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Trégua de Natal na Primeira Guerra

A Trégua de Natal na Primeira Guerra ocorreu entre as tropas que combatiam próximo a Ypres em 1914.

A trégua de Natal foi um dos acontecimentos mais inusitados da Primeira Guerra
A trégua de Natal foi um dos acontecimentos mais inusitados da Primeira Guerra

Que a Primeira Guerra Mundial, ou “A Grande Guerra”, travada entre os anos de 1914 e 1918, inaugurou um tipo de guerra absolutamente destrutivo e mortal nós já sabemos, haja vista os milhões de mortos por ela produzidos que não encontram par em guerras que a antecederam. Todavia, há alguns detalhes dessa guerra que passam despercebidos do grande público. Um deles refere-se à chamada “Trégua de Natal”, ocorrida nas trincheiras próximas à cidade de Ypres, na Bélgica, em 24 e 25 de 1914, entre soldados alemães e os seus rivais ingleses e franceses.

Antes do Natal de 1914, a guerra já havia chegado à Bélgica e, em especial, à região de Ypres, que foi palco da primeira fase, em novembro, de uma batalha longuíssima e que prosseguiria em 1915. Tanto as tropas do exército imperial alemão quanto as tropas britânicas e francesas haviam marcado suas posições por meio de trincheiras cavadas nas cercanias de Ypres. Os ataques eram variados e consistiam em bombardeios, tiros com rifles de assalto e tentativas de avanço territorial. Durante os dias de novembro em que a batalha transcorreu, essa era a rotina dos combatentes. Entretanto, no mês de dezembro, o que era impensável ocorreu.

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Como ocorreu a trégua de Natal?

O inverno intensificou-se ainda mais na região, e os soldados retrocederam para suas posições e praticamente não mais empreendiam combate. Às vésperas do Natal, foi possível observar, de uma trincheira para outra (que ficavam à distância de algumas dezenas de metros umas das outras), alguns soldados em clima festivo, fumando, bebendo e comendo sem se importar de serem vistos pelos inimigos. Essa postura, inicialmente isolada, contaminou todos os presentes no conflito daquela região, desde os oficiais de alta patente até o soldados rasos. Por fim, soldados passaram a sair das trincheiras, atravessar a zona de fogo (conhecida como “terra de ninguém”), chegar até a trincheira inimiga para desejar feliz Natal aos rivais e, eventualmente, trocar comida e charutos.

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Há inúmeros relatos dessa trégua. Um deles foi dado pelo Capitão C. I. Stockwell, pertencente ao Royal Welsh Fusiliers, do exército britânico. Disse Stockwell que: “Às 8:30h do dia 26, eu disparei três tiros para o ar, ergui uma bandeira com os dizeres 'Merry Christmas' e subi da trincheira. Os alemães levantaram uma placa com os dizeres 'Thank you' e o capitão deles apareceu no alto da trincheira. Nós nos saudamos e retornamos às nossas trincheiras. Em seguida, ele fez dois disparos para o ar. A guerra havia começado novamente.” [1]

Esse e outros relatos semelhantes dão margem para reflexões a respeito da estrutura psicológica dos combatentes da Primeira Guerra, que, nesse caso específico, oscilou entre cumprir ordens superiores e não ter contato amistoso com os inimigos e descumpri-las e fazê-lo. Talvez o clima do Natal, que era uma festa comum às nações europeias envolvidas no conflito, tenha contribuído, estritamente, para a segunda opção tomada pelos soldados.

NOTAS

[1] THEODORO, Reinaldo V. A Trégua de Natal. In: Clube SOMNIUM, 2004. p.6.

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