expulsaram os comunistas de sua base em Yan’an, mas os comunistas estabeleceram-se na Manchúria e de lá organizaram suas forças para a vitória. Até 1949, os nacionalistas foram sendo derrotados em todo o território chinês.

Em 1º de outubro, Mao fundou a República Popular da China e os nacionalistas derrotados acabaram fugindo da China e estabeleceram-se em Taiwan. Mao foi o responsável direto por converter a China em uma nação socialista e, por isso, tornou-se presidente do país.

Mao no poder

Direta ou indiretamente, Mao esteve no poder da China de 1949 a 1976. Realizou transformações profundas na China e perseguiu seus opositores implacavelmente. As campanhas contra a oposição realizadas por Mao aconteceram na Campanha Três Anti, Cinco Anti e na Campanha Antidireitista. Nelas, perseguiu antigos apoiadores do Kuomintang, senhores feudais, os grandes capitalistas do país e pessoas que criticavam seu governo.

Essas campanhas, que se estenderam ao longo da década de 1950, resultaram em humilhações públicas de pessoas, assim como,prisões, torturas e execuções. Milhares foram enviados para campos de trabalhos forçados e outros milhares, para fugirem da violência e da humilhação, acabaram cometendo suicídio. Existem estudos feitos que chegam a sugerir a existência de “cotas de morte” que deveriam ser alcançadas nessas campanhas contra os opositores.

  • Economia

Selo chinês celebrando o Grande Salto à Frente, plano de industrialização criado por Mao.[2]
Selo chinês celebrando o Grande Salto à Frente, plano de industrialização criado por Mao.[2]

Na economia, Mao procurou realizar reformas profundas na China. Promoveu uma reforma agrária e distribuiu terras para camponeses pobres. Ordenou a execução de latifundiários que faziam parte dos antigos senhores feudais contra quem ele havia lutado na década de 1920. Acredita-se que até 2 milhões de pessoas podem ter morrido nessa perseguição contra os latifundiários.

Para promover a industrialização da China, Mao criou o Grande Salto à Frente, um plano que retirou milhares de camponeses da agricultura e os obrigou a produzir aço e ferro para incentivar a indústria chinesa. Esse plano foi desastroso, desorganizou a economia e, principalmente, a agricultura chinesa.

Com os milhares de trabalhadores deslocados de função, a produção agrícola chinesa caiu tanto que começou a faltar comida no país. A China foi obrigada a comprar grãos de nações ocidentais e milhões de pessoas começaram a morrer de fome. Durante a Grande Fome (causada pelo Grande Salto), estima-se que por volta de 30 milhões de pessoas tenham morrido

Acesse também: Guerra do Vietnã - uma das principais guerras que se passou na Ásia

  • Revolução Cultural

Com o fracasso do seu plano econômico, Mao saiu da presidência da China, mas permaneceu como presidente do PCCh. As críticas que ele passou a sofrer, a perda de influência que teve de enfrentar e os embates políticos no interior do partido levaram Mao e sua esposa, Jiang Qing, a organizarem um plano para que Mao pudesse recuperar o poder: a Revolução Cultural.

Lançada em 1966, a Revolução Cultural foi a tentativa de Mao de realizar uma profunda renovação cultural na China e de impor a perseguição aos seus opositores. Mao instigou as massas do país a perseguirem seus opositores e essa perseguição voltou-se, sobretudo, contra artistas e intelectuais, classes que criticavam contundentemente o regime de Mao.

Essa perseguição disseminou violência pela China e fez com que milhões de pessoas fossem enviadas para campos de reeducação enquanto que milhões foram mortas. A Revolução Cultural praticamente parou com o funcionamento do ensino superior na China durante 10 anos e esse acontecimento só se encerrou quando Mao faleceu em 1976.

Créditos da imagem

[1] Songquan Deng /Shutterstock

[2] neftali /Shutterstock

Publicado por: Daniel Neves Silva