Política dos governadores

Política dos governadores
A alternância de mineiros e paulistas na presidência só foi possível com a “política dos governadores”.

No desenvolvimento da República, percebemos que o novo regime atendeu as demandas das oligarquias que se formavam pelo país. Nesse momento, principalmente pela ascensão do café, a necessidade de se sustentar o regime por um governo centrado nas mãos de um imperador (como no Período Monárquico) cedeu lugar para a ampliação dos poderes das oligarquias que controlavam os respectivos cenários políticos locais.

Preocupados em conservar o controle sobre os grandes cargos políticos, os oligarcas arquitetaram uma rede de ações políticas que deu origem à chamada política dos governadores. Nesse sistema, o governo federal buscava apoio dos oligarcas estaduais oferecendo recursos financeiros e liberdade de ação política. Em contrapartida, os governos locais tomavam todas as medidas necessárias para elegerem os políticos indicados pelo governo central.

Observamos nesse quadro a grande importância reservada à figura do coronel. Através de sua influência econômica e de outros métodos coercitivos, ele obrigava as populações locais a votarem nos políticos que agradavam as elites que se apresentavam no poder. Não raro, a corrupção do resultado eleitoral e o uso de violência serviam de instrumento para a manipulação dos resultados.

Quando um candidato de oposição vencia as eleições, o governo federal se valia ainda dos poderes da Comissão de Verificação de Poderes. Essa era uma comissão formada por cinco parlamentares que dava a palavra final sobre a vitória de algum candidato. Alegando alguma espécie de fraude ou crime eleitoral, essa comissão tinha a capacidade de “degolar” candidatos que tivessem vencido o pleito.

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As maiores evidências da funcionalidade da “Política dos Governadores” foi a perpetuação dos mesmos grupos políticos em várias províncias e a realização da política do “café com leite”. No “café com leite” observamos a alternância de políticos paulistas e mineiros no cargo presidencial. Tal ação refletia o papel central reservado a São Paulo e Minas Gerais no cenário político e econômico brasileiro.

O controle das oligarquias só foi abalado com o próprio desenvolvimento dos centros urbanos brasileiros. Com o passar do tempo, o meio rural e os instrumentos de dominação ligados a esse espaço cederam lugar para novos grupos sociais também interessados em ampliar sua ação política. Em 1930, uma revolução transformou esse quadro histórico perfilados nos primeiros anos da República.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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