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Invenção da Imprensa

A Invenção da Imprensa pelo alemão Gutenberg ocorreu no século XV e resultou em uma grande revolução que transformou a cultura e a sociedade europeia durante a Modernidade.

Johann Gutenberg foi o responsável pela invenção da imprensa no século XV
Johann Gutenberg foi o responsável pela invenção da imprensa no século XV

Entre as grandes invenções da modernidade, está, seguramente, o telescópio, desenvolvido por Galileu Galilei. Essa invenção foi responsável pela mudança radical no modo de observação astronômica até então vigente. De igual modo, podemos dizer que houve, com a invenção da máquina de imprensa pelo alemão Johann Gutenberg (1398-1468), uma mudança radical na forma de se ler e de se divulgar escritos (panfletos, jornais ou livros). A invenção da máquina de imprensa possibilitou a formação das comunidades de leitores (grandes massas de leitores que tinham acesso a livros até então de escassa circulação), bem como a formação de um aparato comercial em torno da leitura – algo que começou a aparecer no século XVIII.

A imprensa de Gutenberg foi desenvolvida entre os anos de 1439 e 1440 a partir da confecção e combinação de tipos móveis (símbolos gráficos moldados em chumbo), que eram passados em tinta à base de óleo de linhaça e impressos em papel por meio de uma prensa movimentada por uma barra de madeira. Sabe-se que esse tipo de impressão com tipos móveis não é originalmente uma invenção de Gutenberg. Na China do século XI, o inventor Bi Sheng, já havia conseguido fazer algo semelhante. Outros modelos também haviam sido desenvolvidos na Europa medieval, mas o de Gutenberg foi o que obteve maior sucesso e tornou-se plenamente viável.

O sucesso da imprensa de Gutenberg começou sobretudo com sua impressão de cópias da Bíblia, ainda na década de 1440. Mas a utilização da imprensa tornou-se realmente intensa no século seguinte, com a Reforma Protestante empreendida por Martinho Lutero. Os panfletos luteranos, que começaram a ser veiculados em 1517, passaram a ser rodados nas máquinas de imprensa (réplicas do modelo de Gutenberg) dos vários principados alemães simpáticos à causa reformista. Essa disseminação dos escritos de Lutero por meio da impressa começou uma revolução sem precedentes na prática da leitura, haja vista que, antes disso, a demora em se fazer uma cópia à mão de um documento era enorme. Com a impressa, centenas eram feitas em um único dia.

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A tradução que Lutero fez da Bíblia, do latim para o alemão, também foi impressa nos modelos da imprensa de Gutenberg. Isso ajudou ainda mais na disseminação da leitura e na proliferação do protestantismo na Europa, tornando esses dois fatos históricos correlacionados: a Reforma e a Imprensa, como bem destaca os historiadores Peter Burke e Asa Briggs:

Depois que as igrejas protestantes se estabeleceram, elas começaram a transmitir suas tradições por intermédio da educação das crianças. Peças, pinturas e impressos agora eram rejeitados em favor da palavra, fosse ela escrita ou falada, Bíblia ou sermão. Por outro lado, na primeira geração ([…] décadas de 1520 e 1530), os protestantes se baseavam no que pode ser chamado de 'ofensiva da mídia', não somente para comunicar suas próprias mensagens, mas também para enfraquecer a Igreja Católica, ridicularizando-a, usando o repertório tradicional do humor popular para destruir o inimigo pelo riso.[1]

NOTAS

[1] BURKE, Peter e BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

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