Gentrificação

“A gentrificação corresponde ao processo de modificação do espaço urbano, em que áreas periféricas são remodeladas e transformadas em espaços nobres ou comerciais.”

Entende-se por gentrificação o processo de revitalização dos espaços urbanos ou a aparente substituição de paisagens de caráter popular por construções típicas de áreas nobres. Trata-se de um processo em que o espaço geográfico urbano transforma-se e ressignifica-se, sobretudo em função da valorização acentuada e do enobrecimento de uma área antes considerada periférica.

Muitas vezes, as áreas periféricas de uma cidade formam-se de maneira não planejada, seja através de invasões, seja através de uma expansão descontrolada de loteamentos imobiliários em áreas afastadas. Esses locais, quase sempre sem infraestrutura básica (como saneamento, asfalto e transporte público de qualidade), sofrem pela sua distância em relação aos principais centros urbanos da cidade.

Com o tempo, prolifera-se aquilo que o geógrafo Roberto Lobato Corrêa denomina por descentralização, em que as áreas centrais – detentoras dos principais serviços e atividades urbanas – multiplicam-se e disseminam-se para outras áreas. Com isso, regiões antes desvalorizadas e sem estruturas ressignificam-se, passando por uma acentuada especulação imobiliária e modernização de seus espaços.

É nesse contexto que a gentrificação ocorre, pois as áreas antes desvalorizadas passam a ter um custo muito alto, ao passo em que a população residente nesse local é gradativamente substituída por um perfil comercial ou de grupos sociais mais abastados. Com isso, a paisagem modifica-se, e as zonas, que antes eram só guetos, barracos e pobreza, transformam-se em condomínios, prédios e casas de médio e alto padrão.

No entanto, é importante considerar que a transformação desses espaços não representa necessariamente uma mudança no padrão de vida da sociedade, haja vista que a população mais pobre, ao emigrar dessas regiões, passa a habitar outras localidades, geralmente ainda mais periferizadas. Essa ocorrência é chamada de segregação urbana.

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Um exemplo nítido do processo de gentrificação do rio é a favela do Vidigal, no Rio de Janeiro. Historicamente formada a partir de invasões, constituída por barrados amontoados e sem estrutura, esse local vai aos poucos transformando-se, recebendo novas casas de luxo formadas por pessoas ricas que buscam a área visando à bela visão do alto do morro. Com isso, o Vidigal vai conhecendo uma cada vez maior valorização de seus espaços, com a substituição do perfil de moradores e, consequentemente, das estruturas que os cercam.

O morro do Vidigal vai passando pela gentrificação em virtude da sua bela vista para o mar *
O morro do Vidigal vai passando pela gentrificação em virtude da sua bela vista para o mar *

Nem sempre o processo de gentrificação é um fenômeno econômico sem relação com as ações públicas, às vezes é o próprio Estado quem comanda ou interfere no processo. Na África do Sul, durante a Copa, algumas populações foram removidas e deslocadas para moradias populares, e seus lares pobres foram substituídos por outras construções. Na Copa do Mundo de 2014, a região da zona leste de São Paulo viu uma ressignificação de suas áreas após a construção do estádio de futebol utilizado pela cidade durante o megaevento, com a consequente valorização abrupta do valor do solo.

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* Créditos da imagem: Andre durao / Shutterstock

Publicado por: Rodolfo F. Alves Pena
Com a gentrificação, espaços antes periféricos revitalizam-se
Com a gentrificação, espaços antes periféricos revitalizam-se

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