Aids

Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é uma fase da infecção causada pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) em que se observa um grande comprometimento do sistema imunológico do indivíduo. Ser portador do HIV, portanto, não é a mesma coisa que ter aids. O vírus causador da síndrome é transmitido, principalmente, por meio de relação sexual desprotegida com paciente contaminado.

Por muito tempo, a doença foi tratada como uma sentença de morte, hoje, no entanto, o indivíduo HIV positivo pode ter uma vida praticamente normal. Atualmente o tratamento da doença é feito com terapia antirretroviral, mas esse tratamento não leva à cura do paciente. Até o momento, houve apenas dois casos de pacientes curados do HIV.

O que é a aids?

A aids é uma fase da infecção causada pelo HIV em que o paciente apresenta infecções oportunistas e neoplasias. Isso ocorre porque o sistema imunológico do indivíduo apresenta-se muito comprometido, tornando-o mais suscetível a esses problemas de saúde. Essas doenças oportunistas podem levar o indivíduo à morte.

Vale destacar que, de acordo com a Unaids Brasil (programa das Nações Unidas que tem a função de criar soluções e ajudar nações no combate à aids), as mortes relacionadas à aids foram reduzidas em mais de 55% desde o pico em 2004.

A aids é uma síndrome desencadeada pelo HIV. Quem é HIV positivo não necessariamente está com aids.
A aids é uma síndrome desencadeada pelo HIV. Quem é HIV positivo não necessariamente está com aids.

Muitos pensam que um HIV positivo, ou seja, uma pessoa que possui o vírus HIV, apresenta aids. Isso é um engano, pois a aids é uma das fases da infecção por HIV. Uma pessoa pode ser portadora do vírus e passar anos sem apresentar comprometimento grave do seu sistema imunológico. Em alguns casos, a pessoa infectada com HIV pode passar até mais de 10 anos sem desenvolver qualquer sintoma.

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HIV

O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus responsável por desencadear a aids. Trata-se de um retrovírus com genoma de RNA que pertence à família Retroviridae e gênero Lentivirus. Ele afeta, principalmente, os linfócitos T CD4+, mas pode afetar também outras células, tais como monócitos e macrófagos.

Acredita-se que o HIV começou a circular em humanos por meio do contato com o sangue infectado de chimpanzés, quando o homem caçava esses animais para se alimentar. A teoria mais aceita é que a versão do HIV que vivia nos chimpanzés transformou-se em HIV após esse contato. A transmissão de chimpanzés para humanos, provavelmente, ocorreu ainda no século XIX.

Transmissão e prevenção contra o HIV

O HIV pode ser transmitido de diversas formas, entretanto, a principal forma de transmissão em todos os locais do mundo é por via sexual. Além da transmissão por sexo desprotegido, ela também pode ocorrer da mãe para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação e por meio do contato com sangue de pessoa infectada.

O contato com o sangue pode ocorrer, por exemplo, no compartilhamento de seringas ao se fazer uso de drogas injetáveis, em acidentes de trabalho com profissionais da saúde que manuseiam material contaminado ou mesmo em transfusões de sangue. Com as novas regras para a doação de sangue e os testes disponíveis, são raros os casos de transmissão de HIV por transfusão.

É importante deixar claro que beijar, abraçar, pegar na mão, ter contato com o suor, doar sangue, compartilhar sabonete ou talheres e entrar em piscina não transmitem o HIV. A prevenção da infecção pelo HIV pode ser feita utilizando-se camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhando objetos como seringas e agulhas. Além disso, toda gestante deve fazer um rigoroso pré-natal a fim de evitar que o vírus passe para seu filho caso seja HIV positiva.

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Fases da infecção por HIV

De acordo com a Unaids Brasil, em 2018, havia 37,9 milhões [32,7 milhões 44,0 milhões] de pessoas vivendo com HIV. Ainda de acordo com a Unaids, eram esperados, até o fim de 2018, 1,7 milhão [1,4 milhão – 2,3 milhões] de novas infecções por esse vírus. A infecção pelo HIV provoca uma série de manifestações clínicas, que vão desde uma fase aguda até o desenvolvimento da aids. Entenda melhor algumas dessas fases:

  • Infecção aguda

A infecção aguda ocorre nas primeiras semanas após a infecção pelo HIV. Vários sintomas surgem nessa fase, sendo o conjunto de manifestações clínicas conhecido como Síndrome Retroviral Aguda. Dentre os sintomas que podem ocorrer, destacam-se febre, dor muscular, dor de cabeça e erupções cutâneas. Como os sintomas são pouco específicos, o diagnóstico da infecção geralmente não é feito nessa fase.

  • Latência clínica

Na fase de latência clínica, o paciente, geralmente, apresenta o exame físico normal e o HIV reproduz-se em níveis muito baixos. Uma condição que pode ser observada é a linfadenopatia, que pode ser definida como uma alteração no tamanho e na consistência dos vasos linfáticos. Os exames laboratoriais do paciente podem indicar ainda anemia, plaquetopenia (nível baixo de plaquetas) e leucopenia (nível baixo de leucócitos) leve. Esse período pode durar anos.

  • Fase sintomática

Na fase sintomática, observa-se uma progressão da doença, com a redução na contagem dos linfócitos T-CD4+. Nessa fase, infecções bacterianas, dor de cabeça, diarreia, sudorese noturna e febre ocorrem com mais frequência. Lesões brancas (mais frequentemente na borda da língua), diarreia crônica e febre sem causa determinada são sintomas que podem indicar uma evolução do quadro para a aids.

  • Síndrome da Imunodeficiência adquirida

Nessa fase, há um grande comprometimento do sistema imunológico do indivíduo, sendo observado o surgimento de infecções oportunistas e neoplasias. São exemplos de infecções que podem acometer o indivíduo a toxoplasmose, a meningite e a tuberculose. Já as neoplasias que ocorrem com mais frequência são sarcoma de Kaposi (neoplasia que geralmente se manifesta com tumores na pele e mucosas, como a boca) e linfoma não Hodgkin (tipo de câncer que afeta células do sistema linfático).

Diagnóstico do HIV

O diagnóstico da infecção por HIV é feito por meio de exames laboratoriais que utilizam o sangue ou fluido oral do paciente. O teste pode ser feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo importante destacar quem atualmente, no Brasil, existem testes rápidos que podem detectar a infecção em cerca de 30 minutos.

Outro ponto importante a ser destacado é a chamada janela imunológica. No período compreendido entre a infecção pelo vírus e a identificação dos primeiros anticorpos anti-HIV, os exames podem gerar falsos negativos. Normalmente a janela imunológica dura 30 dias. Sendo assim, caso o exame apresente resultado negativo, mas a suspeita continue, a recomendação é de que se repitam os exames após um mês.

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Tratamento do HIV/aids

O tratamento para o HIV acontece por meio do uso de medicamentos conhecidos como antirretrovirais, que atuam impedindo que o HIV se multiplique de maneira exagerada. Esses medicamentos não são capazes, no entanto, de destruírem por completo o vírus, mas são essenciais para evitar que o sistema imunológico fique gravemente comprometido.

Apesar de a infecção por HIV não ter cura, o tratamento permite que o indivíduo apresente uma vida praticamente normal.
Apesar de a infecção por HIV não ter cura, o tratamento permite que o indivíduo apresente uma vida praticamente normal.

Os antirretrovirais para o tratamento do HIV são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, atualmente existem 21 medicamentos, em 37 apresentações farmacêuticas.

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Pessoas curadas do HIV

Atualmente não existe cura para o HIV, mas houve dois casos de pessoas que conseguiram se curar do vírus. O primeiro caso aconteceu em 2007. O paciente Timothy Ray Brown, conhecido inicialmente apenas como “paciente de Berlim”, curou-se após um transplante de medula óssea para tratar uma leucemia. O seu doador apresentava uma mutação em suas células CD4 que as tornava praticamente imunes ao HIV. Essa mutação interrompeu o ciclo da infecção em Timothy.

O segundo caso de cura foi revelado em 2019. O paciente foi submetido a um transplante de células-tronco em 2016 e não apresentou mais o HIV. O paciente ficou conhecido apenas como “paciente de Londres” e, como os pesquisadores não sabem se o vírus retornará ao organismo dele, preferem não falar em cura, e sim em “remissão de longo termo”.

Publicado por: Vanessa Sardinha dos Santos
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