Anita Malfatti

Anita Malfatti foi uma artista plástica brasileira que participou da Semana de Arte Moderna e trouxe para suas obras os elementos das artes expressionistas e cubistas.

Selo postal com a obra “O homem amarelo” (Anita Malfatti, 1917) *
Selo postal com a obra “O homem amarelo” (Anita Malfatti, 1917) *

Anita Catarina Malfatti foi uma artista plástica brasileira que nasceu em São Paulo, no dia 2 de dezembro de 1889, filha do engenheiro italiano Samuel Malfatti e da artista plástica norte-americana Betty Krug. Anita nasceu com uma atrofia no braço direito e precisou aprender a usar a mão esquerda sob os cuidados de uma governanta.

Anita iniciou seus estudos no Colégio São José e, em 1897, estudou no Colégio Mackenzie, onde se formou professora. Com a mãe, que ministrava aulas de pintura e línguas para sustentar a família após a morte do marido, aprendeu as primeiras técnicas de pintura.

Formação profissional na Europa e nos Estados Unidos

Em 1910, com a ajuda do tio e do padrinho, Anita foi estudar na Europa. Frequentou o ateliê de Fritz Burger e, em seguida, matriculou-se na Academia Real de Belas Artes, em Berlim (Alemanha), quando teve o primeiro contato com a arte expressionista.

De volta ao Brasil, em 1914, Anita realizou sua primeira exposição individual, na “Casa Mappim”, sem grande destaque. No ano seguinte, Anita Malfatti foi estudar em Nova York (Estados Unidos), na “Art Students League”, sob a orientação de Homer Boss. Durante esse período, a artista entrou em contato com as estéticas cubista e expressionista, as quais marcaram profundamente sua obra, diferenciando-a dos padrões acadêmicos brasileiros da sua época. Essa experiência lhe propiciou a oportunidade de pintar livremente, sem limitações estéticas. Foi nessa fase que pintou seus quadros de maior prestígio.

A polêmica exposição em 1917

De volta a São Paulo, em 1917, Anita Malfatti realizou, no dia 20 de dezembro, uma exposição com 53 obras, as quais ilustravam a influência das vanguardas europeias em seu estilo, como "A Estudante Russa", "O Homem Amarelo" e "A Mulher de Cabelo Verde".

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As obras de Anita foram duramente criticadas pelo escritor Monteiro Lobato, que, na época, atuava como crítico de arte do jornal “O Estado de São Paulo”. Lobato publicou um artigo intitulado “Paranoia ou mistificação?”, no qual questionou a necessidade de se criar uma arte moderna. Para ele, a arte moderna era considerada demasiado esquisita e, da forma como estava sendo criada, poderia ser produzida até mesmo “por um macaco com um pincel amarrado no rabo”.

Em contrapartida, o escritor e amigo de Anita Malfatti, Oswald de Andrade, defendeu as técnicas e a exposição da artista plástica no “Jornal do Comércio”.

Os efeitos da crítica de Monteiro Lobato foram bastante negativos à vida e à carreira da artista, que ficou deprimida e reclusa durante muito tempo. Essa situação foi o estopim para o desenvolvimento do Movimento Modernista no Brasil.

Amizade com Tarsila do Amaral

Depois de um ano longe da pintura, Anita voltou a ter aulas sobre natureza-morta e, nessa época, conheceu sua grande amiga, a artista plástica Tarsila do Amaral. Incentivada pelos amigos modernistas, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, Anita participou da Semana de Arte Moderna, ocorrida em 1922.

Há telas de Anita Malfatti nos principais museus brasileiros. O quadro "A Estudante" encontra-se no “Museu de Arte de São Paulo”; "A Boba", no “Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo”; e "Uma Rua", no “Museu Nacional de Belas-Artes”, no Rio de Janeiro. Além do Brasil, Anita Malfatti realizou exposições individuais em Berlim, Paris e Nova York.

Anita Malfatti morreu em São Paulo, no dia 06 de novembro de 1964.

*Crédito da imagem: neftali / Shutterstock.com

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