Conceito de globalismo

O conceito de globalismo relaciona-se com as principais generalizações das práticas localizadas e também pela difusão do nacionalismo e da globalização.

O globalismo aborda as perspectivas totalizantes em face aos aspectos regionais
O globalismo aborda as perspectivas totalizantes em face aos aspectos regionais

Globalismo é um termo polissêmico, isto é, possui vários significados a depender do contexto em que é utilizado. Nas Ciências Sociais, o termo é empregado para referir-se a uma conjuntura social, geopolítica e histórica sobre a qual atuam diferentes segmentos da sociedade, desde indivíduos a grupos coletivos, envolvendo nações, nacionalismos e nacionalidades e suas diversas formas de comportamento e atuação.

Segundo o sociólogo Octávio Ianni, em sua obra A era do globalismo, o globalismo consiste em uma espécie de generalização de todas as particularidades expressas em âmbito local, provincial ou nacional, envolvendo os diferentes sistemas econômico-sociais e suas transformações. Afinal, segundo o mesmo autor, são essas realidades sociais, políticas, culturais e econômicas que se relacionam e dinamizam com a globalização do mundo, com a formação da sociedade global.

Dessa forma, ao considerarmos que a Globalização difundiu-se a ponto de se generalizar em todo o planeta, podemos então concluir que estamos diante de uma era globalista, em que as posições dominantes caracterizam, em uma escala mais ampla, os sentidos e os modos de vida de todo o mundo. Dessa forma, o globalismo estabelece-se como uma visão geral da sociedade global e globalizada, muito embora alguns localismos atuem no sentido de contrapor lógicas globalistas, ou seja, que se generalizam em todo o planeta.

É errado, no entanto, pensar que o globalismo consiste em algo homogêneo, ou seja, sem variações e diversidades. Pelo contrário, ele caracteriza-se pela ocorrência de sucessivos processos de fragmentação e integração que marcam aquilo que se chama por pós-modernidade, desenvolvendo-se muitas coletividades e nacionalidades, mas também profundas relações de diversidade e desigualdade entre os povos e indivíduos.

O globalismo, ao invés de excluir, convive com todas as manifestações ou ideologias do pensamento social, como o tribalismo, o regionalismo, o nacionalismo, o imperialismo, o colonialismo e outras. No entanto, essas relações são marcadas, modificadas ou transformadas pela configuração global com que as sociedades estruturam-se, o que marca as feições principais do globalismo.

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De acordo com algumas visões, o globalismo expressa-se como a imposição mais ou menos definida de um sistema ou de uma visão de mundo em nível mundial. Assim sendo, graças aos avanços do imperialismo e do capitalismo, a doutrina ocidental proliferou-se mundo afora no sentido de impor total ou parcialmente os seus padrões sobre o funcionamento de todas as sociedades, o que inclui as suas formas de pensar.

É claro que o globalismo é apenas uma teoria, de modo que possui os seus defensores e os seus críticos. Esses últimos afirmam que o globalismo reduz a perspectiva mundial a uma relação de domínio do sistema capitalista e suas práticas de acumulação, desconsiderando dinâmicas e acontecimentos básicos das relações internacionais. Além disso, o âmbito geral em que os discursos são apresentados é apontado com erro, uma vez que a teoria globalista, em tese, não seria capaz de explicar certas particularidades e diferenciações que se estabelecem diante de contextos semelhantes.

De todo modo, o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. O que, talvez, não se possa negar é que o processo de globalização difunde-se cada vez mais pelo mundo e estabelece-se transformando e sendo transformado pelas relações humanas e sociais nas mais diversas escalas de análise.

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