Aluísio Azevedo

Aluísio Azevedo é considerado o maior escritor naturalista da literatura brasileira. É o autor de romances como O mulato, Casa de pensão e O cortiço.

Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 14 de abril de 1857. Era filho de um vice-cônsul português, David Gonçalves de Azevedo. Na infância, gostava de desenhar e de pintar, dons que lhe auxiliariam, anos mais tarde, em sua produção literária.

Após concluir seus estudos preparatórios na capital maranhense, Aluísio mudou-se com o irmão para a capital do Rio de Janeiro, em 1876, onde ingressou na Academia Imperial de Belas Artes. Durante esse período, atuou como colaborador caricaturista em jornais como O Fígaro, Mequetrefe, Zig-Zag e A Semana Ilustrada.

Em 1878, com o falecimento do pai, Aluísio retornou a São Luís do Maranhão para contribuir com o sustento da família. Nesse período, abandonou momentaneamente os desenhos para se dedicar à produção literária. Em 1879, publicou sua primeira obra: Uma lágrima de mulher.

O mulato: a primeira obra naturalista da literatura brasileira

Em 1881, período de grande efervescência abolicionista, lançou o romance naturalista O mulato, o qual foi mal recebido pela provinciana sociedade maranhense em virtude do modo direto e realista como tratava o preconceito e as atrocidades vividas pelos escravos negros no Brasil. Apesar da rejeição de seus conterrâneos, a obra foi bastante admirada pelos leitores da corte, os quais consideraram a obra de Aluísio um exemplar da corrente literária/artística Naturalismo.

Pouco tempo antes de publicar O mulato na corte, Aluísio promoveu uma inteligente e eficiente campanha publicitária no jornal A pacotilha. O autor publicou uma notícia no jornal anunciando a chegada de um advogado à cidade, o que, na verdade, era o personagem central do romance O mulato.

Leia um trecho da falsa notícia:

Dr. Raimundo José da Silva, distinto advogado que partilha de nossas ideias e propõe-se a bater os abusos da Igreja. Consta-nos que há certo mistério na vida desse cavalheiro”.

(FARACO, Carlos. O povo como personagem. In: AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 1992. p. 8.)

A campanha foi um sucesso, despertou a curiosidade do público e foram vendidos dois mil exemplares da obra, fato inusitado para a época.

Aluísio Azevedo: O autor das massas

De volta ao Rio de Janeiro e com sérias dificuldades financeiras, Aluísio Azevedo passou a escrever, incessantemente, romances, contos, crônicas e peças de teatro para sobreviver, uma tarefa bastante complicada em um país de muitos analfabetos e poucos leitores.

Durante esse período, o autor publicou diversas obras, entre as quais estão Casa de pensão (1884) e O cortiço (1890), considerada por muitos estudiosos e admiradores como sendo sua obra-prima. Com a publicação dessas obras, as quais tematizaram alguns dos problemas enfrentados pelas classes mais baixas da sociedade brasileira, bem como a animalização do homem em certas circunstâncias e situações da vida, Aluísio Azevedo passou a ser conhecido como “o autor das massas”.

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Leia um trecho de O cortiço e observe a maneira impiedosa e natural como o autor descreve o amanhecer no cortiço:

III

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.

Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.

A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.

Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saiam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.

(AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 26. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 35-36.)

Outras obras de Aluísio Azevedo

Uma Lágrima de Mulher, romance (1880)

O Mulato, romance (1881)

Mistério da Tijuca ou Girândola de Amores, romance (1882)

Memórias de um Condenado ou A Condessa Vésper, romance (1882)

Casa de Pensão, romance (1884)

Filomena Borges, romance (1884)

O Homem, romance (1887)

O Cortiço, romance (1890)

O Coruja, romance (1890)

A Mortalha de Alzira, romance (1894)

Demônios, contos (1895)

O Livro de uma Sogra, romance (1895)

O Japão (1894)

O Touro Negro, crônicas e epistolário

Os Doidos, peça

Casa de Orates, peça

Flor de Lis, peça

Em Flagrante, peça

Caboclo, peça

Um Caso de Adultério, peça

Venenos que Curam, peça

República, peça

Aluísio Azevedo é considerado o maior representante da prosa naturalista brasileira
Aluísio Azevedo é considerado o maior representante da prosa naturalista brasileira
Publicado por: Luciana Kuchenbecker Araújo
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