Queremismo

Em maio de 1945, as forças políticas do Brasil se mobilizaram em favor da dissolução do Estado Novo e a consequente saída de Getúlio Vargas do poder. Isso porque, naquele ano, a ditadura varguista se via pressionada pela contradição de ter enviado tropas para defender a democracia na Europa e alimentar um governo centralizado em terras brasileiras. Mediante o impasse, o próprio Getúlio Vargas concordava que a saída do poder era a melhor estratégia para sua sobrevivência política.

Entre suas primeiras ações que apontava para o fim do Estado Novo, Getúlio Vargas marcou eleições presidenciais para o dia 2 de dezembro de 1945. Dessa forma, o ditador tentou sair de cena como um inédito defensor da democracia. No entanto, setores que defendiam incondicionalmente sua gestão logo se mobilizaram para reivindicar a permanência do político gaucho no poder. Aos brados de “Queremos Getúlio!”, nascia o chamado “Queremismo” ou “Movimento Queremista”.

Apoiado maçicamente por trabalhadores urbanos, o queremismo defendia a remarcação das eleições presidenciais e a organização de uma Assembleia Nacional Constituinte. Dessa forma, esperava-se que a nova carta magna do país incorporasse o privilégio de Getúlio Vargas disputar as eleições como candidato à presidência. Se isso não fosse possível, defendiam que algum outro artifício autorizasse Vargas a concorrer ao posto presidencial.

Seguindo as orientações soviéticas, o recém legalizado Partido Comunista Brasileiro apoiou a manutenção de Vargas no governo, já que o mesmo havia combatido o fascismo italiano. Nesse mesmo tempo, outras capitais brasileiras engrossaram as fileiras do queremismo através de manifestações públicas. No mês de julho, uma grande manifestação queremista agitou a capital quando os pracinhas da Segunda Guerra Mundial retornaram para o país.

Nos meses seguintes, talvez animado com essas e outras manifestações, Getúlio Vargas saía na sacada do palácio presidencial para saudar os seus aliados. No mês de outubro, tentou colocar seu irmão Benjamin Vargas no posto de chefe de Polícia do Distrito Federal. O ato foi prontamente interpretado como uma ação que possivelmente arquitetava sua permanência no poder. Dessa forma, no dia 29 de outubro, Góes Monteiro, ministro da Guerra, realizou a deposição de Vargas da presidência.

Apesar de interrompido, o movimento queremista não acarretou o desprestígio da figura política de Getúlio Vargas. Nas eleições de 1945, ele concorreu e conquistou uma das vagas do Senado pelo Rio Grande do Sul. Recluso em suas estâncias, não teve grande atuação como senador. No ano de 1950, a lendária figura do populismo brasileiro retornou ao poder através do voto popular.

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Por Rainer Sousa
Mestre em História

Integrantes do queremismo defendendo a permanência de Getúlio Vargas no poder.
Integrantes do queremismo defendendo a permanência de Getúlio Vargas no poder.
Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa

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