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Batalha de Berlim e a queda do Nazismo

A Batalha de Berlim foi o desfecho da Segunda Guerra Mundial no cenário europeu. A derrota alemã nessa cidade levou Hitler a cometer suicídio e à queda do Nazismo.

Batalha de Berlim e a queda do Nazismo
Selo russo celebrando, em 1995, os 50 anos da vitória sobre os alemães na Batalha de Berlim*

A Batalha de Berlim foi o combate que colocou fim à Segunda Guerra Mundial na Europa. O cerco a essa cidade alemã resultou em grande destruição e marcou a queda do Reich nazista. Nos dias finais dessa batalha, Adolf Hitler cometeu suicídio. A Alemanha acabou rendendo-se poucos dias depois.

Resumo do conflito

Em abril de 1945, a Alemanha encontrava-se em uma situação desesperadora. O Eixo estava caindo aos pedaços e sua capital, Berlim, estava sendo cercada pelas tropas soviéticas e por seu anúncio de vingança. Toda essa situação, no entanto, era consequência de um conflito causado pela própria Alemanha ao longo da década de 1930.

A Segunda Guerra Mundial havia começado a partir da agressão da Alemanha contra a Polônia, em 1º de setembro de 1939. Utilizando-se de uma operação de bandeira falsa, os alemães invadiram a Polônia e iniciaram a primeira de muitas conquistas que fariam na fase inicial do conflito. Por meio da tática da blitzkrieg, os alemães conseguiram conquistar o território polonês em menos de um mês.

Após essa conquista, a Alemanha conquistou, em sequência, Noruega, Dinamarca, Holanda, Bélgica, França etc. O conflito entrou em uma nova escalada de destruição quando os alemães colocaram em prática a Operação Barbarossa para realizar a conquista da União Soviética. O objetivo alemão era conquistar o território soviético em poucas semanas, mas o fracasso dessa operação fez com que a Alemanha entrasse em declínio.

A derrota em Stalingrado representou a mudança dos rumos do conflito. A incapacidade em derrotar um inimigo obstinado e a redução dos recursos para a manutenção da economia fizeram com que a Alemanha começasse a ser derrotada a partir de 1942. O declínio alemão tornou-se perceptível com a derrota de suas tropas no norte da África e a subsequente invasão da Sicília pelos Aliados e pela derrota em Kursk.

O ano de 1944 foi marcado por uma grande ofensiva soviética, que forçou os exércitos alemães a recuarem cada vez no leste europeu. A virada de 1944 para 1945 trouxe um prelúdio da destruição que seria lançada sobre Berlim após o cerco de Budapeste. Em 1945, o exército alemão registrou milhões de mortos. A recusa de Hitler em render-se e toda a violência praticada pelos alemães ao longo da guerra fizeram com que os soviéticos carregassem o discurso de vingança rumo a Berlim, o último passo para selar a queda do Nazismo.

Batalha de Berlim

O cerco a Berlim foi organizado em abril de 1945, quando foram mobilizados cerca de 2,5 milhões de soldados, apoiados por 6.250 blindados e 7.500 aeronaves|1|. A defesa da capital alemã era composta por aproximadamente 700 mil soldados, dos quais milhares eram adolescentes com idades entre 13 e 18 anos ou idosos com mais de 60 anos. Esse dado evidencia o colapso total em que se encontrava a Alemanha no final da guerra.

A conquista de Berlim era uma verdadeira obsessão para Stalin, que desejava entrar na cidade primeiro que as tropas americanas e britânicas. O discurso do líder soviético pregava a vingança contra todo o dano causado pelos alemães durante a invasão da União Soviética (apesar de que Stalin amenizou seu tom de vingança em abril de 1945). Além disso, Stalin queria ter acesso às informações sigilosas dos alemães para o desenvolvimento de armas nucleares.

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O ataque a Berlim começou com o avanço dos soviéticos contra a posição defensiva dos alemães nas colinas de Seelow, em 16 de abril de 1945. No primeiro dia desse ataque, aconteceu também um dos mais pesados bombardeios de toda a guerra, quando os soviéticos lançaram 1.236.000 bombas sobre os alemães|2|.

O avanço dos soviéticos em Seelow ocorreu de maneira mais lenta que o previsto, o que causou a fúria de Stalin, mas, uma vez que a cidade de Berlim foi invadida, os combates foram travados rua a rua. A resistência obstinada dos alemães na defesa da cidade é explicada pelos historiadores como temor pelo que os esperava, caso fossem conquistados pelos soviéticos.

Enquanto a batalha era travada, inúmeros generais e líderes importantes do Partido Nazista, como Dönitz, Ribbentrop e Speer, fugiram de Berlim. Muitos membros desse partido ainda haviam tentado, em vão, convencer Hitler a também fugir. Os planos do líder nazista eram outros, e seus últimos dias de vida foram passados em seu bunker subterrâneo.

À medida que os exércitos soviéticos avançavam por Berlim, um verdadeiro caos espalhou-se pela cidade, com uma onda de saques, assassinatos e estupros realizados pelos soldados soviéticos. A respeito dos estupros promovidos pelo exército soviético na Alemanha, Antony Beevor afirma o seguinte:

Os dois principais hospitais de Berlim, o Charité e o Kaiserin Auguste Viktoria, estimaram o número de mulheres violentadas entre 95 mil e 130 mil. A maioria sofreu vários ataques. Um médico calculou que umas 10 mil morreram em decorrência dos estupros ou por suicídio. Algumas moças foram encorajadas a se matarem pelos pais para limpar a “desonra”. No total, estima-se que cerca de 2 milhões de mulheres e meninas tenham sido estupradas em território alemão|3|.

No dia 30 de abril de 1945, Adolf Hitler, juntamente de sua esposa, Eva Hitler, cometeu suicídio logo após os soviéticos terem invadido e conquistado o Reichstag (parlamento alemão). O poder da Alemanha havia sido transmitido por Hitler para Karl Dönitz. A rendição oficial do país aconteceu no dia 2 de maio de 1945. Com a derrota na guerra, a Alemanha foi ocupada pelos Aliados e dividida entre eles em várias zonas de influência, e a cúpula do Partido Nazista enfrentou as acusações pelos crimes cometidos durante a guerra, sobretudo o genocídio contra os judeus, o Holocausto.

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 643.
|2| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record. 2015, p. 817.
|3| Idem, p. 831.

*Créditos da imagem: Rook76 e Shutterstock

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