Guerra civil na Líbia

Muammar Gaddafi controlou a Líbia por mais de quatro décadas.*
Muammar Gaddafi controlou a Líbia por mais de quatro décadas.*

Democracia é a palavra-chave que envolve as lutas populares em diversos países do Oriente Médio e do Norte da África no mundo atual. A Líbia é um exemplo de região com pouca experiência em regimes não ditatoriais e que hoje vem passando por uma revolução popular na busca por mudanças no campo econômico e político e por um regime que ofereça mais qualidade de vida e liberdade para os seus cidadãos. As dificuldades em exercer liberdade política, o autoritarismo do governo e a falta de liberdade de expressão foram os principais motivos dessa revolução popular contra o governo do ditador Muammar Gaddafi, que entrou no poder através de um golpe de estado no dia 1° de Setembro de 1969.

Gaddafi adotou práticas excessivamente autoritárias, como a criação, em 1974, de um decreto que proibiu qualquer pessoa de criar um partido político de oposição ao seu governo. Essa medida contribuiu para a ausência de democracia política no país, uma vez que “oposição, rivalidade ou competição entre um governo e seus oponentes é um aspecto importante da democratização.” (Dahl. p, 25); porém, essa característica inexistia nas relações políticas na Líbia e foi essa ausência de liberdade que feriu por muitas décadas os direitos humanos no país.

A revolução popular é fruto dos longos anos de perseguições, assassinatos e falta de liberdade de imprensa, fatos que contribuíram para a explosão dessa manifestação num momento em que outras nações vizinhas também almejavam mudanças nas raízes políticas de seus países. Dessa forma, com as guerras civis acontecendo concomitantemente em alguns países do Oriente Médio e do norte da África, as manifestações populares ganharam força, como é o caso do Egito, Tunísia e Síria.

Existe, na Líbia, um grupo rebelde de resistência civil constituído em grande parte por professores, estudantes, advogados e soldados profissionais que desertaram do exército para se juntar ao movimento contra o regime de Gaddafi. O Grupo de Combate Islâmico Líbio (GCIL), formado por militares que lutaram contra as forças soviéticas no Afeganistão, também se juntou na luta contra o governo, aumentando as manifestações em prol de um governo justo e democrático.

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A comunidade internacional, assistindo à resistência civil dos países Árabes, entre eles a Líbia, iniciou o apoio global em torno das questões dos direitos humanos. A ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu intervir na guerra civil do país controlado por Gaddafi. Os Estados Unidos, sendo um dos mais importantes membros do Conselho de Segurança da ONU, iniciaram um bombardeio contra as tropas que defendiam o ditador líbio. Essa intervenção internacional promoveu uma pressão sobre o regime ao passo que os rebeldes avançaram em direção à capital Trípoli.

No dia 26 de agosto de 2011, as forças rebeldes com o apoio militar da ONU conseguiram conquistar a capital da Líbia e se apossar do quartel-general de Muammar Gaddafi, que pouco antes de sua captura enviou um recado via rádio para a população da Líbia dizendo: “morte ou vitória”. Após o domínio da cidade de Trípoli, em 28 de agosto, as forças de transição enviadas pela ONU se apossaram também da cidade de Sirte, em 28 de outubro de 2011, ajudando os rebeldes a prender Gaddafi.

 Gaddafi, ao ser capturado, sofreu graves ferimentos e sua morte foi inevitável. Além disso, o jornal árabe Al Jazeera publicou na mídia as fotos do corpo do ditador, as imagens retratavam o fim de uma era e de um governo altamente autoritário e ditatorial. Porém, já passado alguns meses após a morte do ditador, a Líbia não conseguiu contornar alguns problemas políticos em seu governo e essa será uma tarefa difícil para um país que por mais de 40 anos se viu aprisionado por um regime sem democracia e sem liberdade de expressão.

*Créditos da imagem: Dmitro2009 e Shutterstock

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