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Brasil na Segunda Guerra Mundial

Após romper relações diplomáticas com o Eixo, o Brasil teve navios atacados por submarinos alemães, o que levou o país a enviar 25 mil soldados para lutar na Itália em 1944.

Monumento construído no Rio de Janeiro em homenagem aos soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra *
Monumento construído no Rio de Janeiro em homenagem aos soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra *

Entre 1939 e 1945, aconteceu o maior conflito da história da humanidade, que contou com o envolvimento de Reino Unido, Estados Unidos, União Soviética, Alemanha, Japão e Itália como protagonistas. A participação brasileira na guerra deu-se a partir de 1942, com o rompimento das relações diplomáticas com o Eixo e o envio de tropas em junho de 1944. O Brasil foi o único país da América do Sul a enviar soldados sob sua bandeira para a guerra.

Relações diplomáticas

Durante a década de 1930, Estados Unidos e Alemanha travaram uma disputa pelas relações comerciais com o Brasil. A Alemanha Nazista, desde 1933, procurava estreitar os laços comerciais e diplomáticos com o Brasil, com o objetivo de aumentar sua influência política na América Latina. Essas ações alemãs fizeram com que simpatizantes da causa alemã surgissem no exército brasileiro.

Essas ações da Alemanha renderam alguns acordos econômicos com o Brasil, nos quais destacou-se a troca do algodão brasileiro por produtos industriais e militares alemães. No entanto, à medida que a tensão na Europa aumentava, Getúlio Vargas mostrava-se inclinado a reforçar os laços comerciais e diplomáticos com os Estados Unidos. Além disso, a perseguição imposta por Vargas contra integralistas e nazistas no Brasil gerou um baque nas relações teuto-brasileiras.

Os Estados Unidos assistiam ao crescimento da influência alemã no Brasil com temor e cautela. Durante a década de 1930, uma série de acordos comerciais e militares propostos pelo Brasil foi rejeitada pelo Congresso americano. À medida que o Brasil afastava-se da Alemanha e movia-se na direção dos Estados Unidos, a postura de Vargas era a de obter o melhor acordo possível para a economia brasileira.

A cantora luso-brasileira Carmen Miranda foi um dos símbolos da política da boa vizinhança desse período **
A cantora luso-brasileira Carmen Miranda foi um dos símbolos da política da boa vizinhança desse período **

Uma das estratégias utilizadas pelos Estados Unidos, nesse período, para aumentar sua influência sobre os países da América Latina foi a chamada política da boa vizinhança. Essa política, além de visar fornecer acordos econômicos para os países da América em troca de apoio, visava também incentivar o estreitamento de laços culturais dos Estados Unidos com a América Latina.

Pensando nisso, o presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, designou Nelson Rockefeller como o responsável por promover esse estreitamento de laços culturais. Rockefeller nomeou Walt Disney para produzir filmes que reforçassem uma visão pró-Estados Unidos na América Latina. Uma dessas ações foi a criação do personagem Zé Carioca. Além disso, inúmeros artistas latino-americanos realizaram intercâmbios culturais e excursões nos Estados Unidos, como a cantora luso-brasileira Carmen Miranda.

Já com a guerra em andamento, Getúlio Vargas obteve um rentável acordo com os Estados Unidos, que consistia no fornecimento de matéria-prima, sobretudo borracha, além de fornecer as bases aéreas do litoral do Nordeste para uso do exército americano. Em troca, os Estados Unidos forneceram equipamentos militares e financiaram a construção da primeira siderúrgica do país na cidade de Volta Redonda.

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A consolidação do acordo entre Brasil e Estados Unidos fez com que Getúlio Vargas declarasse, em janeiro de 1942, o rompimento das relações brasileiras com os membros do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Declaração de guerra e o envio de tropas

O rompimento das relações diplomáticas com o Eixo em janeiro de 1942 fez com que a Alemanha enviasse submarinos para a costa brasileira, atacando e afundando cinco navios mercantes brasileiros em agosto de 1942. A agressão alemã gerou grande comoção popular, que passou a exigir uma declaração de guerra contra a Alemanha.

A declaração de guerra contra a Alemanha aconteceu no mesmo mês (agosto de 1942). A partir disso, o governo brasileiro realizou um esforço para a mobilização de soldados para enviá-los ao fronte de guerra. A participação brasileira não foi uma exigência dos Aliados, e sim uma demanda que partiu do próprio governo brasileiro.

Para isso, o governo criou, em novembro de 1943, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), realizou a convocação de mais de 25 mil soldados (conhecidos como “pracinhas”) e enviou-os para a batalha na Segunda Guerra. O exército brasileiro foi liderado pelo general Mascarenhas de Morais e foi integrado com o 5º exército americano para atuar no fronte de guerra no Norte da Itália.

Inicialmente, o exército brasileiro estava mal equipado e mal treinado e contou com o auxílio americano para ter melhores equipamentos e receber retreinamento militar. A atuação do Brasil na guerra, como um todo, foi praticamente invisível, mas foi importante para a conquista de Monte Castello, local estratégico que era utilizado pelos alemães como defesa.

Ao todo, estima-se que 454 brasileiros tenham morrido em combate. Segundo o historiador Frank McCann, no final da guerra, o exército brasileiro recebeu um convite dos Estados Unidos para auxiliá-los na ocupação da Áustria, durante o processo de reconstrução do país, mas esse pedido teria sido recusado pelo comando do exército|1|.

A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial precipitou o fim da ditadura varguista do Estado Novo. Isso porque a luta do exército brasileiro contra regimes ditatoriais e totalitários na guerra foi utilizado pela oposição do governo como pretexto para exigir o fim da ditadura de Vargas e a imposição de medidas democráticas no país. Vargas acabou sendo deposto ainda em 1945.

|1| “EUA queriam que o Brasil participasse da ocupação”. Para acessar clique aqui.

*Créditos da imagem: Fábio Imhoff e Shutterstock
**Créditos da imagem: Neftali e Shutterstock

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