Catarismo

Concebido nos fins do século IX, o catarismo foi considerado um dos mais expressivos movimentos hereges de toda a Idade Média. Seus praticantes, conhecidos como cátaros (termo de origem grega que significa “puro”), estabeleceram uma doutrina espiritual influenciada por ensinamentos do cristianismo, do gnosticismo e do zoroastrismo. Aparecendo inicialmente na região de Limousin, na França, esse movimento herético logo tomou corpo e se desenvolveu ao longo das décadas.

Tendo uma visão de mundo fortemente dualista, os cátaros acreditavam que a glorificação do espírito só pode ser alcançada a partir do momento em que as sensações carnais fossem desprezadas. Influenciados por essa concepção, os cátaros viviam uma vida extremamente simples e se abstinham do consumo de alguns alimentos como a carne e qualquer outra fonte de sustento que fosse obtida por meio da procriação. Além disso, se recusavam a realizar o sacrifício de qualquer tipo de animal e não aceitavam os tradicionais juramentos feudais.

A rejeição do mundo material se sustentava numa crença anterior, na qual acreditavam que todo o mundo espiritual fora criado por um “deus do bem” (Deus) e toda a realidade material fora concebida por um “deus do mal” (Diabo). Sendo assim, o homem deveria buscar sua purificação espiritual e tomar as mais diversas ações que lhe permitissem se afastar da esfera material. Mesmo acreditando na existência do mal, eles não acreditavam no inferno, pois, ao fim, o bem triunfaria para todo o sempre.

Entre os séculos XI e XII, o catarismo se desenvolveu por diversos cantos da Europa e teve seus praticantes conhecidos por nomes diversos. Na Alemanha, foram chamados de “ketzers”; entre os italianos foram nomeados como “patarinos”; e em terras búlgaras foram conhecidos como “bogomils”. No século XIII, o grande número de cátaros existentes na cidade de Albi – localizada na região francesa do Languedoc – fez com que os praticantes dessa heresia também fossem conhecidos como “albigenses”.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Desenvolvendo uma igreja própria, os cátaros se organizavam em uma hierarquia que os dividia como: bispos, perfeitos e crentes. Os “crentes” tinham uma relação aberta com os cátaros, seguindo alguns de seus princípios, mas mantendo laços com a Igreja Católica e contraindo matrimônio. Os “perfeitos” tinham uma vida de negação material e só alcançavam essa condição ao serem aceitos em uma cerimônia de aceitação organizada pelos bispos, que eram os líderes mais experientes.

Na medida em que tinham sua igreja e suas próprias liturgias, os cátaros foram perseguidos pelos representantes do catolicismo. No ano de 1119, o Concílio Regional de Toulouse chegou à conclusão de que o catarismo era uma séria ameaça à manutenção da unidade da fé cristã. Inicialmente, os clérigos católicos tentaram reafirmar sua autoridade religiosa dialogando com os cátaros e enviando pregadores para as regiões em que a heresia se desenvolvia de modo mais expressivo.

Sem obter a submissão esperada, o papa Inocêncio III condenou os cátaros à condição de hereges durante o IV Concílio Lateranense, no ano de 1215. Tomada essa decisão, os cátaros foram sistematicamente perseguidos e tiveram as suas igrejas destruídas durante a chamada “Cruzada Albigense”, desenvolvida entre as décadas de 1210 e 1220. Ao mesmo tempo, o crescimento da Inquisição Católica tratou de varrer os demais praticantes dessa religião medieval.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Mundo Educação

Os cátaros não se subordinavam aos preceitos da Igreja Católica.
Os cátaros não se subordinavam aos preceitos da Igreja Católica.
Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa
Assista às nossas videoaulas

Assuntos Relacionados