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Baleia franca (Eubalaena australis)

As baleias francas, também conhecidas como baleias certas pelos antigos baleeiros, eram assim chamadas por serem consideradas fáceis de caçar
As baleias francas, também conhecidas como baleias certas pelos antigos baleeiros, eram assim chamadas por serem consideradas fáceis de caçar

Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Mysticeti
Família: Balaenidae
Gênero: Eubalaena
Espécie: Eubalaena australis

As baleias francas, “right whale” ou baleia certa, são assim chamadas porque eram consideradas pelos antigos caçadores baleias fáceis de serem arpoadas por flutuarem depois de mortas, apresentarem baixa velocidade de natação e por frequentarem regiões costeiras.

Elas pertencem à subordem Mysteceti de Cetacea e à família Balaenidae. A Eubalaena apresenta duas espécies, baleia franca do Atlântico Sul [Eubalaena australis (Desmoulins, 1822)] e baleia franca do Atlântico Norte [Eubalaena glacialis (Muller, 1776)]. As populações do Norte e Sul apresentam distribuição descontínua através do Equador e são isoladas devido a diferenças temporais no comportamento reprodutivo. Diferenças morfológicas são quase ausentes.

As baleias francas, assim como todos os cetáceos, são mamíferos que sofreram adaptações para a vida aquática, mas possuem sangue quente, realizam fecundação interna e respiram através de pulmões, sendo necessário vir à superfície para respirar.

A família Balaenidae é caracterizada por apresentar grande fusão das vértebras cervicais, rostro (parte frontal do crânio) estreito e muito arqueado, barbatanas (estruturas responsáveis por filtrar o alimento da água) longas e estreitas, além de mandíbula maciça. A cabeça corresponde a um terço do comprimento do corpo. Os indivíduos do gênero Eubalaena são caracterizados por serem robustos e apresentarem corpo preto com manchas brancas irregulares no ventre. Existem casos de albinismo (não verdadeiro) na espécie, os filhotes nascem brancos e vão ficando menos claros à medida que crescem. Não possuem nadadeira dorsal e as nadadeiras peitorais são largas e em forma de trapézio. A cauda é pontiaguda e larga, podendo chegar até 40% do comprimento total do corpo.

As baleias francas são poliândricas, ou seja, vários machos cortejam uma única fêmea. A maturidade sexual é atingida aos seis anos de idade, podendo o primeiro filhote nascer aos nove anos. A gestação dura quase 12 meses e os filhotes nascem com comprimento de 4,5 a 6 metros e os adultos medem cerca de 13 a 16 metros. O intervalo entre cada gestação é de três anos. Os machos dessa espécie apresentam os maiores testículos do reino animal, chegando à meia tonelada cada.

Na cabeça, encontram-se cerca de 200 a 270 pares de barbatanas presos de cada lado da mandíbula, estas podem ter de 2 a 2,8 metros. A característica mais marcante do gênero é a presença de calosidades na cabeça, regiões espessas de pele que são habitadas por pequenos crustáceos conhecidos como ciamídeos ou “piolhos de baleia”. As calosidades se encontram no “focinho”, acima dos olhos, antes e depois dos orifícios respiratórios, no “queixo” e no “lábio” inferior. Através dos padrões dessas calosidades, os pesquisadores conseguem distinguir cada baleia individualmente, a partir de fotografias aéreas da região da cabeça (estudos de fotoidentificação).

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Outras características peculiares das baleias francas são: ausência de pregas ventrais (característico de Balaenidae) e borrifo (ar expelido dos pulmões durante a expiração, que ao entrar em contato com o ar atmosférico se condensa formando gotículas de água) em formato de “V”, isso ocorre em virtude de dois orifícios respiratórios que nessas baleias são bastante separados.

As baleias francas do sul realizam migrações anuais passando o inverno em áreas tropicais e subtropicais, para acasalamento e procriação, e o verão em regiões subantárticas para alimentação. No inverno é comum ver fêmeas com filhotes perto da arrebentação das ondas nas regiões que elas frequentam. Nessa estação do ano, os adultos costumam se alimentar de um pequeno crustáceo chamado krill. Tanto na área de alimentação quanto na de reprodução, as baleias francas são pouco gregárias. Durante o período reprodutivo, observam-se as baleias em comportamento de descanso, brincadeiras entre mães e filhotes, saltos, batidas de cauda, exposição do ventre, entre outros.

A alimentação das baleias francas ocorre em áreas com alta produtividade primária. Existem duas regiões conhecidas como áreas de alimentação da espécie: as regiões próximas à Convergência Antártica e o entorno das Ilhas Geórgia do Sul. As áreas frequentadas para reprodução conhecidas estão relacionadas às temperaturas amenas, águas calmas e rasas, são elas: África do Sul, Austrália, América do sul e região subantártica da Nova Zelândia. Na América do Sul, a principal concentração reprodutiva ocorre nas águas costeiras da Península Valdés, Argentina, pequena porção no sul do Brasil e Uruguai.

Essa espécie foi extensamente caçada no Brasil a partir de 1602 pela Coroa Espanhola e Portuguesa. A caça ocorreu até 1973, do nordeste ao sul do país, quando a última estação baleeira (local onde os baleeiros se instalavam, guardavam seus arpões e processavam o material retirado das baleias) foi desativada. Eram caçadas principalmente para a extração da camada de gordura dos animais, que quando adultos pode chegar a 40 cm. A gordura era processada e transformada em óleo que foi utilizado na Metrópole europeia e depois nas crescentes cidades do Brasil Colônia e Império, além de servir de argamassa de prédios, fortes e igrejas. Os quase 400 anos de caça levaram a espécie à beira da extinção.

Atualmente, com a proibição da caça à espécie, ela não está mais tão ameaçada, sendo considerada vulnerável à extinção pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (sigla em inglês para “União Internacional para a Conservação da Natureza”). Suas principais ameaças são a destruição do habitat, o turismo de observação a baleias (quando mal conduzido) e os ataques de gaivotas, na Argentina, que machucam a pele destes animais.

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