Você está aqui
  1. Mundo Educação
  2. Datas Comemorativas
  3. Novembro
  4. 15 de Novembro - Proclamação da República

15 de Novembro - Proclamação da República

No dia 15 de novembro é comemorada a Proclamação da República no Brasil. A data remonta aos acontecimentos de 1889, quando o Segundo Império foi derrubado.

No Brasil, no dia 15 de novembro, é comemorada a Proclamação da República, isto é, o momento em que o Brasil saiu da estrutura política monárquica, cujo último representante foi D. Pedro II, e passou para a estrutura republicana. Isso ocorreu no ano de 1889, quando membros da sociedade civil, que já propagavam abertamente os ideais republicanos desde o início da década de 1880, articularam-se com representantes do exército e, juntos, mudaram de forma repentina o regime político do Brasil.

Leia também: Independência do Brasil

A mudança de regime foi considerada repentina porque não houve um levante propriamente revolucionário para derrubar o reinado de D. Pedro II, ou seja, não houve uma guerra civil no Brasil. O que houve, na verdade, foi um processo de adesão (incitado pela retórica de republicanos, como Quintino Bocaiúva) de alguns representantes respeitáveis do Exército à causa republicana.

O principal militar participante do dia 15 de novembro, o marechal Deodoro da Fonseca, era convictamente monarquista. Ele só se colocou à frente do processo de derrubada do império porque foi convencido pelo jornalista Quintino Bocaiúva e pelo também militar Benjamin Constant quatro dias antes da data da Proclamação. Até então, Deodoro repudiava a possibilidade de o Brasil converter-se em uma república. Deodoro foi convencido, sobretudo, pelo argumento referente às reformas que o chefe dos ministérios do império, o Visconde de Ouro Preto, pretendia implementar no país. Uma dessas reformas dizia respeito à instituição do Exército, que deveria subordinar-se à autoridade civil.

Essa subordinação era intolerável para o militares mais velhos, como Deodoro, Floriano Peixoto e Benjamin Constant. Além disso, Deodoro confessou perceber que o imperador (figura a quem respeitava) não dava há muito tempo a atenção merecida àqueles que se fizeram heróis da pátria na Guerra do Paraguai (1864-1870), defendendo o Império do Brasil. D. Pedro II, no fim de sua jornada como imperador, mantinha realmente uma postura dúbia com relação às suas responsabilidades políticas, assumindo uma versão mais progressista e liberal fora do Brasil e uma postura tradicional, católica e conservadora dentro do país, como bem destaca Gilberto Freyre, em sua obra “Ordem e Progresso”:

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Aconteceu, porém, que era difícil viver D. Pedro II a vida dupla que parece ter pretendido levar, indo piedosamente à missa no Brasil e fazendo o pelo sinal aos olhos das multidões brasileiras e, na Europa, ostentando espírito voltairiano; de modo que o Pedro II de feitio europeu – que talvez fosse dos dois o mais autêntico – terminou superando, dentro do próprio Brasil, o de algum modo antieuropeu e antiprogressista. Daí em crises como a dos bispos e a militar ter se comportado exatamente como qualquer político ou liberal, ou republicano e até anticlerical – empenhado em fazer valer o princípio da autoridade legítima sobre o da insubordinação – nem como o Exército, igualmente cioso de sua dignidade, contra a demagogia ultra-republicana de uma imprensa irresponsável até aos extremos, e tolerada pelos liberais do Império e pelo próprio imperador.” [1]

Freyre denuncia uma espécie de indolência por parte do próprio imperador e de seus pares em relação ao avanço do republicanismo ou da circulação das ideias republicanas no país. A falta de amparo, investimento e atenção a instituições como o Exército foi a “gota d'água” para a deflagração do golpe de 15 de novembro. Deodoro da Fonseca conseguiu organizar um contingente de cerca de 600 militares para a marcha nas ruas da cidade do Rio de Janeiro (então sede da corte imperial) em direção ao parque Campo de Santana, onde a “República foi Proclamada”.

D. Pedro II e a família real tiveram que se exilar na Europa. A população da cidade do Rio de Janeiro mal entendeu o que se passava naquele dia, pois não sabia bem o que significava a mudança de regime político. Os “súditos do rei”, que, a partir de então, eram “cidadãos da República”, viram o processo de implementação do novo regime “bestializados”, sem entusiasmo e sem o fervor ideológico dos líderes que propagandearam as ideias republicanas no Brasil, como Aristides Lobo.

NOTAS

[1] FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso. São Paulo: Global, 2004. p. 217.

* Créditos da imagem: Shutterstock e Georgios Kollidas

Deodoro da Fonseca foi um dos protagonistas da Proclamação da República *
Deodoro da Fonseca foi um dos protagonistas da Proclamação da República *
Publicado por: Cláudio Fernandes
Assista às nossas videoaulas

Assuntos Relacionados