Uso do gerúndio

O uso adequado do gerúndio ainda provoca muitas dúvidas entre os falantes. Alguns chegam a evitá-lo, temendo cair na armadilha do famigerado gerundismo.

O gerúndio é uma forma nominal que indica uma ação em andamento, não finalizada no momento da fala
O gerúndio é uma forma nominal que indica uma ação em andamento, não finalizada no momento da fala

Você sabe fazer o uso do gerúndio? Uma das formas nominais do verbo, o gerúndio deve ser empregado em situações específicas: nas orações adverbiais, indicando circunstâncias como tempo, causa, modo, entre outras. Contudo, o uso indiscriminado dessa forma tem levado ao que chamamos de gerundismo, um tipo de cacoete linguístico que virou moda entre os falantes.

Quando os verbos são terminados em -ndo, como em falando, brincando, estudando e correndo, eles estão flexionados no gerúndio, cuja principal característica é indicar uma ação contínua, ou seja, uma ação que está em andamento, não finalizada no momento em que se fala. Observe alguns exemplos:

Chegando as férias, viajarei para o campo.

Ele chegou em casa reclamando do trânsito.

A bailarina está dançando no palco.

Comportando-se bem, ganhou dos pais um aumento na mesada.

Até aí, tudo bem, o gerúndio está cumprindo adequadamente o seu papel, perdendo algumas características de verbo e ganhando outras características de nome, não importa se substantivo, adjetivo ou advérbio. Contudo, muitos falantes têm abusado da forma nominal, utilizando-a em situações em que ela é dispensável. Nesse caso, ocorre o famigerado gerundismo, muito discutido entre os estudiosos da língua. Enquanto muitos defendem esse fenômeno a partir do princípio de que a língua é dinâmica, portanto, mutável; outros, mais radicais, pregam que ele deve ser abolido da fala. Observe alguns exemplos de gerundismo:

A empresa vai estar convocando os funcionários para trabalhar aos domingos.

A professora vai estar aplicando a avaliação na segunda-feira.

A empresa vai estar depositando o salário dos funcionários a partir de amanhã.

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É preciso, para evitar confusões desnecessárias, deixar claras as diferenças entre o gerúndio e o gerundismo
É preciso, para evitar confusões desnecessárias, deixar claras as diferenças entre o gerúndio e o gerundismo

O gerundismo nada mais é do que o emprego do gerúndio para indicar ações futuras, subvertendo sua real função gramatical, que é a de indicar uma ação em andamento. Observe agora as mesmas frases reescritas de forma direta, sem a interferência do gerundismo:

A empresa vai convocar os funcionários para trabalhar aos domingos.

A professora vai aplicar a avaliação na segunda-feira.

A empresa vai depositar o salário dos funcionários a partir de amanhã.

Ou:

A empresa convocará os funcionários para trabalhar aos domingos.

A professora aplicará a avaliação na segunda-feira.

A empresa depositará o salário dos funcionários a partir de amanhã.

O gerundismo, considerado por muitos linguistas um exemplo de galicismo, é uma ocorrência antiga na língua portuguesa, e sendo assim, é pouco provável que ele seja apenas mais um modismo linguístico. Alguns estudiosos apontam que ele, inclusive, tem boas chances de um dia ganhar seu espaço na gramática normativa, assim como aconteceu com outros modismos que começaram na fala e terminaram dicionarizados. Essa é uma questão polêmica, mas é preciso optar pelo bom senso, afinal de contas, por que utilizar três verbos (vai estar fazendo, vai estar resolvendo) quando apenas um dá conta perfeitamente do recado? Pense nisso e bons estudos!

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