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Segundo governo de Getúlio Vargas

O segundo governo de Getúlio Vargas foi marcado pelas tensões sociais e pela crise política e econômica, o que resultou no suicídio de Getúlio.

Getúlio Vargas, presidente eleito nas eleições de 1950 *
Getúlio Vargas, presidente eleito nas eleições de 1950 *

Após sua deposição em 1945, Getúlio Vargas conseguiu eleger o general Eurico Gaspar Dutra para a presidência brasileira pelo PSD (Partido Social Democrático). Durante o governo Dutra, Vargas manteve-se nos bastidores da política brasileira, angariando o apoio dos grupos políticos para garantir seu retorno a partir das eleições de 1950.

Eleições de 1950

Os três principais candidatos das eleições de 1950 foram Getúlio Vargas (PTB), Cristiano Machado (PSD) e Eduardo Gomes (UDN). Durante os anos do governo Dutra, o papel de Vargas foi de apagar a imagem de ditador construída durante o Estado Novo (1937-1945). Assim, nesse período, Vargas conseguiu o apoio do governador de São Paulo, Ademar de Barros, importante figura política da época. Além disso, ele conseguiu dividir o PSD e enfraquecer o candidato lançado pelo partido, Cristiano Machado.

Durante a campanha, Vargas apelou para o discurso populista, além de reafirmar sua postura pela industrialização do país conforme afirma o historiador Boris Fausto:

Getúlio baseou sua campanha na defesa da industrialização e na necessidade de se ampliar a legislação trabalhista. Modulou seu discurso de acordo com cada Estado que percorria. No Rio de Janeiro, onde a influência comunista era real, chegou a dizer que, se fosse eleito, o povo subiria com ele os degraus do palácio do Catete e ficaria no poder|1|.

O resultado das eleições foram:

  • Getúlio Vargas (PTB) com 48,7% dos votos;

  • Eduardo Gomes (UDN) com 29,7% dos votos;

  • Cristiano Machado (PSD) com 21,5% dos votos.

Governo Democrático

O governo democrático de Vargas foi fortemente marcado pela crise política, forte atuação da oposição de Getúlio, crise econômica – principalmente pelo aumento da inflação – e a tensão social que aconteceu em decorrência tanto da crise política quanto da econômica.

Havia um debate muito forte sobre a política de desenvolvimento econômico que seria aplicada no Brasil. Havia aqueles que defendiam uma postura nacionalista, ou seja, sem influência de grupos e capitais estrangeiros, e aqueles que defendiam a atuação dos grupos e capitais estrangeiros na economia brasileira. Esse debate ecoava também no exército, que, além disso, refletia as tensões existentes no contexto internacional com relação ao comunismo por causa da Guerra Fria. O historiador Thomas Skidmore fala a respeito de dinheiro aplicado pela CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, em organizações brasileiras com o objetivo de difundir as doutrinas americanas no exército brasileiro |2|.

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Ao propor a criação de empresas nacionais para a produção de energia elétrica e pela exploração do petróleo nacional, Vargas foi acusado de comunista pelos opositores, e inúmeros obstáculos foram colocados para impedir a aprovação da criação dessas empresas estatais – a Eletrobras e a Petrobras. A oposição recebia o apoio dos EUA, contrários à criação da Petrobras, pois afetaria diretamente empresas americanas que exploravam o petróleo brasileiro.

A tensão social cresceu consideravelmente, pois a alta da inflação prejudicava o salário do trabalhador, que não era reajustado havia anos. Durante o governo de Getúlio, manifestações de trabalhadores aconteceram, com destaque para a Greve dos 300 mil, que aconteceu em São Paulo e mobilizou trabalhadores do setor têxtil, metalúrgico etc.

Crise e Suicídio

A crise do segundo governo de Vargas acentuou-se no ano de 1954. A pressão dos trabalhadores por aumento salarial e melhores condições de trabalho levou Vargas a anunciar João Goulart como Ministro do Trabalho. João Goulart propôs um aumento salarial de 100%. Vargas decretou o aumento e levou as elites econômicas ao desespero. Além das elites econômicas, o exército também era contrário ao aumento salarial de 100%, que aproximava o salário do trabalhador dos salários pagos ao exército.

Muitas denúncias falsas contra Vargas eram realizadas, principalmente por Carlos Lacerda, um dos principais representantes da UDN. Lacerda utilizava seu jornal, Tribuna da Imprensa, para difundir denúncias falsas contra o governo. Ele foi o pivô do fim do segundo governo getulista. Um atentado fracassado contra Lacerda (Atentado da Rua Tonelero) foi realizado em 5 de agosto de 1954 a mando de Gregório Fortunato, chefe de segurança do palácio do Catete (palácio presidencial). Vargas, contudo, não teve envolvimento na realização do atentado contra Carlos Lacerda.

Após o atentado, os pedidos de renúncia contra Vargas acentuaram-se. Completamente isolado, Getúlio optou pela saída extrema: cometeu suicídio em 24 de agosto de 1954. O suicídio de Vargas gerou comoção social, e as pessoas foram às ruas manifestar sua insatisfação contra os perseguidores de Getúlio. A sucessão da presidência foi realizada pelo vice-presidente Café Filho, que garantiu o processo democrático e a realização das eleições presidenciais em 1955.

|1| FAUSTO, Boris, História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013, p.345-346.

|2| SKIDMORE, Thomas E. Uma história do Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998, p.187.

*Crédito da imagem: Commons

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