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A caricaturista Nair de Teffé

Nair de Teffé sendo retratada pelo pintor francês Guiraud de Scevola
Nair de Teffé sendo retratada pelo pintor francês Guiraud de Scevola

Nair de Teffé foi uma pintora, caricaturista, musicista, atriz e escritora brasileira que marcou com ousadia os círculos sociais que frequentou. A filha do Barão de Teffé nasceu em 1886 e acompanhou o pai desde o nascimento em suas viagens como diplomata do Estado brasileiro. Isso resultou em uma educação em instituições de ensino destinadas à elite europeia, proporcionando a ela o contato com diversos tipos de artes.

Voltou ao Brasil em 1905, trazendo na bagagem as influências da Belle Époque parisiense. A partir daí passou a se dedicar às caricaturas, desenhando para várias revistas, dentre elas, a Fon-Fon e O Malho. Assinando suas caricaturas como Rian, seu nome de trás para frente, Nair se destacou como transgressora de certos padrões comportamentais exigidos de mulheres de sua classe social. A produção de caricaturas à época era um ofício predominantemente masculino. Nair de Teffé é apresentada por alguns estudiosos do tema como a primeira caricaturista mulher do mundo.

Nair de Teffé era também musicista e seu gosto pela música popular gerou problemas nas altas esferas do poder federal. Ela havia se casado com o viúvo presidente da República, Hermes da Fonseca, em dezembro de 1913. Em um sarau por ela organizado no Palácio do Catete, em 1914, ela tocou no violão, acompanhado por Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), a música Corta-Jaca, de sua amiga Chiquinha Gonzaga (1847-1935). A letra era composta por versos como este: Essa dança é buliçosa, tão dengosa/que todos querem dançar/Não há ricas baronesas, nem marquesas/que não queiram requebrar…

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A música popular e os instrumentos que eram utilizados em sua execução não eram aceitos pela classe dominante da capital da República, além do fato de haver versos considerados obscenos e ofensivos, o que acabou resultando em uma reprovação por parte do senador baiano Rui Barbosa, a partir da tribuna do parlamento, sobre a falta de decoro que estava a reinar na casa do presidente.

Os problemas políticos que poderiam causar ao marido levaram Nair de Teffé a se tornar um pouco mais comedida em seu comportamento, sendo que havia abandonado a caricatura quando se tornou primeira-dama. Após o fim do mandato do marido, voltou a morar na Europa, onde passou cinco anos. Retornando ao Brasil na década de 1920, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e, após a morte de Hermes da Fonseca, em 1923, organizou eventos teatrais e encenou peças na cidade de Petrópolis. Ao retornar à capital da República, na década de 1930, construiu um cinema com seu pseudônimo.

No fim da vida conviveu com dificuldades financeiras, mas voltou a produzir caricaturas, retratando diversas personalidades. Morreu em 1981, aos 95 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro.

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