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O vinho na Idade Média

O tema do vinho na Idade Média suscita o conhecimento dos hábitos da nobreza medieval e das rotas comerciais desse período.

Vinhos estocados em abadia beneditina, Monte Oliveto Maggiore. Toscana, Itália
Vinhos estocados em abadia beneditina, Monte Oliveto Maggiore. Toscana, Itália

O vinho é, talvez, a bebida alcoólica que possui maior presença em relatos históricos das civilizações antigas. A simbologia que essa bebida engendra no texto bíblico e em mitos, como o do deus grego Dionísio (Baco, para os romanos,), é terminantemente singular. Na Idade Média, o consumo do vinho tornou-se muito intenso em várias regiões da Europa. Isso ocorreu, em parte, em razão da herança do hábito romano de apreciar tal bebida e, em parte, em face da liturgia cristã, que incluiu o vinho em sua cerimônia. Além disso, destaca-se a faculdade tônica do vinho, que servia muito bem às regiões frias e úmidas do norte europeu.

As primeiras vinícolas realmente produtivas e organizadas do período medieval passaram a ser cultivadas por monges cristãos entre os séculos VII e XIII. Aliás, foi entre os monges e a fundação das primeiras abadias que várias modalidades de agricultura desenvolveram-se de forma especializada na Idade Média. Mas só a partir do século XI a produção de vinho intensificou-se e, por meio das trocas comerciais, as regiões do norte da Europa, como a Inglaterra, conseguiram importar vinho das regiões do sul, onde era propício o cultivo das vinhas.

O consumo de vinho era intenso sobretudo entre os nobres. Isso exigiu uma especialização na produção e o desenvolvimento dos meios de troca e distribuição. O problema era exatamente como levar vinho para a região dos países setentrionais, que ficavam mais ao norte. A fabricação de tonéis de madeira para acomodar a bebida e substituir as ânforas – mais frágeis e delicadas – foi uma das medidas que possibilitaram o transporte de vinho a longas distâncias.

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Desse modo, o vinho que era produzido em regiões como a Aquitânia (sudoeste da França), onde florescia bem a vinha, era transportado até as regiões setentrionais e, de lá, à Inglaterra, graças à fácil via marítima. Esse trânsito comercial acabou originando, por si mesmo, um dos grandes fluxos de mercadorias do norte da Europa.

Como atestou o historiador Renouard, “assim se estabeleceram, progressivamente, no decorrer do XII e XIII séculos, grandes correntes comerciais entre centros de produção de vinhos de boa qualidade situados na zona vinícola mediana e os grandes centros de consumo da Zona do Norte onda a vinha se adapta mal. Foi a relativa proximidade dessas diversas regiões de produção e de consumo que determinou essas correntes e deixou de lado a região mediterrânea, demasiado longínqua.” (Renouard, Y. O grande comércio de vinho na Idade Média. Revista de História, IV, 14 (Abril-Junho), 1953. p. 306).

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