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Doença da vaca louca

Doença da vaca louca
Ao contrário do que o nome sugere, as vacas acometidas pela BSE ficam retraídas e assustadas.

A Bovine Spongiform Encephalopathy (BSE), denominada em português de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), e popularmente conhecida por doença da vaca louca; é uma doença neurodegenerativa, transmissível e fatal. Causada por príons: proteínas modificadas que, ao contrário de outros agentes infecciosos, não estimulam resposta imune, reação inflamatória e tampouco é conhecida sua cura; os bovinos acometidos apresentam perda de peso, grande sensibilidade a agentes externos e dificuldade de locomoção. Isso porque estas proteínas tendem a se aglomerar, formando placas no tecido nervoso do cérebro e medula, desencadeando em tais consequências. Desta forma, ao observar este tecido ao microscópio, observam-se lesões de aspecto semelhante ao de uma esponja, justificando o nome da doença.

Acredita-se que a EEB teve origem na ingestão de ração contendo carne e ossos de ovelhas acometidas pela Scrapie - outra doença causada por príons - sem o devido aquecimento. Com período de incubação de aproximadamente cinco anos, foi responsável por grande prejuízo da parte dos produtores e criadores de bovinos, já que, por medida se segurança, todos os animais acometidos ou suspeitos devem ser, necessariamente, sacrificados e incinerados. Além disso, a exigência de mudança de hábito alimentar destes animais e o fato de que muitas pessoas deixaram de optar pelo consumo da carne vermelha, também foram fatores que contribuíram para tal.

Em humanos, a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) tem sintomas e mecanismos semelhantes ao mal da vaca louca. Sua transmissão se dá por meio de transfusões de sangue, procedimentos médicos com uso de órgãos/tecidos humanos ou instrumentos contaminados; herança genética ou de forma esporádica, ou seja: sem que se saiba suas reais causas (85% dos casos). Acometendo mundialmente aproximadamente um indivíduo a cada um milhão de pessoas, também é, necessariamente, fatal, embora medicamentos como a amantadina tenham capacidade de retardar sua evolução. Evidências mostram que a ingestão da carne bovina contaminada pela BSE é responsável pela variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ). Esta, que geralmente acomete indivíduos mais jovens que na versão clássica da doença (ou seja: de período de incubação menor), não foi registrada em nosso país, assim como a BSE, possivelmente pelo fato de que os gados de nosso país se alimentam de produtos de origem vegetal; e por ingerirmos carne vermelha do mercado interno.

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Para prevenção destas doenças humanas, autoclavar a 132°C ou imergir em hidróxido de sódio a temperatura ambiente, por uma hora, os objetos cirúrgicos; analisar a procedência de tecidos doados, e evitar a ingestão de carne cuja alimentação é feita com produtos de origem animal; são medidas necessárias.


Curiosidade:

Outra vertente de pesquisadores, como Mark Purdey, de Somerset, acredita que a BSE não é causada por proteínas modificadas, e sim pela aplicação de inseticidas organofosforados em gados britânicos, com o intuito de combater a mosca varejeira. Tal hipótese foi publicada no jornal Independent, em 1993, e incomoda grandes indústrias químicas.

Por Mariana Araguaia
Graduada em Biologia

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